PF afirma que grupo suspeito de desvios no BNDES visava 27 prefeituras
da Folha Online
Reportagem de Rubens Valente, publicada nesta quarta-feira na Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL), informa que os investigados por suposto envolvimento com o esquema de desvios de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) queriam ampliar sua área de atuação para 27 prefeituras de quatro Estados. O grupo também mirava em convênios no Ministério das Cidades e na Funasa (Fundação Nacional de Saúde).
E-mail interceptado pela Operação Santa Tereza diz que lista de cidades, com nomes de prefeitos e partidos, "é segredo de Estado". O e-mail foi enviado em 29 de fevereiro pelo consultor Marcos Mantovani, preso na última quinta-feira.
A mensagem foi remetida para João Pedro Moura, também preso na semana passada e ex-assessor do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), e para o empresário Manuel Fernandes de Bastos Filho, foragido.
De acordo com a reportagem, Mantovani trabalhava pela assinatura de contratos com sua empresa, a Progus Investimentos, Consultoria e Assessoria Ltda., para intermediar recursos na área de iluminação pública.
Segundo a PF, grupo queria fechar contratos com órgãos públicos para emitir notas falsas. A verba desviada seria depois dividida entre os integrantes do esquema. Leia reportagem completa na edição da Folha.
A Polícia Federal desarticulou no último dia 24 uma quadrilha envolvida num esquema de desvio de parte dos empréstimos do BNDES a prefeituras e empresas privadas. Os empréstimos, segundo a PF, eram obtidos por meio de influência política.
De acordo com reportagem da Folha, a investigação deve esbarrar em Paulinho. A reportagem informa que a PF encontrou indícios de que Paulinho participava do lobby político para liberar os empréstimos.
A reportagem informa ainda que prefeitos das cidades que receberam os recursos também devem ser investigados.
Esquema
As investigações que resultaram na operação Santa Tereza começaram em dezembro de 2007 para apurar denúncias sobre tráfico de mulheres e exploração de prostituição. No início da apuração, os policiais constataram que alguns dos investigados mantêm uma casa de prostituição em São Paulo.
Numa conversa telefônica, um dos sócios do flat --onde os suspeitos marcavam encontros com garotas de programa-- mencionou que gostaria de trazer para o prostíbulo uma equipe de uma prefeitura para discutir um empréstimo do BNDES.
De acordo com a PF, a quadrilha seria formada por empresários, empreiteiros, advogados e servidores públicos. O esquema consistia na obtenção de empréstimos no BNDES e desvio de parte do crédito para benefício dos integrantes da quadrilha.
De acordo com a PF, a quadrilha desviava de 3% a 4% de cada financiamento obtido no BNDES. Os empréstimos eram parcelados --e haveria desvios em cada parcela.
Com Folha de S.Paulo
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