Com habeas corpus, diretora da Gautama evita perguntas de deputados de Alagoas
SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha
A diretora-financeira da construtora Gautama, Maria de Fátima Palmeira, prestou depoimento hoje em Maceió, onde mora, mas não respondeu a nenhuma pergunta feita pelos deputados.
"Ela conseguiu um habeas corpus para não falar, não ser presa e não sofrer nenhum tipo de constrangimento," disse o deputado Cabo Patrício (PT), que esteve em Maceió com os deputados Bispo Renato Andrade (PR) e Brunelli Júnior (DEM) especialmente para o depoimento.
A CPI da Gautama investiga possíveis irregularidades no pagamento de R$ 3,5 milhões pelo governo do Distrito Federal à construtora para a construção de barragens.
Maria de Fátima é investigada pela Polícia Federal no inquérito que apura um suposto esquema de desvio de dinheiro da União, liderado pela Gautama, destinado a obras de infra-estrutura liderado pela Gautama. A diretora nega a acusação.
Para o deputado Cabo Patrício, apesar de a diretora da Gautama não ter respondido às perguntas, já há indícios suficientes da participação dela no suposto esquema com base na documentação apreendida pela PF e pela quebra do sigilo bancário dela. De acordo com ele, a comissão deverá pedir ao Ministério Público o indiciamento de Maria de Fátima.
"A CPI tem mais dois meses de investigação, e no término vamos encaminhar o relatório ao Ministério Público para que ela seja indiciada. Ela se recusou a falar porque não tem como justificar os R$ 3,5 milhões que foram desviados do Distrito Federal", disse o deputado.
O advogado de Maria de Fátima, Fábio Ferrário, disse que o silêncio, neste momento, foi uma opção da defesa e que, independentemente do habeas corpus, ela tinha o direito de não falar.
Para Ferrário, a afirmação sobre um possível pedido de indiciamento pela CPI é "precoce". A CPI da Gautama ouve amanhã, em Salvador, o depoimento de Zuleido Veras, dono da Gautama.
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