Brasil
06/05/2008 - 09h16

Relator de CPI dos Cartões quer quebra de sigilo para ex-presidente

ANDREZA MATAIS
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O relator da CPI dos Cartões, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), incluirá em seu parecer que os gastos de ex-presidentes da República deixem de ser sigilosos quatro anos após o término do mandato. A idéia é reforçar a tese que vem sendo defendida pelo governo de que o dossiê com dados do governo Fernando Henrique Cardoso, elaborado pela Casa Civil, não continha informações reservadas porque se referem ao primeiro mandato do tucano.

Com maioria governista, a versão de que não foi crime compilar as informações deve ser aprovada sem dificuldades pela CPI. O propósito dos aliados é preservar a ministra Dilma Roussef (Casa Civil). A ministra deverá depor amanhã na Comissão de Infra-Estrutura do Senado quando será questionada sobre o assunto.

A Folha revelou que foi Erenice Guerra, braço direito de Dilma, quem deu a ordem para organizar o dossiê. A Polícia Federal apura o caso.

O relator da CPI disse que irá procurar nesta semana o general Jorge Félix, do GSI (Gabinete da Segurança Institucional), e o ministro Jorge Hage (Controladoria Geral da União) para discutir a abertura dos gastos sigilosos, mas que já está convencido de que depois de um certo período não há mais necessidade de proteger as informações. "Estou convicto, vou botar no relatório goste o general ou não", disse.

Ele irá propor um projeto de lei tornando os dados públicos depois de quatro anos do encerramento do mandato. O deputado nega que tenha mudado de opinião seguindo o discurso palaciano. Até então, os governistas defendiam o sigilo dos gastos da Presidência da República. "Formei opinião de que alguns dados podem ser liberados. Fui 3 a 4 vezes no Planalto, mas nunca conversei sobre isso com o José Múcio (ministro das Relações Institucionais). Tenho total autonomia", disse.

Ele explicou que o prazo de quatro anos foi pensado porque permitiria acesso aos dados dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique. Os gastos do primeiro mandato presidente Lula, por essa lógica, seriam abertos apenas em 2011; os do segundo mandato, em 2015.

Críticas

A oposição criticou. "Isso é para livrar a ministra da investigação da PF, para dizer que não houve crime. É um jogo combinado", criticou o deputado Vic Pires (DEM-PA).

Há duas semanas sem se reunir, a CPI só deve retomar os trabalhos no dia 20 de maio para conhecer o trabalho dos sub-relatores e, depois, no dia 27 para discutir o relatório final.

A comissão aprovou requerimento convocando o reitor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Ulysses Fagundes Neto, mas para o relator não há necessidade de ouvi-lo.

Colaborou ADRIANO CEOLIN

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (236) 19/08/2008 19h45
Alcides Emanuelli (236) 19/08/2008 19h45
O TCU esta fazendo sua parte em fiscalizar os gastos dos funcionários da União ou os gastos sobre as obras que a União faz, mas será que as pessoas que estão lesando o dinheiro da União devolvem esses valores usados indevidamentes sem prestarem contas e usarem sem responsabilidades.
Agora o TCU tem uma meta maior e poderia pedir ajuda para a policia federal é ver todos so custos com atletas e estruturas para nossa delegação que foi para China.
Vamos ser corretos e fazer uma analisa do Balanço desses instituições, aquelas que usarão o dinheiro da União, que nada mais é do que o dinheiro do povo brasileiro.
É bom ver atletas nos representando e eles tem que serrem remunerados por seus trabalhos, como todos que estiveram ligados e fizeram acontecer essas representações, mas não podemos aceitas gastos acima do programado do valor real.
O que aconteceu com o Pan que se programos um custo de 2 bilhões e se gastou 4 bilhões é um absurdo, uma falta de responsabilidade, agora vamos ter responsabilidades e seriedade e fiscalizar esses gastos.
sem opinião
avalie fechar
Luís da Velosa (38) 19/08/2008 15h00
Luís da Velosa (38) 19/08/2008 15h00
É isso que se diz. Se os seviços abertos estão gastando fábulas, nada demais que o serviço secreto gaste colossos!... É necessário, e não peçam especificações. Estão a serviço, no serviço. Aliás, no Brasil é engraçado. Em todo o mundo, um agente secereto se esconde, a ponto de somente - às vezes - se descobrir o que fazia, 40 anos depois, como foi o caso daquele americano... Até eu, vejam, sei ficar calado. Mas, aqui não. Outro dia fui à praia com minha família, e, de repente, chegou ao meu lado um amigo de infância. Conversa vai, conversa vem, ele perguntou-me: você também é do serviço? Não, respondi secamente, mas educadamente, como sempre o faço. Ele ai, me disse: mas eu vi você no almoço, na Base Naval, no dia de ... E disse, o que aqui não vou dizer. Mas, que nada, eu fui mesmo para o tal almoço, aliás, diga-se, uma maravilha. Então a coisa ficou como "fogo de mussurunga"(olhe aí, um bom nome para uma operação secreta), se vê a fumaça, mas não se vê o fogo. Fala Brasil! Meu Brasil, brasileiro... Hoje eu estou bem-humorado. Não?! Pensando bem, eu gostaria de fazer parte do Serviço de Inteligência. Sem brincadeiras, é muito interessante e eu não posso falar! Ciao! sem opinião
avalie fechar
Luiz Antonio França (79) 19/08/2008 13h08
Luiz Antonio França (79) 19/08/2008 13h08
ABIN - Agencia Brasileira de Inteligência ? isso é uma piada, gostaria de saber quem está dentro comandando tudo isso.
Não consegue nem controlar os gastos dos seus previlegiados, mais cabide de emprêgo.
Até onde isso vai parar ?
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (10211)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca