Brasil
07/05/2008 - 18h30

Líder governista diz que depoimento lança Dilma na disputa presidencial de 2010

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou nesta quarta-feira que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) sai do depoimento à Comissão de Infra-Estrutura do Senado como uma das candidatas do governo à sucessão presidencial de 2010. Na opinião de Jucá, o bom desempenho demonstrado pela ministra em mais de sete horas de depoimento a credencia para a disputa eleitoral.

"A oposição sai daqui com uma dor de cabeça. Sai com uma candidata a mais no processo de disputa de 2010. A oposição jogou para constranger a ministra politicamente. Mas a ministra passou no teste com louvor", afirmou.

O senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, ironizou o "lançamento" da candidatura de Dilma por Jucá. "Haja liberação de verba, haja emprego em elétricas", disse. Apesar das críticas da oposição ao desempenho da ministra, senadores da base aliada do governo não esconderam a satisfação com o depoimento de Dilma.

A oposição não se mostrou convencida com as explicações da ministra sobre o dossiê com gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso com cartões corporativos. "Não há como eximir a ministra de responsabilidade de explicar o dossiê", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Para Virgílio, a ministra pode voltar a ser convocada para prestar depoimento no Senado porque não conseguiu explicar detalhes sobre a montagem do dossiê. "Temos muito mais esclarecimentos para cobrar, não falei um quinto do que queria. Estou convencido que houve dossiê, que o crime tem que ser esmiuçado. Não há razões para não insistir em novas convocações, há quadro favorável na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] para a convocação. Se sentir que tem adesão, vou insistir", disse o tucano.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), ironizou a disposição da oposição em convocar Dilma para um novo depoimento na Casa Legislativa. "Se alguém quiser que a ministra venha de novo, só se for muito insaciável", afirmou.

Afagos

Os oposicionistas não endureceram o tom nas críticas à ministra com exceção do senador José Agripino Maia (DEM-RN) --que no início da sessão pediu que Dilma não mentisse no depoimento a exemplo do que havia feito na ditadura militar para escapar de torturas físicas. DEM e PSDB não concentraram os questionamentos à ministra no dossiê anti-FHC, como havia sido anunciado pela oposição.

Grande parte dos oposicionistas dedicou a maioria do tempo reservado às perguntas para questionar Dilma sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) --assunto da sua convocação ao Senado. Após o mal-estar provocado por Agripino, a oposição acabou recuando na postura ofensiva contra a ministra. Senadores da oposição ouvidos pela Folha Online reconheceram que Dilma saiu fortalecida ao emocionar-se durante o depoimento depois do questionamento do democrata.

A ministra chegou a embargar a voz quando disse que tem "orgulho" de ter mentido na época da ditadura para salvar a si própria e a colegas militantes em meio às torturas físicas recebidas pelo grupo. Alguns oposicionistas não esconderam a irritação por Agripino ter levantado o assunto "ditadura militar" no depoimento que tinha como foco o dossiê com gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

"Isso a deixou em situação de conforto, desanuviou o ambiente para ela, que acabou ganhando segurança, o que interferiu no desempenho dela", reconheceu o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Comentários dos leitores
sidnei g (2) 09/06/2009 15h17
sidnei g (2) 09/06/2009 15h17
Certo...então na manchete é dossiê, mas a reportagem fala de "suposto" dossiê...por essas manchetes é que a imprensa vai destruindo sua credibilidade. sem opinião
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Bolinha da Lulu (240) 14/05/2009 23h24
Bolinha da Lulu (240) 14/05/2009 23h24
Texto no corpo da Folha.
"Segundo o parecer da Procuradoria, "com exceção das imputações feitas nas referidas representações --imputações que não se confirmaram-- não consta dos autos sequer indícios da participação da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ministro da Justiça Tarso Genro e do ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da República, nos fatos noticiados, nenhuma prova de que partiu da primeira a ordem para a elaboração do dossiê ou para a divulgação dos dados, nem da omissão dos demais na apuração dos fatos". "
Tá bom, vou fazer de conta que eu acredito.
1 opinião
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Bolinha da Lulu (240) 28/04/2009 16h02
Bolinha da Lulu (240) 28/04/2009 16h02
Agora vamos ter que aturar o cousuismo de um capacho no TCU. Se antes eles já faziam pouco em verificar as contas e aceitar todas as explicações dadas para explicar o que era inexplicável. Agora com essa nava aquisição nem de explicação irão necessitar.
Só espero que o senado barre essa aquisição do TCU. Se for eleição 50% + 1 ela tá dentro, mas se tiver que ser 2/3 do senado, temos alguma chance para que isso não ocorra.
Prefiro o Múcio, pois não é fiel a ninguém, só a ele mesmo e assim alguma falcatrua sempre sobra e nós ficamos sabendo e podemos pressionar, com a Eunice isso não aocnteceria, apenas o que fosse oposição, o que fosse da casa seria suprimido.
sem opinião
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