Brasil
01/05/2008 - 17h07

Chinaglia discorda de Tarso sobre uso da Câmara para filmagens da PF

DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), discordou do ministro Tarso Genro (Justiça) sobre a polêmica gerada pelas gravações feitas pela Polícia Federal dentro da Casa. A PF realizou filmagens na Câmara no âmbito da Operação Santa Tereza, que investiga um suposto esquema de desvio de parte dos empréstimos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Chinaglia cobrou explicações de Tarso sobre as filmagens, já a PF entrou na Câmara sem se identificar. "Eu respeito o ministro [Tarso], mas não concordo com esse tipo de comparação. Se depender de mim, a Polícia Federal tem de cumprir o seu dever e comunicar antes. Isso já aconteceu e é tradição do Poder. Ninguém está ali para acobertar. Nós não sabemos o que eventualmente ocorre, mas lá há uma polícia", disse Chinaglia hoje, em evento evento do Dia do Trabalho, realizado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) na zona sul de São Paulo.

Tarso afirmou ontem que proibir a atuação da PF dentro da Câmara poderia transformar os corredores da Casa em locais preferidos para os envolvidos em atividades ilícitas. "Se for dito que a Polícia Federal não pode filmar [dentro da Câmara], não filmará. Mas aí pode ocorrer um certo problema como, por exemplo, as pessoas que são suspeitas escolherem os corredores da Câmara para fazer contatos ilegais. Elas estariam protegidas por essa impossibilidade de investigação da polícia", afirmou ontem.

Para Chinaglia, a declaração de Tarso foi feita considerando apenas o ponto de vista teórico, e não o de independência entre Poderes. "O ministro Tarso é um democrata e ele está fazendo uma consideração do ponto de vista teórico do espaço público, mas tem conseqüência do ponto de vista do Poder. Mas ele deixou abertura para que uma vez decidido [a restrição de filmagens] e uma vez informado, ele acatará", disse Chinaglia.

Chinaglia afirmou ainda que respeita outros Poderes e o direito de uso da Câmara. "Quero ressaltar, primeiro, o direito do povo usar as dependências da Câmara para defender seus interesses e seus valores. Segundo, que as investigações devem ser feitas, e terceiro, que devemos respeitar os Poderes", disse.

O presidente da Câmara destacou que a Casa sempre colaborou com as investigações, mas defendeu que o ambiente público seja preservado.

"Nós queremos ali na Câmara que o ambiente público seja preservado. Se alguém do povo quiser procurar um parlamentar para reivindicar, para fazer uma denúncia, se ele se sentir vigiado, policiado por câmeras, ele pode não se sentir à vontade. Essa é nossa tese. E sobre a questão de que onde não puder ser filmado, pode haver conversas ilícitas, nós podemos estender isso para qualquer espaço". afirmou.

Comentários dos leitores
Ricardo Câmara (39) 01/09/2008 19h36
Ricardo Câmara (39) 01/09/2008 19h36
Pecar e perdoar é uma atitude recíproca entre nós, pobres e mortais seres humanos. Afinal, ensina o Criador que quando se erra, deve-se relevar para redimir os pecados d'alma para se ter o repouso na eternidade e para isso, ou melhor, para a garantia dessa morada infinita, o pecador não torne a permanecer no erro pelo qual foi perdoado. Houve desvio de verba da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro na qual oito dos suspeitos foram beneficiado por mais um desses "famosos" habeas corpus (STF), o que não caracteriza PERDÃO, as investigações prosseguem e há de se apontar os verdadeiros culpados que devolvam ao erário o que lhe é de direito, para assim, se proceder a exegese bíblica desse indulto, onde a Operação Pecado Capital deflagrada pela Delegacia Fazendária do Rio de Janeiro, está atenta para novas investigações dos infiéis dos cofres públicos. sem opinião
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Alcides Emanuelli (292) 24/08/2008 16h06
Alcides Emanuelli (292) 24/08/2008 16h06
Tema:'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ
'PÁTRIA MADRASTA VIL'
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições. Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil. A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro PACote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição! É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem! A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso? Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil. Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona? Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos... Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?
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Antonio Fouto Dias (1614) 19/08/2008 19h00
Antonio Fouto Dias (1614) 19/08/2008 19h00
Entre as atribuições regimentais dos Senadores, está a apuração política de supostas irregularidades, equívocos ou ilícitos supostamente cometidos pelos mesmos.
O que o Senador Garibaldi está fazendo em relação a Efraim Morais, nada mais é do que a prática cotidiana de protecionismo entre os parlamentares, onde demonstra haver um acordo mútuo de que não se apure nada e quando houver apuração, o resultado já é conhecido, pois temos um claro e recente exemplo do Senador Renam Calheiros, onde o Conselho de Ética, por duas vezes emitiu parecer de que houve quebra de decoro parlamentar, no entanto o plenário o absolveu.
Pelo visto, este pode ser um dos motivos de que o Senador Garibaldi não quer que se apure nada; apesar de que, em assim agindo, não está seguindo as normas da casa.
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