Brasil
08/05/2008 - 10h27

Indígenas montam barracos de lona nas estradas e bloqueiam acesso a fazendas

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HUDSON CORRÊA
Enviado especial da Folha à Raposa/Serra do Sol (RR)

Índios da Raposa/Serra do Sol, em Roraima, adotaram a tática de acampar em barracos de lona às margens de estradas e fechar o acesso a fazendas dos arrozeiros, método semelhante ao usado por sem-terra.

A mobilização é para assegurar a demarcação da terra indígena, alvo de contestação no STF, que suspendeu a desocupação da área, mantendo os produtores de arroz nas terras.

"Se eles [ministros do STF] decidirem que [os produtores de arroz] vão ficar, não vamos manter os bloqueios", disse o líder da comunidade São Francisco, o macuxi Ireneu Silva Aniceto, 35. "As crianças precisam de mais terra", afirmou, apontando para a placa, na qual foi escrito: "nós alunos sem terra não temos educação".

"Eu não quero eles [produtores de arroz] aqui. Eles não nasceram aqui. Eu nasci", diz a macuxi Lilian da Silva, 77.

Na noite de ontem, segundo informação do "Jornal da Globo", os índios aceitaram desbloquear a estrada.

Apesar da ação dos índios, o trabalho de colheita permanece nas fazendas produtores de arroz. Uma das propriedades, visitada pela Folha, pertence ao prefeito de Pacaraima (RR), Paulo Cesar Quartiero (DEM), preso anteontem.

A PF fez busca e apreensão na sede da fazenda anteontem, mas não tinha mandado judicial. "Eram 23 carros com quatro policiais cada um. Ele pularam a cerca e vieram rastejando. Algemaram a gente. Reviraram os alojamentos, disseram que encontraram bombas, mas não vimos", diz o funcionário José Daniel de Paula Filho, 22, preso por 12 horas e liberado.

Segundo a PF, o STF autorizou ações de desarmamento na área e, por isso, ocorreu busca e apreensão na fazenda.

Comentários dos leitores
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h31
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h31
Como a entidade SODIUR, "reivindicava que os não índios, como os rizicultores, permanecessem na área" da RSS, postura que lhe confere a condição de mais brasileira e responsável do que as autoridades de Brasília; esperamos que agora, por ocasião da reunião mencionada, seus integrantes tenham uma participação ativa, não se deixando serem expulsos pela ONG "CIR" e propondo que, através de convênios, possam retornar à RSS, tanto os operosos rizicultores quanto quaisquer brasileiros de outras profissões que lá antes habitavam. Que trabalhem para viabilizar juridicamente esse retorno, de modo que, com sua presença, atrapalhem e impeçam a retirada sem controle de elementos da biodiversidade e dos minerais (nióbio, etc.). Esta retirada sem controle, e a futura formal separação do Brasil, no meu ver e sentir, é a razão última da feição atual do Art. 231 da CF/88, em função do qual a FUNAI esta a demarcar áreas enormes como "terras indígenas", designação que não deveria ser aceita pelos brasileiros, por se contrapor ao conceito de terra brasileira. Imagino que existam pessoas das cinco etnias que se sintam brasileiros e que se neguem a serem instrumentos dóceis de ONGs internacionalistas; que sintam motivação pelo retorno dos outros brasileiros injustamente expulsos. Se tal ocorrer, surgirão empregos, geração de renda e receita tributária, reintegrando ao Brasil a RSS. sem opinião
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Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h18
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h18
Foi um desfecho lamentável esse que culminou na atribuição do território continuo de 1,7 milhão de ha. na área chamada Raposa / Serra do Sol (RSS). Esta região, de fato e a despeito de nossa superestrutura jurídica, deixou de ser Brasil, visto que vedada aos brasileiros em geral, onde lhes é negado o direito de ir e vir. Assim como já não era mais Brasil a reserva situada mais a oeste da RSS, algumas vezes maior que esta, a chamada Ianomâmi, designação espertamente empregada para designar todas as etnias que lá habitam, certamente em grupos esparsos e muito distantes uns dos outros; realidade que deixa liberada a exploração da biodiversidade e minerais (nióbio, etc.) pelos países desenvolvidos do hemisfério norte, sem que brasileiros atrapalhem. sem opinião
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Armando Malato (164) 26/06/2009 15h52
Armando Malato (164) 26/06/2009 15h52
Se as etnias indigenas estão se reunindo somente agora, para decidir o que fazer da área conquistada, chamada Rapõsa Serra do Sol, éporque de antemão, não tinham nenhum projeto visando a utilização deste território que vinha sendo ocupando em altas benfeitorias, por produtores de arroz e pecuaristas. Ninguem me convence que os silvicolas irão ter a mesma estrutura e tecnologia para aproveitar estas terras com a mesma desenvotura que vinha sendo feita pelos não indios. Agora começam a aparecer os impasses quanto a utilização da terra, por falta de entendimento entre eles mesmos. Tomara que daqui há alguns anos, esta região não vire morada, somente dominio de animais silvestres e terras incultas, para tristeza dos brasileiros e prejuizo de nossa produção. 2 opiniões
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