Tensão em reserva de Roraima cresce e Tarso vai até a região
da Folha Online
A tensão entre indígenas e arrozeiros na reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, aumentou desde o confronto de ontem, na fazenda do prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero (DEM). Dez índios ficarma feridos no confronto, segundo o CIR (Conselho Indígena de Roraima).
Para discutir a situação da região, o ministro Tarso Genro (Justiça) vai se deslocar hoje para Roraima para acompanhar os desdobramentos do conflito na terra indígena Raposa/Serra do Sol. "Orientamos que a Polícia Federal aja com a mesma cautela que agiu quando ocorreu a resistência paramilitar dos fazendeiros. São resistências absolutamente inaceitáveis."
A reserva Raposa/Serra do Sol é alvo de disputa entre índios e agricultores que cultivam arroz na área. O envio de homens da PF e da FNS (Força Nacional de Segurança) tem por finalidade cumprir em sua totalidade o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, que homologou como terra indígena contínua a Raposa/Serra do Sol.
A PF chegou a enviar homens para deflagrar uma operação de retirada dos arrozeiros da reserva. Mas a operação foi suspensa por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).
Para discutir a situação da região, índio macuxi Dionito Souza, coordenador do CIR, está hoje em Brasília para se reunir com ministros do Supremo. Ele disse hoje que é preciso aumentar a segurança na reserva. "Lá só tem bandido, pistoleiro. Se não aumentar a segurança, vai haver mais feridos", afirmou ele por telefone.
O governador de Roraima, José Anchieta Júnior (PMDB), també está em Brasília. Ele disse ontem que "há algo estranho por trás da invasão" da fazenda localizada na reserva indígena Raposa-Serra do Sol.
Confronto
O CIR (Conselho Indígena de Roraima) divulgou nota nesta segunda-feira informando que dez índios da reserva indígena Raposa/Serra do Sol (Roraima) ficaram feridos em confronto com seguranças do prefeito da cidade de Pacaraima, Paulo César Quartiero (DEM). Um dos feridos está em estado grave --com ferimentos na cabeça, ouvido e nas costas.
Segundo a entidade, os índios construíam barracos no local quando foram abordados pelos atiradores de Quartiero, chamados pelo CIR de"jagunços". "As comunidades indígenas estavam construindo suas casas em sua terra, quando uma caminhonete e cinco motoqueiros chegaram atirando por todos os lados no sentido de impedir que os indígenas construíssem suas malocas", diz nota divulgada pelo conselho.
Procurado pela reportagem, Quartiero afirmou que seus funcionários apenas se defenderam. "Eles pediram para que os índios se retirassem, mas foram atacados com flechas e se defenderam", disse o prefeito.
O prefeito disse que os moradores da região estão aguardando pacificamente decisão do STF sobre a demarcação da reserva indígena e a retirada dos não-índios da área. "Mas o episódio de hoje mostra que a ordem não está mantida", afirmou.
Com Agência Folha e Folha de S.Paulo
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