Dono da Gautama fica calado em depoimento à CPI da Gautama
MANUELA MARTINEZ
colaboração para a Agência Folha, em Salvador
Durante 90 minutos, o empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama, ouviu hoje cerca de 170 perguntas feitas por três deputados distritais de Brasília, na sede da Polícia Federal em Salvador. A todos os deputados, que integram a CPI da Gautama, o empresário, beneficiado por um habeas corpus, alegou o direito constitucional de permanecer calado.
"Ele apenas disse o seu nome, o endereço e o telefone", afirmou o deputado Bispo Renato Andrade (PR), presidente da CPI. Segundo ele, mesmo permanecendo em silêncio, Zuleido Veras terá o seu pedido de indiciamento por corrupção ativa e passiva encaminhado ao Ministério Público.
"O que apuramos até agora é suficiente para finalizarmos o relatório", disse o deputado.
A mesma estratégia de Zuleido Veras foi adotada ontem em Maceió (AL) por Maria de Fátima Palmeira, ex-diretora-comercial da Gautama.
Os deputados disseram que também vão pedir o indiciamento de Palmeira, sob a alegação de que ela teria participação no desvio de R$ 3,5 milhões, de um montante de R$ 145 milhões, liberados pelo governo federal para a realização de obras na bacia do rio Preto, no Distrito Federal.
Além de Zuleido Veras, também foram ouvidos hoje na PF dois funcionários da Gautama: Florêncio Melo e Gil Jacó.
Melo colaborou parcialmente com a CPI, confirmando que esteve "várias vezes" em Brasília nos últimos anos. "No mais, ambos se limitaram a ficar em silêncio", disse o deputado Júnior Brunelli (DEM).
Em maio do ano passado, a PF deflagrou em nove Estados a Operação Navalha para investigar suspeitos de participar de um esquema de desvio de recursos públicos, fraudando licitações. O esquema, segundo a PF, seria comandado por Zuleido Veras --a construtora Gautama, ainda de acordo com a Polícia Federal, direcionava os editais em obras federais, estaduais e municipais.
Diante da suspeita de irregularidades entre a Gautama e o governo do DF, a Câmara Legislativa instaurou uma CPI. Aparentando tranqüilidade, Veras e os dois funcionários da Gautama deixaram a PF no início da tarde de hoje sem falar com os jornalistas.
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