Oposição diz que Dilma convenceu senadores, mas não explicou dossiê
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A base aliada do governo comemorou o desempenho da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no depoimento à Comissão de Infra-Estrutura do Senado que teve início na manhã desta quarta-feira. Senadores da oposição também admitiram que a tentativa do senador José Agripino Maia (DEM-RN) de constrangê-la evocando o período da ditadura militar --quando Dilma foi presa e torturada-- acabou se revertendo em favor da ministra, deixando o dossiê com gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em segundo plano nos debates.
Senadores da oposição ouvidos pela Folha Online reconheceram que Dilma saiu fortalecida ao emocionar-se durante o depoimento. A ministra chegou a embargar a voz quando disse que tem "orgulho" de ter mentido na época da ditadura para salvar a si própria e a colegas militantes em meio às torturas físicas recebidas pelo grupo.
Alguns oposicionistas não esconderam a irritação por Agripino ter levantado o assunto "ditadura militar" no depoimento que tinha como foco o dossiê com gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
O democrata citou entrevista da ministra na qual ela reconhece que "mentiu muito" na ditadura para escapar de torturas e disse que esperava que não repetisse o comportamento na sua explanação à comissão.
"Isso a deixou em situação de conforto, desanuviou o ambiente para ela, que acabou ganhando segurança, o que interferiu no desempenho dela", reconheceu o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
Sem esconder a satisfação com o desempenho da ministra, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que o seu depoimento a fortalece para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em 2010.
"A ministra galgou um passo importante na formatação política dela, passou num teste importante. Ela era uma referencia administrativa e agora é também uma referencia política", afirmou Jucá.
Dossiê
Apesar de reconhecer o desempenho favorável a Dilma no depoimento, a oposição promete nas próximas horas endurecer os questionamentos à ministra sobre o dossiê. Senadores do DEM e PSDB não se mostraram satisfeitos com as explicações de Dilma sobre o tema, depois que ela reiterou que o governo apenas produziu um "banco de dados" com informações sobre gastos da gestão FHC.
"A ministra fugiu, misturou dossiê com banco de dados. Eu gostaria que ela afirmasse de uma vez por todas quem fez o dossiê, quem vazou as informações. Ela sabe onde o dossiê foi feito e quem vazou, mas continua dizendo que é um banco de dados", criticou o senador Mário Couto (PSDB-PA).
Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), a ministra citou informações "imprecisas" ao tentar explicar a montagem do dossiê. "O que ficou em dúvida no seu depoimento são as respostas em relação ao dossiê", afirmou o tucano.
Leia mais
- Entenda o caso envolvendo os cartões corporativos do governo
- Discussão sobre ditadura e dossiê marcam depoimento de Dilma à comissão
- Dilma nega dossiê anti-FHC e diz que Casa Civil montou banco de dados
- Oposição pede que Dilma "abra o coração" e conte tudo sobre dossiê
- Em depoimento no Senado, Dilma se emociona ao falar de tortura sofrida na ditadura
Especial


avalie fechar
"Segundo o parecer da Procuradoria, "com exceção das imputações feitas nas referidas representações --imputações que não se confirmaram-- não consta dos autos sequer indícios da participação da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ministro da Justiça Tarso Genro e do ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da República, nos fatos noticiados, nenhuma prova de que partiu da primeira a ordem para a elaboração do dossiê ou para a divulgação dos dados, nem da omissão dos demais na apuração dos fatos". "
Tá bom, vou fazer de conta que eu acredito.
avalie fechar
Só espero que o senado barre essa aquisição do TCU. Se for eleição 50% + 1 ela tá dentro, mas se tiver que ser 2/3 do senado, temos alguma chance para que isso não ocorra.
Prefiro o Múcio, pois não é fiel a ninguém, só a ele mesmo e assim alguma falcatrua sempre sobra e nós ficamos sabendo e podemos pressionar, com a Eunice isso não aocnteceria, apenas o que fosse oposição, o que fosse da casa seria suprimido.
avalie fechar