Com apresentação de padre Marcelo, inauguração em SP reúne Serra, Kassab e Quércia
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para Folha Online
A inauguração do complexo viário Jurubatuba, na zona sul de São Paulo, nesta quinta-feira, teve tom de campanha eleitoral. O evento reuniu o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). O encontro acontece após o Diretório Municipal do PSDB decidir lançar a pré-candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo.
Quércia já declarou apoio à reeleição de Kassab. Serra, que vinha trabalhando nos bastidores em favor de Kassab, agora deve seguir a orientação de seu partido e formalizar apoio a Alckmin. O líder do PSDB na Câmara Municipal, Gilberto Natalini, apoiador de Kassab, também esteve presente na cerimônia, que teve clima de campanha eleitoral.
| Robson Ventura/Folha Imagem |
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| Em clima de campanha, Kassab inaugura ponte ao lado de Serra e padre Marcelo |
Antes que os políticos tomassem a palavra, quem cantou para as cerca de 300 pessoas que foram à inauguração foi o padre Marcelo Rossi. Com o público animado, os discursos começaram. A parceria entre Serra e Kassab foi lembrada por todos que tomaram o microfone no palanque. "O Brasil vai mudar com o Quércia, Serra e Kassab", disse o vereador Antônio Goulart (PMDB).
"Nunca tivemos tantas obras na cidade como na dobradinha Serra-Kassab", disse o conselheiro do TCM (Tribunal de Contas do Município), Antônio Carlos Caruso. "Se justiça houver, prefeito Kassab, o senhor continuará à frente da Prefeitura", disse.
Kassab, ao tomar a palavra, lembrou dos investimentos de Quércia e Serra no metrô e disse que, como prefeito, também investiu no setor. "Esta é a grande preocupação do governador", disse.
O tom eleitoral foi reforçado pelo discurso do bispo de Santo Amaro, dom Fernando Figueiredo, que apresentou o governador. "Quem fala agora é o nosso querido governador José Serra", disse. Serra retribuiu os elogios a Kassab e lembrou que a Prefeitura está investindo R$ 200 milhões no metrô de Santo Amaro.
Kassab também negou que a inauguração do complexo tenha se tornado um comício. "Não, evidente que não. Foi uma festa merecida, justa. Toda inauguração merece uma festa."
Ele disse que a presença de Serra ao lado de Quércia no evento não era um sinal de apoio à sua candidatura. "A minha presença e a do Serra tem sido uma constante porque o Estado e a prefeitura trabalham juntos. Não tem nenhuma conotação política nem eleitoral."
Reeleição
Ao final da inauguração, Serra se recusou novamente a falar sobre seu apoio ao prefeito. Já Kassab insistiu na busca do apoio do PSDB e confirmou as negociações com o PV e o PR.
"O PV e o PR, muito possivelmente, estarão nessa coligação. Mas os dirigentes desses partidos entendem que é prioridade trazer o PSDB para essa aliança ainda no primeiro turno", disse.
Questionado se a inclusão desses partidos na aliança será utilizada por ele para desestimular Alckmin de sua candidatura, Kassab disse que essa afirmação "seria um desrespeito ao ex-governador".
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Por que?
Só há uma explicação. O acordo rompe, definitivamente, com a visão provinciana de que a política brasileira acontece no confronto exclusivamente paulista entre PT-PSDB.
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