Bernardo diz que oposição usou depoimento de Dilma para discutir miudeza e tapioca
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) classificou nesta quarta-feira de "discrepante" a postura da oposição no depoimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Na opinião de Bernardo, senadores do DEM e PSDB tentaram discutir "miudezas" no depoimento --mas acabaram prejudicados pela própria postura adotada na comissão.
"Eu acho que houve discrepância muito grande porque a ministra veio discutir o país e a oposição quis discutir miudeza, tapioca. Ficou desigual porque eles não tinham um projeto para se contrapor", afirmou.
Na opinião do senador Renato Casagrande (PSB-ES), a oposição conseguiu um efeito "bumerangue" durante o depoimento, com o "tiro saindo pela culatra". "A oposição jogou arma contra o governo que acabou se voltando contra a própria oposição. O resultado fortalece a ministra politicamente", afirmou.
O senador considera que a ministra conseguiu esclarecer o dossiê com gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com os cartões corporativos, por isso se mostrou contrário ao retorno de Dilma ao Congresso.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), promete apresentar novo requerimento de convocação da ministra em outras comissões do Senado porque não ficou satisfeito com as explicações sobre o dossiê.
Para o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a ministra saiu ainda mais fortalecida no governo depois do depoimento. "Ela virou um personagem político mais forte depois de ontem", afirmou.
Ressaca
Em clima de ressaca, senadores da oposição tentam se recuperar do bom desempenho alcançado pela ministra no depoimento ao Senado --como admitem os próprios parlamentares do DEM e PSDB nos bastidores. Os oposicionistas não admitem publicamente que saíram enfraquecidos dos debates, por isso insistem que Dilma não apresentou explicações satisfatórias sobre o dossiê.
Virgílio prometeu apresentar na próxima quarta-feira, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, outro requerimento de convocação para que Dilma fale sobre o dossiê. O tucano quer explicações mais detalhadas sobre o vazamento de informações na Casa Civil que teria dado origem ao dossiê.
Na avaliação do tucano, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, não vai se sustentar no cargo até o final do governo. Segundo reportagem da Folha, teria partido de Erenice a determinação para a montagem do dossiê anti-FHC.
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Eu ia dizer que nada há de prova. Mas neste país prova é o que menos precisa.
Sendo pra difamar a imagem tudo vale. E o pior, fomentado pela grande mídia.
Mas a que interessem servem?
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