BNDES suspende recursos para investigados na Operação Santa Tereza
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) suspendeu os repasses de recursos para financiamento dos projetos para a rede de Lojas Marisa e para a Prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista. Existe a suspeita de que recursos desses projetos foram utilizados para financiar redes de prostituição.
A Polícia Federal prendeu dez pessoas acusadas de participar do esquema, na Operação Santa Tereza. Entre os investigados, está o conselheiro do banco, o advogado Ricardo Tosto, ligado à Força Sindical. Ele foi preso na operação e solto no último sábado.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que o banco ainda está aguardando informações da investigação, mas adiantou que conversou com o ministro da Justiça, Tarso Genro. Segundo Coutinho, Tarso afirmou que não há indícios que revelem qualquer participação de dirigentes e funcionários do banco nessas operações.
"Por prudência, o banco suspendeu, transitoriamente, os desembolsos nesses dois casos que temos conhecimento, até que haja mais informações", afirmou.
Luciano Coutinho disse ainda que não pode presumir a culpa de ninguém e evitou comentar os critérios de nomeação para os assentos nos conselhos do banco. No caso de Tosto, que fazia parte do Conselho de Administração, pediu afastamento da função durante as investigações.
O presidente do BNDES disse que o Conselho de Administração não tem nenhuma incidência sobre as operações do banco. Ele explicou que o conselho se reúne quatro vezes por ano e tem que aprovar as grandes diretrizes, supervisionar e orientar a administração.
Coutinho ressaltou que o BNDES tem mecanismos de acompanhamento em relação à liberação de recursos para os projetos, mas admitiu que é impossível que todas as fases sejam acompanhadas.
"A gente faz o possível, mas a partir de determinado ponto, pode haver fraudes e distorções que estão além da nossa capacidade", afirmou.
Ele destacou que o BNDES não credencia ou incentiva qualquer intermediário a tramitar projetos e liberações. Coutinho aconselhou os empresários a lidarem sempre de forma direta com a instituição.
"É licito ter consultores, mas lidem diretamente, evitem intermediários. Quaisquer intermediários que estejam querendo vender facilidades, não corresponde à realidade do BNDES", afirmou.
Outro lado
O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), lamentou a decisão do BNDES de suspender o repasse de recursos. Por meio de nota, o tucano disse que vai aguardar que as investigações sejam concluídas rapidamente para que as obras não tenham de ser paralisadas, em prejuízo da comunidade.
"As obras desse financiamento são de maior interesse da comunidade. Vão elevar as condições de vida da população beneficiada de forma substancial. E, por isso, nossa intenção é que tudo fique claro o mais rápido possível para que a população não seja prejudicada", afirmou Mourão.
Procurada pela reportagem, a assessoria das lojas Marisa ainda não se manifestou sobre o assunto.
Leia mais
- Tarso responsabiliza advogados por vazamento de operação contra lobby no BNDES
- Tarso pede informações sobre suposto vazamento de operação contra desvio no BNDES
- Chinaglia critica ação da polícia contra desvio no BNDES dentro da Câmara
- PF diz que Paulinho da Força tramou escândalo contra Kassab
- Tarso diz que PF não investiga deputados por desvios no BNDES
Livraria
Especial

