Brasil
06/05/2008 - 14h27

Tensão em reserva de Roraima cresce e Tarso vai até a região

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da Folha Online

A tensão entre indígenas e arrozeiros na reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, aumentou desde o confronto de ontem, na fazenda do prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero (DEM). Dez índios ficarma feridos no confronto, segundo o CIR (Conselho Indígena de Roraima).

Para discutir a situação da região, o ministro Tarso Genro (Justiça) vai se deslocar hoje para Roraima para acompanhar os desdobramentos do conflito na terra indígena Raposa/Serra do Sol. "Orientamos que a Polícia Federal aja com a mesma cautela que agiu quando ocorreu a resistência paramilitar dos fazendeiros. São resistências absolutamente inaceitáveis."

A reserva Raposa/Serra do Sol é alvo de disputa entre índios e agricultores que cultivam arroz na área. O envio de homens da PF e da FNS (Força Nacional de Segurança) tem por finalidade cumprir em sua totalidade o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, que homologou como terra indígena contínua a Raposa/Serra do Sol.

A PF chegou a enviar homens para deflagrar uma operação de retirada dos arrozeiros da reserva. Mas a operação foi suspensa por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

Para discutir a situação da região, índio macuxi Dionito Souza, coordenador do CIR, está hoje em Brasília para se reunir com ministros do Supremo. Ele disse hoje que é preciso aumentar a segurança na reserva. "Lá só tem bandido, pistoleiro. Se não aumentar a segurança, vai haver mais feridos", afirmou ele por telefone.

O governador de Roraima, José Anchieta Júnior (PMDB), també está em Brasília. Ele disse ontem que "há algo estranho por trás da invasão" da fazenda localizada na reserva indígena Raposa-Serra do Sol.

Confronto

O CIR (Conselho Indígena de Roraima) divulgou nota nesta segunda-feira informando que dez índios da reserva indígena Raposa/Serra do Sol (Roraima) ficaram feridos em confronto com seguranças do prefeito da cidade de Pacaraima, Paulo César Quartiero (DEM). Um dos feridos está em estado grave --com ferimentos na cabeça, ouvido e nas costas.

Segundo a entidade, os índios construíam barracos no local quando foram abordados pelos atiradores de Quartiero, chamados pelo CIR de"jagunços". "As comunidades indígenas estavam construindo suas casas em sua terra, quando uma caminhonete e cinco motoqueiros chegaram atirando por todos os lados no sentido de impedir que os indígenas construíssem suas malocas", diz nota divulgada pelo conselho.

Procurado pela reportagem, Quartiero afirmou que seus funcionários apenas se defenderam. "Eles pediram para que os índios se retirassem, mas foram atacados com flechas e se defenderam", disse o prefeito.

O prefeito disse que os moradores da região estão aguardando pacificamente decisão do STF sobre a demarcação da reserva indígena e a retirada dos não-índios da área. "Mas o episódio de hoje mostra que a ordem não está mantida", afirmou.

Com Agência Folha e Folha de S.Paulo

Comentários dos leitores
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h31
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h31
Como a entidade SODIUR, "reivindicava que os não índios, como os rizicultores, permanecessem na área" da RSS, postura que lhe confere a condição de mais brasileira e responsável do que as autoridades de Brasília; esperamos que agora, por ocasião da reunião mencionada, seus integrantes tenham uma participação ativa, não se deixando serem expulsos pela ONG "CIR" e propondo que, através de convênios, possam retornar à RSS, tanto os operosos rizicultores quanto quaisquer brasileiros de outras profissões que lá antes habitavam. Que trabalhem para viabilizar juridicamente esse retorno, de modo que, com sua presença, atrapalhem e impeçam a retirada sem controle de elementos da biodiversidade e dos minerais (nióbio, etc.). Esta retirada sem controle, e a futura formal separação do Brasil, no meu ver e sentir, é a razão última da feição atual do Art. 231 da CF/88, em função do qual a FUNAI esta a demarcar áreas enormes como "terras indígenas", designação que não deveria ser aceita pelos brasileiros, por se contrapor ao conceito de terra brasileira. Imagino que existam pessoas das cinco etnias que se sintam brasileiros e que se neguem a serem instrumentos dóceis de ONGs internacionalistas; que sintam motivação pelo retorno dos outros brasileiros injustamente expulsos. Se tal ocorrer, surgirão empregos, geração de renda e receita tributária, reintegrando ao Brasil a RSS. sem opinião
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Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h18
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h18
Foi um desfecho lamentável esse que culminou na atribuição do território continuo de 1,7 milhão de ha. na área chamada Raposa / Serra do Sol (RSS). Esta região, de fato e a despeito de nossa superestrutura jurídica, deixou de ser Brasil, visto que vedada aos brasileiros em geral, onde lhes é negado o direito de ir e vir. Assim como já não era mais Brasil a reserva situada mais a oeste da RSS, algumas vezes maior que esta, a chamada Ianomâmi, designação espertamente empregada para designar todas as etnias que lá habitam, certamente em grupos esparsos e muito distantes uns dos outros; realidade que deixa liberada a exploração da biodiversidade e minerais (nióbio, etc.) pelos países desenvolvidos do hemisfério norte, sem que brasileiros atrapalhem. sem opinião
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Armando Malato (164) 26/06/2009 15h52
Armando Malato (164) 26/06/2009 15h52
Se as etnias indigenas estão se reunindo somente agora, para decidir o que fazer da área conquistada, chamada Rapõsa Serra do Sol, éporque de antemão, não tinham nenhum projeto visando a utilização deste território que vinha sendo ocupando em altas benfeitorias, por produtores de arroz e pecuaristas. Ninguem me convence que os silvicolas irão ter a mesma estrutura e tecnologia para aproveitar estas terras com a mesma desenvotura que vinha sendo feita pelos não indios. Agora começam a aparecer os impasses quanto a utilização da terra, por falta de entendimento entre eles mesmos. Tomara que daqui há alguns anos, esta região não vire morada, somente dominio de animais silvestres e terras incultas, para tristeza dos brasileiros e prejuizo de nossa produção. 2 opiniões
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