Brasil
07/05/2008 - 18h46

Arrozeiro suspeito de atentado contra índios em Roraima ficará preso em Brasília

Publicidade

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Acusado de ser o mandante do atentado contra dez indígenas que estavam na sua propriedade localizada na reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, o prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero, ficará preso na carceragem da PF (Polícia Federal) em Brasília. Quartiero deve chegar à cidade entre hoje e amanhã. Por ser prefeito, Quartiero será ouvido pelo TRF-1 (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região.

Além de Quartiero, a PF prendeu também o filho dele, Renato Quartiero, e dez funcionários da fazenda Depósito. As prisões efetivadas ontem, no final da tarde, provocaram mais tensão na região. Simpatizantes do prefeito atacaram os policiais federais, que reagiram com bombas de efeito moral.

O ministro Tarso Genro (Justiça) reiterou nesta quarta-feira que a propriedade de Quartiero é irregular porque pertence à União, uma vez que está localizada em uma reserva indígena, que segundo a Constituição, é terra federal.

"[Aquele] é um território indígena, as propriedades que foram assentadas [ali], foram assentadas de forma irregular", disse ele.

Em 2005, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva homologou de forma contínua as terras na reserva de Raposa/Serra do Sol foi estabelecido um prazo para que os produtores de arroz que ali estavam fossem retirados. Mas os arrozeiros não aceitam a ordem. Desde então os confrontos na região aumentam.

Há 33 ações no STF (Supremo Tribunal Federal) que questionam a homologação de forma contínua na reserva Raposa/Serra do Sol. Algumas sugerem a homologação descontínua, criando espécies de ilhas para que os produtores rurais mantenham suas atividades no local. Por enquanto, a Corte definiu de forma liminar sobre o assunto, determinando a suspensão da retirada dos arrozeiros da reserva.

Na próxima semana é aguarda a apresentação do voto do ministro-relator das ações, Carlos Ayres Britto. Nesta quarta-feira, ele adiantou que vai se empenhar para concluir o texto do voto no fim de semana. Em seguida, o presidente do STF, Gilmar Mendes, deve marcar a data para pautar o julgamento do mérito das ações.

Fazenda

Os índios deixaram no início da tarde desta quarta-feira a fazenda Depósito, ocupada pelos indígenas na madrugada de segunda-feira. Uma funcionária da fazenda confirmou que os índios deixaram a área por volta das 13h30 (horário local) e montaram novas tendas do outro lado da cerca.

A funcionária da fazenda, que se identificou apenas como Nice, disse que o trabalho voltou ao normal assim que os índios deixaram a área. Atualmente 20 funcionários trabalham no cultivo de arroz, segundo a funcionária.

O índio macuxi Dionito Souza, coordenador do CIR (Conselho Indígena de Roraima), disse à Folha Online hoje pela manhã que os índios decidiram deixar o local até que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgue as ações sobre a demarcação de terra da reserva.

Segundo o CIR, os índios decidiram deixar a fazenda após reunião com representantes do Ministério da Justiça. A reserva Raposa/Serra do Sol é alvo de disputa entre índios e agricultores que cultivam arroz na região.

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
avalie fechar
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
avalie fechar
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (1253)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca