CPI mapeia suposto tráfico de influência entre portadores de cartão corporativo
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A CPI dos Cartões Corporativos identificou sinais de tráfico de influência entre servidores que usam cartões para compras em empresas que têm como sócios integrantes do Poderes Executivo e Legislativo. Os deputados Índio da Costa (DEM-RJ) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) identificaram que 452 estabelecimentos que têm contratos com o governo para receberem pagamentos em cartões corporativos têm sócios que são, ou foram, servidores públicos comissionados.
Há o caso de uma empresa, segundo Sampaio, em que o portador do cartão realizou compras no próprio estabelecimento do qual é sócio. O deputado não quis adiantar o nome das empresas nem os servidores sócios dos estabelecimentos antes que a sub-relatoria de fiscalização de gastos (que tem Costa como seu titular) investigue os cruzamentos de dados levantados por Sampaio.
Apesar da denúncia, o universo de empresas levantado pelos parlamentares é pequeno diante do total de estabelecimentos que recebem pagamentos com cartões corporativos: 38.338. Desse total, Sampaio conseguiu identificar possível tráfico de influência nas 452 empresas apontadas pelo deputado com contratos firmados com o governo.
Os 452 estabelecimentos têm 473 sócios que foram ou ainda são servidores comissionados --uma vez que há empresas com mais de um sócio em sua direção. Pelo menos 109 órgãos do poder federal, segundo os deputados, abrigam sócios de empresas que recebem pagamentos via cartões corporativos.
Os dados são referentes a contratos firmados pelos estabelecimentos com o governo entre 2003 e 2008, que renderam às empresas o faturamento de R$ 651,17 milhões nesse período.
Sampaio admitiu que pode haver muitos contratos "legais", fruto de licitação. Por este motivo, afirmou que a sub-relatoria de fiscalização de gastos vai analisar os dados em detalhes. Os deputado ressaltaram, porém, que é ilegal um servidor público ser sócio-gerente de um estabelecimento que recebe recursos públicos federais.
"Há possibilidade de que o sócios das empresas sejam servidores públicos desde que não ocupem cargos gerenciais. Mas a ilegalidade decorre da ofensa à moralidade, já que existe a recomendação do poder público não fazer aquisições em empresas das quais é sócio. A ilegalidade é ato de improbidade", afirmou Sampaio.
Para Costa, os servidores têm que optar entre firmarem sociedades privadas ou prestarem serviços ao governo e ao Legislativo. "As pessoas têm que escolher o chapéu: ou são sócias de empresas ou prestam serviço ao funcionalismo público."
Irregularidades
Sampaio disse que, dos 473 sócios de empresas que têm contratos com o governo para receberem pagamentos via cartões corporativos, pelo menos dez são portadores dos cartões e os utilizaram para o pagamento nas empresas que têm servidores públicos no seu comando. Entre os dez servidores, sete foram identificados como funcionários (ou ex-funcionários) do Poder Executivo e outros três não tiveram os órgãos de origem identificados pela CPI.
Outros 320 sócios estiveram --ou ainda estão --empregados em cargos comissionados no Poder Executivo e 134 no Legislativo. Ainda há outros nove sócios que foram ou ainda são, ao mesmo tempo, servidores do Executivo e Legislativo.
"Agora, vamos fazer a análise de todos os dados antes de detalhá-los publicamente. A gente não quer correr o risco de ter 15 minutos de fama. Temos a responsabilidade de que as informações sejam concretas", afirmou Costa.
Leia mais
- Entenda o caso envolvendo os cartões corporativos do governo
- Nos EUA, Dilma se irrita com pergunta sobre dossiê
- Comissão de Ética dá dez dias para Dilma dar informações sobre dossiê anti-FHC
- Só 17,4% acreditam que Dilma montou dossiê anti-FHC, diz pesquisa
- PF pedirá mais um mês para investigar vazamento de dossiê
Livraria
- Frederico Vasconcelos ensina como investigar governos, empresas e tribunais
- Livro reúne balanço de bens de políticos
- Cientista traça perfil social e político da Câmara em livro
- Obras da série "Folha Explica" discutem política e eleições
Especial


avalie fechar
Aumenta o Bolsa Família em 8%, acima da inflação.
Um programa eleitoreiro, que estimula aos que se conformam em viver na miséria, sim porque, os que se sujeitam receber essa esmola por tempo indeterminado, por absoluto conformismo, jamais será alguém na vida.
Essa esmola eleitoreira é um péssimo exemplo ao país, é um incentivo ao trabalho sem carteira assinada, e tudo as custas do dinheiro suado de quem trabalha.
O PT que sempre defendeu a divisão de rendas, faz com que o país assista o crecismento de novos milionários neste país, são poucos com muito, vivendo da especulação, em detrimento de muitos que trabalham e que pagam as contas.
Assistimos micro-empresários lutando arduamente para manter as portas abertas, quase pagando para trabalhar, com margem reduzida de lucro, em consequência da carga tributária escabrosa, intolerável.
Por outro lado, quem nunca contribuiu com um único centavo sequer, é privilegiado com o assistencialismo eleitoreiro do bolsa familia, ou com aposentadorias dos companheiros invasores do MST.
A regulamentação da tributação sobre riquezas prevista na constituição está como sempre esteve: Aguardando!
Só quero ver o que o PT dirá em suas propagandas políticas para as próximas eleições, qual será a desculpa oferecida, pois para àqueles que tanto ajudam no crescimento deste país, trabalhando arduamente, não mais acreditam em nenhuma desculpa sequer desse partido de ideologias baratas.
avalie fechar
Quanta decepção, quem poderia imaginar que o PT hoje pudesse tolerar todos os desmandos com o dinheiro do povo.
Nossas instituições democráticas estão totalmente abaladas.
avalie fechar