Racha no PSDB de São Paulo vai parar na delegacia
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para Folha Online
A briga interna do PSDB de São Paulo em torno do candidato do partido para as eleições municipais de outubro foi parar na delegacia.
O vereador Gilberto Natalini, líder do partido na Câmara Municipal, foi até o 1º DP da capital e protocolou um B.O (Boletim de Ocorrência) em nome do secretário de Esporte, Wagner Feldman (PSDB), e de 11 vereadores --todos contrários à candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB)-- pedindo que a polícia investigue o autor de um e-mail encaminhado na noite de ontem e assinado por um "tucano roxo" com insultos contra o secretário e os parlamentares.
O e-mail continha as fotos dos 11 vereadores pró-Kassab e de Feldman com um carimbo escrito "traidores" no centro da imagem. Embaixo, o texto dizia: "A militância do PSDB adverte: conviver com esses vereadores pode comprometer a sua integridade'.
Segundo Natalini, o pedido foi para que o delegado Jair Barbosa Ortiz investigue o autor da mensagem. Segundo o vereador, Ortiz se comprometeu a representar o provedor responsável pelo e-mail (tucanoroxo@gmail.com), que teria de revelar o verdadeiro nome do autor da mensagem. Se o provedor --que pertence ao Google-- se negar, a representação será contra o provedor. O delegado não foi encontrado pela reportagem.
Estopim
Na segunda-feira passada, o presidente do Diretório Municipal do PSDB em São Paulo, José Henrique Reis Lobo, anunciou a pré-candidatura de Alckmin à Prefeitura de São Paulo. Logo após o anúncio, um militante tucano contrário à decisão tomou o microfone das mãos de Lobo: "essa é uma decisão autoritária", disse.
Na ocasião, Natalini também criticou Lobo. Ele disse que esperava uma votação em que seria decidido se o partido anunciaria ou não a candidatura própria. "O presidente tomou uma deliberação pessoal e isso não é condizente com a democracia", afirmou.
Feldman disse que não reconhecia aquela reunião para qualquer deliberação sobre a pré-candidatura Alckimin. "A reunião começa aqui e se desdobra até a convenção do partido", disse.
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Por que?
Só há uma explicação. O acordo rompe, definitivamente, com a visão provinciana de que a política brasileira acontece no confronto exclusivamente paulista entre PT-PSDB.
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