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Brasil
30/04/2008 - 20h57

Tarso Genro diz que restringir filmagens no Congresso pode proteger criminosos

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WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para Folha Online

O ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou nesta quarta-feira que criminosos podem tramar dentro do Congresso se as filmagens e as investigações da Polícia Federal no local forem restringidas. Ele defendeu a ação da PF no interior do Congresso e afirmou que o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, não está sendo investigado.

De acordo com reportagem de "O Estado de S. Paulo", policiais federais filmaram João Pedro de Moura, ex-assessor de Paulinho, em um dos corredores da Casa Legislativa. Preso pela PF na Operação Santa Tereza, ele é acusado de comandar um grupo que prometia facilidades para liberar projetos no Ministério das Cidades em troca de propina.

Tarso disse que a proibição de filmagens nas dependências das casas legislativas pode prejudicar as investigações da polícia e incentivar a ação de criminosos dentro do Parlamento. "Pode ocorrer um certo problema, por exemplo, de as pessoas que são suspeitas de fazer contratos ilegais acabem protegidas por essa impossibilidade de fiscalização da polícia", disse depois da posse do novo superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Leandro Daiello Coimbra, na sede da PF na capital paulista.

Ele afirmou, no entanto, que a permissão para filmar no Congresso cabe agora ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que encaminhou ofício a Tarso com pedido de explicações. "No momento em que o presidente da Câmara determinar que aquele ambiente não pode receber filmagens, não será mais feito. Até agora não há essa proibição formal."

Tarso disse que não acredita nessa proibição. "Acredito que isso não vai ocorrer. Proibir filmagens em lugar público certamente não é uma boa recomendação."

O ministro defendeu a ação da PF que, segundo ele, não seguia Paulinho quando fez as filmagens. "A policia não filmou o Paulinho, ela filmou um cidadão que estava sendo seguido e que já tinha estado em outros lugares e o fez num lugar público, sem adentrar o plenário", disse.

O diretor-geral da Polícia Federal, Luís Fernando Corrêa, disse que não houve irregularidade na ação da polícia. "A polícia entrou numa área pública, sem invadir a privacidade de gabinete. Em nosso entendimento, não houve ilegalidade nesse ato".

Ele reafirmou que nem Paulinho nem qualquer parlamentar vem sendo investigado pela operação Santa Tereza. "A polícia só investiga parlamentar com autorização do Supremo [Tribunal Federal]. Nenhum parlamentar foi investigado nesse caso", disse.

 

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