Brasil
06/05/2008 - 23h31

Arrozeiro e dez funcionários são presos na reserva Raposa/Serra do Sol

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ANDREZZA TRAJANO
colaboração para a Agência Folha, em Pacaraima

A Polícia Federal prendeu ontem o rizicultor e prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero (DEM), 55, pela suspeita de tentativa de homicídio, formação de quadrilha e posse de artefatos explosivos.

Anteontem, um confronto entre funcionários de Quartiero e índios dentro da fazenda Depósito, que pertence ao arrozeiro, deixou ao menos nove indígenas feridos, sendo oito baleados, de acordo com a PF.

A fazenda fica dentro da terra indígena Raposa/Serra do Sol (nordeste de Roraima), de onde arrozeiros --liderados por Quartiero-- se recusam a sair.

Além de Quartiero, foi preso o filho dele, Renato Quartiero, e dez funcionários da fazenda.
Quartiero foi preso na sede da vila do Surumu. O filho dele e nove funcionários foram presos na própria fazenda. Um outro funcionário foi preso também na vila do Surumu.

As prisões ocorreram durante cumprimento de um mandado de busca e apreensão determinado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na fazenda Depósito. Lá foram encontrados explosivos, artefatos para construção de bombas, escudos e bombas caseiras. Armas de fogo não foram localizadas.

Segundo o coordenador geral da Operação Upatakon 3, Fernando Segóvia, delegado da Polícia Federal, o que foi encontrado na fazenda foi suficiente para "prender toda a quadrilha". Segóvia disse que Quartiero é "o líder da quadrilha".

"A materialidade do crime encontrada é permanente. Não precisava de mandado de prisão para prender o Quartiero", disse o delegado da PF.

Confronto

A prisão de Quartiero revoltou parte da população da vila do Surumu, que entrou em confronto com policiais federais e homens da Força Nacional de Segurança.

Moradores jogaram pedras nos policiais, que reagiram com bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta. O tumulto que demorou mais de uma hora para ser contido deixou três moradores feridos levemente.

Um dos dez funcionários de Quartiero presos ontem, o mecânico Ian Barbosa é suspeito de ter participado no confronto com indígenas anteontem.

Além disso, o líder indígena José Brazão, que apóia o arrozeiro, foi preso, apontado pela PF como autor de agressões contra os policiais.

No final de maio, Quartiero foi preso pela Polícia Federal durante protesto contra a presença de policiais federais na terra indígena. Segundo a PF naquela ocasião, ele desacatou policiais e tentou obstruir o trabalho dos agentes federais na região. Após pagamento de fiança, ele foi solto. Todos os presos foram levados para a Superintendência da Polícia Federal, em Boa Vista.

A reportagem não conseguiu contato com advogados dos presos ontem.

Devido aos conflitos nos últimos dias, 30 homens, entre agentes federais e homens da Força Nacional de Segurança, estão baseados na região do Surumu. Nas próximas horas deve chegar ao Estado mais homens da FNS.

colaborou JOSÉ EDUARDO RONDON, da Agência Folha

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
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HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
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Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
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