PT de BH indica vice para chapa com PSB e amplia polêmica sobre aliança com tucanos
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O deputado estadual Roberto Carvalho (PT-MG) foi escolhido neste domingo pelo Diretório Municipal do PT como o candidato a vice-prefeito na polêmica chapa encabeçada pelo empresário Márcio Lacerda (PSB). A escolha de Carvalho reforça a união com Lacerda cujo nome tem apoio do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT).
Carvalho é candidato a vice na chapa de Lacerda, que é secretário estadual de Desenvolvimento Econômico --portanto assessor de confiança de Aécio.
A definição de Carvalho tem apoio da Executiva Nacional do PT, que na semana passada vetou a aliança do partido com o PSDB em Belo Horizonte. A ordem do comando nacional da legenda vai em orientação oposta ao que deseja o Diretório Municipal do PT em Belo Horizonte nas eleições de outubro.
Mas o presidente estadual do PT em Minas Gerais, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), tentou hoje minimizar a crise interna causada pelo veto à aliança.
"O nome de Roberto Carvalho foi escolhido por mais de 90% dos presentes. Nós legitimamos a aliança com o PSB. Não há desafio algum à Executiva Nacional [do PT]", afirmou Lopes.
Lopes desconversou quando questionado sobre a intenção de Pimentel de levar a proibição da aliança à Justiça, se for necessário. Segundo ele, "nada impede que o PSB possa optar por uma aliança informal" do PT com o PSDB. Mas na reunião do diretório, realizada neste domingo, o prefeito insistiu em defender a parceria.
O assunto deverá ser tema da reunião da Executiva Nacional do PT marcada para amanhã à tarde em Brasília. Além de Belo Horizonte, mais cerca de 200 municípios envolvem articulações entre PT e PSDB para alianças em torno de um mesmo candidato.
O veto do PT à parceria com o PSDB provocou críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também de antigos aliados do governo federal, como o ex-ministro e vice-líder do PSB na Câmara, deputado Ciro Gomes (CE). Mas o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), insiste em afirmar que a decisão foi tomada em acordo pela maioria. Na votação, 13 dos 15 integrantes da executiva apoiaram a proibição.
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