Julgamento de acusados da morte de Dorothy Stang deve acabar hoje
da Agência Folha
O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e Rayfran das Neves Sales, acusados respectivamente de serem o mandante e o pistoleiro do assassinato da missionária Dorothy Stang, voltaram ao Tribunal do Júri ontem, em Belém, onde estão sendo novamente julgados pelas acusações.
Como foram condenados a mais de 20 anos de prisão em um primeiro julgamento, os dois obtiveram o direito a um novo júri popular. A previsão é que o julgamento dos dois termine hoje. O juiz presidente do processo Raimundo Moisés Alves Flexa reiniciou o julgamento às 8h13 de hoje.
Vitalmiro foi condenado a 30 anos de prisão, em 14 de maio de 2007. Rayfran, a 27 anos de prisão, em dezembro de 2005. Os dois estão presos.
Em outubro do ano passado, Rayfran teve a sentença confirmada em um segundo julgamento, mas sua defesa conseguiu anulá-lo, alegando falhas técnicas.
Dorothy, americana naturalizada brasileira, foi morta com seis tiros em fevereiro de 2005, em Anapu (PA), quando se dirigia a uma reunião com agricultores.
Rayfran repetiu ontem as declarações feitas em seu segundo julgamento. Disse que matou a freira após ter discutido com ela e negou que tenha sido contratado por fazendeiros para assassiná-la.
Ao responder às perguntas do juiz, Vitalmiro negou que tivesse mandado matar a missionária e disse que conhecia Rayfran apenas "de vista".
Segundo a acusação do Ministério Público, o fazendeiro contratou pistoleiros para matar a freira motivado pelo disputa de um lote de terra com agricultores sem-terra.
Outras duas pessoas já foram condenados pela morte de Dorothy. O agricultor Amair Feijoli da Cunha, o Tato, acusado de ter contratado os pistoleiros, foi condenado a 18 anos de prisão, após ter a pena reduzida por colaborar com as investigações. Clodoaldo Batista, que estava com Rayfran na hora do crime, foi condenado a 17 anos por co-autoria.
O pecuarista Regivaldo Pereira Galvão, acusado de ser o mandante do crime juntamente com Vitalmiro, foi pronunciado, mas recorreu e aguarda a decisão em liberdade. Ele nega a participação na morte.
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