Executiva do PDT se reúne para decidir se pune ou se apóia Paulinho da Força
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Executiva Nacional do PDT discute nesta terça-feira alternativas para futuro político do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, acusado de envolvimento em esquema de irregularidades no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O partido não descarta aplicar punições ao parlamentar, que variam desde a licença temporária da legenda até a perda do mandato --embora lideranças do PDT também reconheçam que ele pode, ao contrário, receber o apoio dos pedetistas com a aplicação somente de repreensão verbal.
A bancada do PDT na Câmara também vai se reunir na manhã desta terça-feira para analisar o caso. À noite, será a vez da Executiva Nacional do partido bater o martelo sobre o futuro político de Paulinho. Inicialmente, os pedetistas já definiram que vão solicitar cópias do inquérito da Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, na qual o deputado é citado por envolvimento nas irregularidades.
O comando do PDT está incomodado com a falta de informações oficiais sobre as investigações que envolvem o nome do parlamentar com o esquema de exploração sexual de mulheres no Brasil e no exterior, além das fraudes no BNDES.
Nos últimos dias, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) e ex-presidente do PDT saiu em defesa de Paulinho. Segundo Lupi, as denúncias sem comprovações repetem situações próximas à ditadura militar e ao tribunal de inquisições. Já o senador Jefferson Peres (PDT-AM) defendeu que Paulinho preste esclarecimentos ao partido.
A Executiva do PDT espera explicações contundentes do deputado para evitar danos à imagem do partido em ano de eleições municipais. Os pedetistas temem que as denúncias também prejudiquem a formação de chapas com partidos da base aliada do governo nas disputas municipais.
Histórico
Em 2006, o PDT se viu obrigado a analisar um caso semelhante ao de Paulinho da Força. Como punição ao deputado João Hermann (PDT-SP), na época, o comando da legenda determinou a suspensão temporária de sua filiação partidária.
O PDT tomou a decisão por causa de denúncias que envolviam Hermann com suposto esquema irregular de pagamentos oriundos de uma empresa de aviação comercial.
Investigações da então CPI dos Correios levantaram suspeitas contra Hermann, depois de surgirem indicações de 25 pagamentos mensais oriundos da empresa Beta (Brazilian Express Transportes Aéreos), ao longo de dois anos, para uma conta bancária do deputado. No total, teriam sido repassados R$ 79 mil para o parlamentar.
Hermann se defendeu das acusações e, na época, entregou suas explicações pessoalmente para o então presidente do PDT, Carlos Lupi.
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