Após conflitos em Roraima, Lula aumenta número de militares na fronteira da Amazônia
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Depois do acirramento dos conflitos na reserva Raposa/Serra do Sol (RR), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nesta quarta-feira que o governo federal vai aumentar o número de postos militares nas áreas fronteiriças da Amazônia. A orientação de Lula foi transmitida hoje aos ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa) para que ambos definam os números e os detalhes do texto do decreto a ser editado.
Tarso disse que os detalhes do decreto ainda não foram definidos, mas que nos próximos dias ele e Jobim fecharão os números. O ministro negou que a decisão tenha sido provocada pela pressão das Forças Armadas, especialmente do Exército --após as críticas do comandante militar na Amazônia, general Augusto Heleno, que condenou a política indigenista do governo federal.
"Eu e o ministro Jobim vamos trabalhar para apresentar ao presidente Lula um decreto para a instalação de mais postos militares na Amazônia. Vamos constituir um programa de aumento desses postos", afirmou Tarso, depois de se reunir com Lula, Jobim e o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira, no Palácio do Planalto.
Após a decisão dos índios de deixar a fazenda Depósito, na reserva Raposa/Serra do Sol, na tarde de hoje --onde estava desde segunda-feira--, Tarso optou por negar que tenha ocorrido nos últimos dias um agravamento dos conflitos na região. Segundo ele, a tendência é de "distensão".
Tarso afirmou também que os homens da PF (Polícia Federal) e da FNS (Força Nacional de Segurança) estão orientados a executar a operação de desarmamento na reserva. De acordo com o ministro, aquele que for flagrado com arma, sem ter o porte legal, será preso.
Otimista, o ministro disse que está convencido que após o julgamento das ações envolvendo Raposa/Serra do Sol (RR), será possível encerra o impasse na região. "Estou convencido de que vai ser cumprido. Todos nós vamos seguir a orientação do Supremo Tribunal Federal. Esta é uma posição de Estado", disse ele.
Leia mais
- Índios desocupam fazenda na reserva Raposa/Serra do Sol
- Ayres Britto diz que arrozeiros não podem ser retirados de reserva indígena até julgamento
- Indígenas decidem deixar fazenda em RR até decisão do STF sobre demarcação de terra
- OAB envia comissão para acompanhar conflito em reserva indígena de RR
- "PF vai responsabilizar pistoleiros" por conflito em terra indígena de Roraima, diz Tarso
- Arrozeiro e dez funcionários são presos na reserva Raposa/Serra do Sol
- PF prende arrozeiro suspeito de atentado contra índios em Roraima
- Índios ficam feridos em confronto na reserva Raposa/Serra do Sol
Livraria
- Livro explica reforma agrária e analisa os conflitos pela posse da terra
- Marcelo Leite faz raio-X da situação da Amazônia
Especial

