Brasil
05/05/2008 - 19h38

Vanucchi critica Judiciário por suspender operação em reserva indígena

LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio

O ministro Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) criticou nesta segunda-feira a decisão do STF (Superior Tribunal Federal) de determinar a paralisação da retirada de não-índios na reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, no início de abril. Em palestra no Rio, Vanucchi afirmou que o Poder Judiciário é "defasado" em relação ao Executivo e ao Legislativo brasileiro.

"O Judiciário é hoje o Poder republicano mais defasado do país. Não concordo com a interrupção da ocupação da Raposa/Serra do Sol, com a interrupção das discussões sobre pesquisas com células-tronco [adiada em março por causa de um pedido de vistas do ministro do STF Carlos Alberto Direito]", declarou o ministro, em palestra na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), no centro do Rio, para comemorar os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, os 20 anos da Constituição de 1988 e o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa.

Vanucchi afirmou ainda que o Brasil não cumpre a Declaração dos Direitos Humanos e está em dívida com a questão. "O Brasil e nenhum país no mundo cumpre inteiramente a declaração. Nossas vulnerabilidades são visíveis, mas reconhecemos isso", declarou.

Para o diretor do centro de informações da ONU (Organização das Nações Unidas) no Brasil, Giancarlo Summa, o Brasil está caminhando para melhorar a aplicação dos direitos humanos no país. "O Brasil está fazendo muito pelos direitos humanos, mas muitos pontos ainda não são respeitados", disse Summa, que citou operações policiais em favelas cariocas como um exemplo de desrespeito à Declaração dos Direitos Humanos.

Comentários dos leitores
solange vieira (3) 06/09/2008 15h23
solange vieira (3) 06/09/2008 15h23
Por tudo que tenho lido e pior visto,nada me desaponta mais poque era esperado que com esse governo tudo isso, e ainda coisas piores aindam possam acontecer.Nunca ninguem sabe nada! não sou contra os indios de maneira nenhuma são nossos irmãos,mas as coisas tem limite e tamanho tudo esta fugindo ao controle de todos e nosso exercito que toma conta do povo brasileiro tem que conter tantas loucuras e descontroles em relação a essas demarcaçoes indigenas .E com imensa tristeza que leio alguns comentarios ai nessa coluna.Gente acorda! o problema dos indios ,os sem terra e os sem tetos tudo tem que ser olhado de uma forma relativa.Quem não tem terra de certo tem casa e não quer ser invadido tudo e propriedade privada .Não podemos olhar de maneira egoista so por não temos terra ,acharmos que os indios que eram nativos do brasil tem esse dirieto e invadir propriedades privadas ,regularizadas,impostos pagos . So um cego não ve as coisas erradas,que estão acontecendo.Gente Mato Grosso Do Sul pede socorro ,e um estado altamente produtivo,e não pode virar estado indigena.A cidade de Dourados juntamente com todo o comercio que tambem deu o maior apoio fez uma passeata em solidariedade a os fazendeiros e produtores rurais contra essa louca demarcação. So posso dizer uma coisa rezem e rezem . sem opinião
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pri pri (2) 01/09/2008 21h36
pri pri (2) 01/09/2008 21h36
Demarcação de terras indígenas
A questão da demarcação de terras indígenas remonta um velho problema desde os tempos coloniais: qual a parte que lhe cabe neste latifúndio como a música de Chico Buarque, afinal qual a parte que é de direito de um povo que teve sua terra saqueada e ocupada por invasores que detinham o uso da força e também as formas primitivas dum capitalismo nem tão desenvolvido? Não demarcar as terras indígenas é negar a existência dos nativos do país, de seres humanos que a sociedade capitalista não julga de acordo com suas formas e costumes, é abrir caminhos para os grandes latifundiários aumentarem suas propriedades como acontece desde o tempo das sesmarias. Enfim, é negar que esses milhões de pessoas são parte da sociedade brasileira e merecem ser respeitados em sua individualidade e direitos. A não demarcação dessas terras mostra que o Brasil ainda é "fatiado" entre grandes latifúndios, que usam de capangas e outras brechas da legalidade para justificar seu capitalismo selvagem.
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Adei Louzada de Moura (22) 31/08/2008 22h26
Adei Louzada de Moura (22) 31/08/2008 22h26
No que tange à região Raposa Serra do Sol, em Roraima, espero que prevaleça o bom senso e a responsabilidade para com o futuro do Brasil. Tal ocorrerá se os brasileiros de outras raças que não a outrora chamada "raça vermelha" possam continuar vivendo e trabalhando lá, tanto os que plantam arroz, quanto os que se dedicam a outras atividades. A mim me parece uma mistificação esse insistente dizer que aqueles indígenas serão prejudicados em sendo estabelecidas, por exemplo, cinco reservas ou territórios para as cinco diferentes tribos, o que é lógico e razoável. Como, ao contrário, demarcaram e querem impor a enorme área contínua de 1.700.000 hectares, fica muito difícil os brasileiros que nos preocupamos com nosso destino deixarmos de imaginar que governos, empresas e pessoas norte-americanas e européias, pretensos tutores do planeta, não estejam subjugando os poderes da república brasileira, seja através de admoestações, de promessas ou até de ameaças, as quais, em ocorrendo, estariam sendo mantidas como segredos de Estado, quando, pela boa ética, deveriam ser informadas com transparência para toda a sociedade. Como não pensar assim, se deixar os "brancos" lá, conforme já se leu, significa diminuir os territórios para indígenas em um percentual ínfimo de apenas 5% (cinco por cento), ou seja, diminuir somente 85.000 ha., pelo que as cinco reservas, ainda assim, somariam a enorme área de 1.615.000 há.? Terra de sobre para caçar e pescar. 12 opiniões
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