Brasil
28/04/2008 - 09h04

Valor de indenização caiu, afirma Comissão de Anistia

SERGIO TORRES
enviado especial da Folha a São Domingos do Araguaia (PA)

Presidente da do Ministério da Justiça, o advogado e professor universitário Paulo Abrão Júnior defende as indenizações a perseguidos políticos e diz que no caso dos jornalistas as críticas são equivocadas, pois os valores foram reduzidos em até seis vezes em relação ao que era pago antes. Ele afirma que os moradores do Araguaia não têm ajuda do Estado para obter documentos que comprovem a perseguição sofrida.

"Oficialmente não existem documentações do Estado brasileiro relativas àquele período", afirmou à Folha na sexta-feira, em São Domingos do Araguaia (PA), onde houve um dos focos da guerrilha rural organizada pelo PC do B.

FOLHA - Por que o anúncio das indenizações, que seria agora aqui no Araguaia, foi adiado?
PAULO ABRÃO JÚNIOR - Vimos que em alguns processos faltam documentações e informações importantes para a formação de juízo dos conselheiros.

FOLHA - Quantos processos?
ABRÃO JÚNIOR - A grande maioria. Só por testemunhas eles conseguem comprovar [a posse da terra ou prisões sofridas].

FOLHA - Sem os documentos, tem indenização?
ABRÃO JÚNIOR - Uma das dificuldades desses processos é essa questão das provas documentais. A maioria deles é instruída por provas testemunhais.

FOLHA - O Estado não ajuda?
ABRÃO JÚNIOR - Oficialmente não existem documentações do Estado brasileiro relativas àquela época.

FOLHA - Como o sr. assimilou as críticas dirigidas à comissão pelos valores de indenizações para jornalistas?
ABRÃO JÚNIOR - Elas foram indevidas na medida em que não se focalizaram no grande esforço que a comissão implementou na diminuição dos valores das indenizações. O parâmetro anterior [...] era de anistia com prestação mensal de R$ 23 mil. A Comissão de Anistia reduziu esses valores para entre R$ 3.200 e R$ 4.500, uma redução de seis vezes no valor das indenizações. Mesmo assim, ainda gera algum desconforto, o que é compreensível, porque de fato nossa legislação que estabelece os critérios de indenização permite algumas distorções. Não é perfeita.

Comentários dos leitores
Mauricio Amaral (3) 09/10/2008 18h47
Mauricio Amaral (3) 09/10/2008 18h47
Pessoas do atual governo, que eram "militantes politicos" e atuavam na época da ditadura militar, como simples "marginais", e que praticaram inúmeros crimes comuns, desde sequestros, homicidios, assaltos, etc.. Mas por estarem atualmente no poder, agora fazem leis para propiciar indenizações milionárias aos "companheiros", mas até hoje, nunca ouvi falarem em qualquer tipo de indenização ao militar morto ou ferido em combate contra esses mesmos "militantes" ou até mesmo, para os familiares de pracinhas mortos ou feridos na guerra. Na minha opinião, essas indenizações milionárias e a postura do atual governo, simpesmente maculam a imagem daqueles que atuaram naquela época, por um verdadeiro ideal e não para obter um enriquecimento ilicito. Outro fato deveras absurdo, é querer a punição dos militares acusados da pratica de crime, mas como ficariam a punição dos militantes pelos crimes praticados? sem opinião
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cleiton leite coutinho (1) 01/10/2008 12h34
cleiton leite coutinho (1) 01/10/2008 12h34
Algumas pessoas buscam discutir a anistia sempre pelos valores financeiros e alegam com grande preocupação, o quanto custa a reparação aos que são julgados anistiados políticos pelo Ministério da Justiça. Precisamos nos atentar a alguns detalhes, nem toda pessoa considerada anistiada é indenizada, tem a comissão julgadora como critério para indenizar o anisiado um parametro legal que é o dispositivo constitucional e o diploma legal atinente a matéria. Outro ponto que devemos nos questionar e cobrar, é quanto que o Estado gastou nos anos de chumbo, usando verba licita de forma ilicita, para patrocinar praticas de tortura por soldados, oficiais, delegados e outros que estavam ali para proteger os entes do Estado e faziam ao contrário. Somando viaturas do DOPS, gasolina, dia dos centenas de policiais, grampos, telefone, energia para dar choques nos presos políticos e todo o aparelho do Estado colocado a disposição desse regime, alguém já questionou esses valores. Certamente não, pois iremos descobrir gente da alta nata que já se preocupa com a abertura dos arquivos desse regime cruel que hoje podem estar ocupando cargos de destaques na política e na sociedade em geral. Por todo exposto é que acredito que a discussão esta se dando de forma superficial e não como deveria no debate de idéias, mas sem omitir o passado do Estado, culpando pessoas que entregaram suas vidas para que pudessemos estar aqui hoje debatendo, manifestando a nossa opnião de forma democratica. 9 opiniões
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Paulo Castilho (1) 28/09/2008 02h35
Paulo Castilho (1) 28/09/2008 02h35
Digam aí os contemplados, valeu a pena tomar uns cascudos pra ganhar essa bolada, não é mesmo? Alguém sabe me dizer se a família do segurança de banco e a família do soldado assassinados pelo bando do Lamarca vão ganhar indenização? 12 opiniões
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