Secretário de Yeda Crusius flagrado com indiciado por desvio pede demissão
FLÁVIO ILHA
da Agência Folha, em Porto Alegre
O secretário de Planejamento e Gestão do Rio Grande do Sul, Ariosto Culau, pediu demissão ontem, após ser fotografo pelo jornal "Zero Hora" tomando chope com o empresário Lair Ferst, um dos indiciados da Operação Rodin.
A operação, da Polícia Federal, investiga fraude de R$ 44 milhões contra os cofres públicos gaúchos. O encontro ocorreu na noite de quinta-feira, num shopping de Porto Alegre.
Os dois se encontraram algumas horas depois de Culau ter participado, ao lado da governadora Yeda Crusius (PSDB), do anúncio de que o Executivo ia romper o contrato com a Fundae, uma fundação suspeita de envolvimento na fraude contra o Detran (Departamento Estadual de Trânsito).
Por volta das 19h de domingo, Culau encontrou-se com Yeda, a quem entregou uma carta de renúncia. A demissão foi oficializada às 22h.
A Operação Rodin foi desencadeada pela PF em novembro de 2006, com a prisão de Ferst e de outros 11 suspeitos de envolvimento na fraude contra o Detran. Ferst nega a ligação com o suposto esquema.
Segundo a PF, um grupo de empresas e de fundações públicas ligadas à UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) superfaturava as provas teóricas e práticas dos exames de habilitação de motoristas. A diferença entre os valores pagos e os valores repassados ao Detran eram divididos entre os participantes do esquema. O inquérito da PF indiciou 39 suspeitos, Ferst entre eles.
Ferst é filiado ao PSDB e foi um dos coordenadores da campanha da Yeda Crusius ao governo, em 2006.
Mesmo fora do governo, Culau terá de explicar à CPI do Detran, que também investiga as irregularidades, o encontro que teve com Ferst.
O presidente da comissão, deputado Fabiano Pereira (PT), anunciou ontem que o requerimento de convocação do ex-secretário será votado na próxima segunda-feira.
O relator da CPI, deputado Adilson Troca (PSDB), defendeu a convocação de Culau.
A reportagem não conseguiu ouvi-lo hoje.
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