Brasil
05/05/2008 - 22h26

Mello lamenta conflito em Raposa/Serra do Sol e cobra definição do STF sobre demarcação

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio Mello, lamentou nesta segunda-feira o conflito entre seguranças em Pacaraima (RR) e indígenas na reserva Raposa/Serra do Sol. À espera do julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a delimitação da área, Mello deu a entender que a demarcação de forma contínua em favor dos indígenas na região pode ter sido exagerada.

"Todo o Brasil foi ocupado pelos indígenas até os portugueses aqui aportarem. A ocupação pretérita não pode ser potencializada. Mas temos de aguardar um pouco. Se exacerbarmos a ocupação pretérita, nós vamos ter de entregar aos indígenas a minha cidade maravilhosa do Rio de Janeiro", afirmou Mello, após despedir-se do cargo de presidente do TSE.

Mello disse não ter uma opinião formada sobre a polêmica delimitação na reserva Raposa/Serra do Sol. Para ele, o ideal é que o ministro-relator das ações que envolvem o assunto no STF, Carlos Ayres Britto, oriente por uma inspeção na região para coletar mais informações, antes de levar o tema a plenário e julgamento.

Ao ser questionado sobre o conflito ocorrido hoje, no qual dez índios da reserva Raposa/Serra do Sol foram feridos, sendo que um deles ficou em estado grave --com ferimentos na cabeça, no ouvido e nas costas--, Mello se disse preocupado com o episódio.

"[Recebi essa notícia] um pouco preocupado porque todo conflito gera preocupação, consideradas as conseqüências. Tomo conhecimento da notícia agora. Lastimável evento, mas que se busque a paz social, que se busque o entendimento e a compreensão do próprio contexto. E, que venha o mais cedo o possível uma definição do Supremo Tribunal Federal definindo a questão", afirmou Mello.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o CIR (Conselho Indígena de Roraima) informa que os índios construíam barracos no local quando foram abordados pelos atiradores do prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero (DEM), chamados pela entidade de "jagunços'"

O confronto ocorreu dentro da reserva indígena Raposa/Serra do Sol. A área é alvo de disputa entre índios e agricultores que cultivam arroz na região. A Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança chegaram a ser enviadas para a região para uma operação de retirada de não-indígenas da reserva. Mas a operação foi suspensa por decisão do STF.

O tema gera polêmicas entre autoridades do governo e políticos. O ministro Tarso Genro (Justiça) chegou a criticar a decisão do STF de suspender a ação policial na reserva.

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
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HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
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Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
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