Brasil
27/04/2008 - 08h41

Indenização no Araguaia terá "teto" de R$ 100 mil

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SERGIO TORRES
enviado especial da Folha a São Domingos do Araguaia (PA)

Por falta de documentos, moradores da região do Araguaia receberão, em sua grande maioria, no máximo R$ 100 mil como indenização pelo período em que, acusados de ajudar guerrilheiros do PC do B que atuaram na região nos anos 60 e 70, foram presos e torturados por militares.

Responsável pela análise do pedido de indenização e fixação do valor a ser pago ao requerente, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça entende que os fatos narrados aconteceram --além de prisões e torturas, cárcere privado, semi-escravidão, perda de terras e destruição de lavouras.

Mas, sem prova documental, não dá para estipular pagamentos mensais e indenizações que, por vezes, superam R$ 1 milhão, como acaba de acontecer com os jornalistas Ziraldo e Jaguar, do semanário "O Pasquim", em 1969.

Há 240 processos de indenização apresentados à comissão por moradores de cidades do Pará, Tocantins e Maranhão na região do Araguaia. Nos últimos dois dias, cerca de 60 pessoas apresentaram-se ao presidente da comissão, Paulo Abrão Júnior, e aos sete conselheiros que vieram a São Domingos do Araguaia (cerca de 540 km de Belém) para tomar depoimentos. Eles também querem ser indenizados.

Pela lei federal que regula o regime do anistiado (10.559/ 2002), quem reivindica ressarcimento por perseguições sofridas entre setembro de 1946 e outubro de 1988 deve provar a perda de vínculo de trabalho. Terão direito à "reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada" os que comprovarem que tiveram, pela ação de agentes do governo, interrompido um trabalho, como empregado ou patrão.

O documento pode indicar quanto a pessoa recebia e, por cálculos e pesquisas de mercado, chega-se ao suposto valor a que teria direito. Estipula-se, então, a prestação mensal até a morte, mais uma quantia indenizatória paga de uma só vez. Foi o caso dos jornalistas.

No caso dos perseguidos do Araguaia, faltam documentos. O dono da terra, tomada pelos militares na luta contra a guerrilha, era posseiro, sem título de propriedade. Seu empregado não tinha carteira de trabalho assinada. Sem registro oficial, as prisões não resultaram em inquéritos e processos.

Assim, a comissão decidiu que a maioria dos anistiados receberá "reparação econômica em prestação única", conforme também prevê a lei. Esse pagamento não pode superar R$ 100 mil, diz a 10.559. O cálculo da quantia tem por base o valor de 30 salários mínimos por ano de perseguição e prejuízo.

Ontem, no sítio em que a comissão se reuniu com os requerentes, havia clima de paranóia decorrente da presença no local de pessoas identificadas como sendo aliadas dos militares que atuaram no Araguaia.

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Comentários dos leitores
Santos Júnior (134) 02/07/2009 23h47
Santos Júnior (134) 02/07/2009 23h47
Sr. Alcides Emanuelli, se o Sr ler um pouco mais verá que a "ditadura militar" não atrasou o progresso e desenvolvimento do país, muito pelo contrário. Só para dar alguns exemplos, durante o regime militar foram construídas as pontes da Amizade, Rio - Niterói, as barragens de Itaipú, Boa Esperança, Sobradinho, Tucuruí, construídos alguns estádios de futebol,a criação da EMBRAER, da EMBRATEL, do Funrural, do PIS/PASEP, do FGTS, da SUDAM, da SUDENE e etc.O "milagre econômico" do Governo Médici fez o Brasil crescer 11% ao ano.Mesmo com todas estas conquistas, nada justificaria um regime "fechado" à liberdade como foi este se os verdadeiros inimigos da nação não quisessem "cubanizar" o Brasil.Concordo com o Sr que nosso querido país está "entregue" e ventos gelados, Sr Emanuelli, ainda estão por vir.Isso é só o começo! sem opinião
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João Carlos Gagliardi (1580) 30/06/2009 19h07
João Carlos Gagliardi (1580) 30/06/2009 19h07
Muito estranha a afirmação deste ex-soldado, que a "Secretaria de Direitos Humanos e do Ministério da Justiça" não querem encontrar os corpos dos terroristas Araguaia.
O que estas pessoas MAIS querem é justamente o oposto disso.
Querem corpos, querem mídia, cobertura nacional e internacional, quanto maior a repercussão, melhor...
O objetivo dessa turma, não é nem um pouco humanitário acredito eu...
sem opinião
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Alcides Emanuelli (1332) 30/06/2009 14h11
Alcides Emanuelli (1332) 30/06/2009 14h11
Não sei como o homem não consegue comprender os regimes de interesses corporativistas.
Ditaduras existem ainda no mundo, são regimes que oprimem um povo, são regimes que previlegiam seus donos e o poder corportativistas.
O regime de ditadura dos militares muito comprometeram nosso progresso e desenvolvimento, e todos os regimes totalitarios comprometem o desenvolvimento, porque a liberdade é tolhida.
O regime que o outro grupo queria implantar o comunismo tambem seria uma ditadura mas como dizem uma ditadura de esquerda, sendo que a que existiu e venceu foi a de direita.
Para o povo era e foi uma violencia em dose dupla, de um lado o poder do exercito que estava constitucionalizado forte e organizado, do outro lado, intelectuais, estudantes, artistas, e outros que queriam tambem estar no Poder para deles tirarem seus proveitos.
Para o povo infelizmente um deles seria o vencedor e foi os militares, hoje ao contrario o outro lado venceu e esta no poder, tambem mostrando sua incompetencia como foi a dos militares.
E a Nação que deveria ser mais justa, menos sofrida, salva de todos as dificuldades socias como fica!
Fica ao lento ou ao vento para ir para onde ele a levar.
São ventos gelidos, fortes e incessantes que agredim a Nação a aos poucos vão destruindo toda e qualquer tentativa de se erguer, levantar suas vozes, para serem ouvidos e poderem gritar por liberdade.
Liberdade significa por fim a violencia, a reconstituição da familia brasileira.
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