Brasil
07/05/2008 - 11h22

Em depoimento no Senado, Dilma se emociona ao falar de tortura sofrida na ditadura

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) emocionou-se nesta quarta-feira durante depoimento à Comissão de Infra-Estrutura do Senado ao rebater afirmações do senador José Agripino Maia (DEM-RN) --retiradas de uma entrevista concedida pela própria ministra-- de que ela "mentiu muito" durante a ditadura militar para escapar de torturas. Com voz embargada, a ministra disse que mentiu naquele período para salvar "companheiros" e ela própria da morte.

"Eu fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na tortura, senador", enfatizou.

Dilma disse que "não há possibilidade de diálogo" quando se tem pela frente o "pau de arara, o choque elétrico e a morte".

Dilma disse que, na década de 70, não esteve no mesmo "momento" de Agripino quando enfrentou a luta armada para combater a ditadura.

A ministra rebateu a comparação do democrata de que a confecção do dossiê pela Casa Civil com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é uma prática similar às adotadas na ditadura.

"O regime que permite que eu fale com os senhores não tem a menor similaridade [com a ditadura]. Nós estamos em igualdade de condições humanas, materiais. Não estamos no diálogo entre o pescoço e a forca, senador. Por isso acredito e respeito esse momento. Isso é algo que é o resgate desse processo que ocorreu no Brasil", afirmou.

No início da sessão, Agripino citou uma entrevista da ministra na qual ela reconhece que mentiu durante a ditadura militar para escapar de torturas físicas.

Agripino disse que a mentira se justificava, na época, uma vez que o país vivia um regime de exceção. Mas comparou a confecção do dossiê com as práticas da ditadura e fez um apelo para que Dilma esclareça os fatos.

"Eu tenho medo de estarmos voltando ao regime de exceção. O Estado policialesco permite o Estado de exceção. O dossiê, na minha opinião e de muitos brasileiro, é o retorno do regime de exceção para encostar algumas pessoas na parede, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dona Ruth Cardoso. Com todo o respeito, eu gostaria que dessa reunião resultasse o esclarecimento definitivo", disse Agripino.

Irritada com os comentários do democrata, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) saiu em defesa de Dilma. "Que não se traga para o depoimento esse tipo de ilação. Até a Igreja permite matar em legítima defesa. É um demérito, uma forma de desqualificar o que vamos fazer aqui e aqueles que perderam sua vida na ditadura", enfatizou.

Dossiê

No início do depoimento, Dilma prometeu abordar todos os assuntos que lhe forem apresentados tanto pelo governo quanto pela oposição.

"Se quiserem me perguntar sobre qualquer outro assunto, inclusive banco de dados [que deu origem ao dossiê], eu falarei", afirmou.

A ministra levou à comissão uma apresentação de slides com uma série de informações sobre o PAC (Programa de Aceleração ao Crescimento), motivo de sua convocação à comissão.

Comentários dos leitores
sidnei g (2) 09/06/2009 15h17
sidnei g (2) 09/06/2009 15h17
Certo...então na manchete é dossiê, mas a reportagem fala de "suposto" dossiê...por essas manchetes é que a imprensa vai destruindo sua credibilidade. sem opinião
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Bolinha da Lulu (240) 14/05/2009 23h24
Bolinha da Lulu (240) 14/05/2009 23h24
Texto no corpo da Folha.
"Segundo o parecer da Procuradoria, "com exceção das imputações feitas nas referidas representações --imputações que não se confirmaram-- não consta dos autos sequer indícios da participação da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ministro da Justiça Tarso Genro e do ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da República, nos fatos noticiados, nenhuma prova de que partiu da primeira a ordem para a elaboração do dossiê ou para a divulgação dos dados, nem da omissão dos demais na apuração dos fatos". "
Tá bom, vou fazer de conta que eu acredito.
1 opinião
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Bolinha da Lulu (240) 28/04/2009 16h02
Bolinha da Lulu (240) 28/04/2009 16h02
Agora vamos ter que aturar o cousuismo de um capacho no TCU. Se antes eles já faziam pouco em verificar as contas e aceitar todas as explicações dadas para explicar o que era inexplicável. Agora com essa nava aquisição nem de explicação irão necessitar.
Só espero que o senado barre essa aquisição do TCU. Se for eleição 50% + 1 ela tá dentro, mas se tiver que ser 2/3 do senado, temos alguma chance para que isso não ocorra.
Prefiro o Múcio, pois não é fiel a ninguém, só a ele mesmo e assim alguma falcatrua sempre sobra e nós ficamos sabendo e podemos pressionar, com a Eunice isso não aocnteceria, apenas o que fosse oposição, o que fosse da casa seria suprimido.
sem opinião
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