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Brasil
29/04/2008 - 21h39

Dono da Gautama fica calado em depoimento à CPI da Gautama

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MANUELA MARTINEZ
colaboração para a Agência Folha, em Salvador

Durante 90 minutos, o empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama, ouviu hoje cerca de 170 perguntas feitas por três deputados distritais de Brasília, na sede da Polícia Federal em Salvador. A todos os deputados, que integram a CPI da Gautama, o empresário, beneficiado por um habeas corpus, alegou o direito constitucional de permanecer calado.

"Ele apenas disse o seu nome, o endereço e o telefone", afirmou o deputado Bispo Renato Andrade (PR), presidente da CPI. Segundo ele, mesmo permanecendo em silêncio, Zuleido Veras terá o seu pedido de indiciamento por corrupção ativa e passiva encaminhado ao Ministério Público.

"O que apuramos até agora é suficiente para finalizarmos o relatório", disse o deputado.

A mesma estratégia de Zuleido Veras foi adotada ontem em Maceió (AL) por Maria de Fátima Palmeira, ex-diretora-comercial da Gautama.

Os deputados disseram que também vão pedir o indiciamento de Palmeira, sob a alegação de que ela teria participação no desvio de R$ 3,5 milhões, de um montante de R$ 145 milhões, liberados pelo governo federal para a realização de obras na bacia do rio Preto, no Distrito Federal.

Além de Zuleido Veras, também foram ouvidos hoje na PF dois funcionários da Gautama: Florêncio Melo e Gil Jacó.

Melo colaborou parcialmente com a CPI, confirmando que esteve "várias vezes" em Brasília nos últimos anos. "No mais, ambos se limitaram a ficar em silêncio", disse o deputado Júnior Brunelli (DEM).

Em maio do ano passado, a PF deflagrou em nove Estados a Operação Navalha para investigar suspeitos de participar de um esquema de desvio de recursos públicos, fraudando licitações. O esquema, segundo a PF, seria comandado por Zuleido Veras --a construtora Gautama, ainda de acordo com a Polícia Federal, direcionava os editais em obras federais, estaduais e municipais.

Diante da suspeita de irregularidades entre a Gautama e o governo do DF, a Câmara Legislativa instaurou uma CPI. Aparentando tranqüilidade, Veras e os dois funcionários da Gautama deixaram a PF no início da tarde de hoje sem falar com os jornalistas.

Comentários dos leitores
Nelson Vaughan (102) 12/11/2009 18h22
Nelson Vaughan (102) 12/11/2009 18h22
Acertou o STJ ao suspender os mandados de busca e apreensão, vez que, como se sabe, tais empreiteiras mandam no Brasil e ninguém tem peito de ir fundo nas acusações de corrupção. Então, para que perder tempo se no fim as investigações vão acabar em absolutamente NADA! Vamos economizar tempo e dinheiro, não é mesmo TSJ? sem opinião
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Rui Ruz Caputi Caputi (1757) 04/11/2009 23h56
Rui Ruz Caputi Caputi (1757) 04/11/2009 23h56
É inequívoco que toda licitacao no Brasil
esteja absolutamente viciada
sem opinião
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Igor Bevilaqua (713) 04/11/2009 19h44
Igor Bevilaqua (713) 04/11/2009 19h44
Se realmente essa quadrilha desviou(roubou) R$ 20.000.000,00..., é perca de tempo a polícia prendê-los..., a "JUSTIÇA" na mesma hora vai mandar soltar a todos..., nesse país, quem rouba muito não fica preso. sem opinião
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