Brasil
06/05/2008 - 15h43

Governador de Roraima chama política indigenista do governo de "equivocada"

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), chamou de "ações insanas e incoerentes" os responsáveis pelo confronto na reserva indígena Raposa/Serra do Sol (RR) --ocorrido ontem. Inconformado com a política indígena do governo federal, Anchieta criticou, em entrevista à Folha Online, o governo e acusou as autoridades federais de colocarem em risco a soberania nacional.

"Claro que há risco à soberania nacional. O que eu percebo no governo federal é uma política equivocada que não leva em conta os anseios dos Estados que vivem problemas semelhantes ao nosso em Roraima", disse Anchieta.

Anchieta disse ter reservado o dia de hoje na sua exclusivamente para tratar da polêmica região e dos desdobramentos do conflito. "Aquilo [o confronto] foi um absurdo sem igual. Eu lamentei muito. São ações insanas e incoerentes provocadas por pessoas que não têm o menor compromisso com o Estado de Roraima", disse Anchieta, que passou parte desta terça-feira no Congresso conversando com a bancada de Roraima.

O governador vai se reunir ainda hoje com o advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffoli. Anchieta se disse preocupado com a insistência do governo federal em manter a atual linha de política indigenista. No caso de Raposa/Serra do Sol, determina a delimitação de forma contínua das terras.

Pela manhã, o governador se reuniu com Carlos Ayres Britto, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Ayres Britto é o relator de dezenas de ações sobre a delimitação de terras na reserva Raposa/Serra do Sol. Por enquanto, a Corte aguarda o voto do relator sobre o tema para colocar o assunto em pauta.

"O ministro foi muito gentil ao meu receber. Eu pedi para ele, em nome do governo, que seja o mais célere o possível para encaminhar o voto e colocar o assunto em pauta para julgamento no Supremo Tribunal Federal", disse o governador.

Irônico, Anchieta disse que "foi informado" pelo ministro Tarso Genro (Justiça) que hoje pela manhã ele iria à reserva indígena para vistoriar a área de confronto. "O secretário-executivo do Ministério da Justiça [Luiz Paulo Barreto] me telefonou", contou ele.

O governador disse que não enviou policiais nem forças de contenção para a área de conflito porque é uma região federal e que deve ser supervisionada sob orientação do governo federal. Ele afirmou que retorna entre hoje e amanhã para Boa Vista (RR).

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
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HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
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Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
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