Brasil
07/05/2008 - 12h00

OAB envia comissão para acompanhar conflito em reserva indígena de RR

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da Folha Online

O presidente da CDNH (Comissão Nacional de Direitos Humanos) da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Agesandro da Costa Pereira, vai a Roraima acompanhar o conflito entre indígenas e produtores de arroz na reserva Raposa/Serra do Sol. O acompanhamento do caso foi determinado pelo presidente nacional da OAB, Cezar Britto, após o confronto de segunda-feira entre seguranças de uma fazenda e indígenas, que deixou dez feridos --todos indígenas.

Costa Pereira vai estar acompanhado pelo conselheiro federal da OAB Lúcio Flávio Sunakozawa (MS).

Britto disse que o conflito na reserva indígena deverá ser discutido na próxima sessão do Conselho Federal da OAM, marcada para os dias 19 e 20.

"A questão indígena no Brasil merece uma atuação e uma resposta da OAB", afirmou Britto. "A OAB não pode se omitir quanto a um problema que diz respeito à integridade territorial brasileira e à sobrevivência de seres humanos, também brasileiros, que lá habitam há muito tempo. A nossa idéia é buscar ajudar na solução do conflito e a traçar uma política indígena em que os direitos humanos e a integridade das pessoas sejam preservados."

A reserva Raposa/Serra do Sol é alvo de disputa entre índios e agricultores que cultivam arroz na área. O envio de homens da Polícia Federal e da FNS (Força Nacional de Segurança) tem por finalidade cumprir em sua totalidade o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, que homologou como terra indígena contínua a Raposa/Serra do Sol.

A PF chegou a enviar homens para deflagrar uma operação de retirada dos arrozeiros da reserva. Mas a operação foi suspensa por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

Prisão

A Polícia Federal prendeu ontem o rizicultor e prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero (DEM), 55, pela suspeita de tentativa de homicídio, formação de quadrilha e posse de artefatos explosivos.

Anteontem, um confronto entre funcionários de Quartiero e índios dentro da fazenda Depósito, que pertence ao arrozeiro, deixou ao menos nove indígenas feridos, sendo oito baleados, de acordo com a PF.

A fazenda fica dentro da terra indígena Raposa/Serra do Sol (nordeste de Roraima), de onde arrozeiros --liderados por Quartiero-- se recusam a sair.

Além de Quartiero, foi preso o filho dele, Renato Quartiero, e dez funcionários da fazenda.
Quartiero foi preso na sede da vila do Surumu. O filho dele e nove funcionários foram presos na própria fazenda. Um outro funcionário foi preso também na vila do Surumu.

Comentários dos leitores
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h31
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h31
Como a entidade SODIUR, "reivindicava que os não índios, como os rizicultores, permanecessem na área" da RSS, postura que lhe confere a condição de mais brasileira e responsável do que as autoridades de Brasília; esperamos que agora, por ocasião da reunião mencionada, seus integrantes tenham uma participação ativa, não se deixando serem expulsos pela ONG "CIR" e propondo que, através de convênios, possam retornar à RSS, tanto os operosos rizicultores quanto quaisquer brasileiros de outras profissões que lá antes habitavam. Que trabalhem para viabilizar juridicamente esse retorno, de modo que, com sua presença, atrapalhem e impeçam a retirada sem controle de elementos da biodiversidade e dos minerais (nióbio, etc.). Esta retirada sem controle, e a futura formal separação do Brasil, no meu ver e sentir, é a razão última da feição atual do Art. 231 da CF/88, em função do qual a FUNAI esta a demarcar áreas enormes como "terras indígenas", designação que não deveria ser aceita pelos brasileiros, por se contrapor ao conceito de terra brasileira. Imagino que existam pessoas das cinco etnias que se sintam brasileiros e que se neguem a serem instrumentos dóceis de ONGs internacionalistas; que sintam motivação pelo retorno dos outros brasileiros injustamente expulsos. Se tal ocorrer, surgirão empregos, geração de renda e receita tributária, reintegrando ao Brasil a RSS. sem opinião
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Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h18
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h18
Foi um desfecho lamentável esse que culminou na atribuição do território continuo de 1,7 milhão de ha. na área chamada Raposa / Serra do Sol (RSS). Esta região, de fato e a despeito de nossa superestrutura jurídica, deixou de ser Brasil, visto que vedada aos brasileiros em geral, onde lhes é negado o direito de ir e vir. Assim como já não era mais Brasil a reserva situada mais a oeste da RSS, algumas vezes maior que esta, a chamada Ianomâmi, designação espertamente empregada para designar todas as etnias que lá habitam, certamente em grupos esparsos e muito distantes uns dos outros; realidade que deixa liberada a exploração da biodiversidade e minerais (nióbio, etc.) pelos países desenvolvidos do hemisfério norte, sem que brasileiros atrapalhem. sem opinião
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Armando Malato (164) 26/06/2009 15h52
Armando Malato (164) 26/06/2009 15h52
Se as etnias indigenas estão se reunindo somente agora, para decidir o que fazer da área conquistada, chamada Rapõsa Serra do Sol, éporque de antemão, não tinham nenhum projeto visando a utilização deste território que vinha sendo ocupando em altas benfeitorias, por produtores de arroz e pecuaristas. Ninguem me convence que os silvicolas irão ter a mesma estrutura e tecnologia para aproveitar estas terras com a mesma desenvotura que vinha sendo feita pelos não indios. Agora começam a aparecer os impasses quanto a utilização da terra, por falta de entendimento entre eles mesmos. Tomara que daqui há alguns anos, esta região não vire morada, somente dominio de animais silvestres e terras incultas, para tristeza dos brasileiros e prejuizo de nossa produção. 2 opiniões
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