Brasil
08/05/2008 - 13h48

Com apresentação de padre Marcelo, inauguração em SP reúne Serra, Kassab e Quércia

WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para Folha Online

A inauguração do complexo viário Jurubatuba, na zona sul de São Paulo, nesta quinta-feira, teve tom de campanha eleitoral. O evento reuniu o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). O encontro acontece após o Diretório Municipal do PSDB decidir lançar a pré-candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo.

Quércia já declarou apoio à reeleição de Kassab. Serra, que vinha trabalhando nos bastidores em favor de Kassab, agora deve seguir a orientação de seu partido e formalizar apoio a Alckmin. O líder do PSDB na Câmara Municipal, Gilberto Natalini, apoiador de Kassab, também esteve presente na cerimônia, que teve clima de campanha eleitoral.

Robson Ventura/Folha Imagem
Em clima de campanha, Kassab inaugura ponte ao lado de Serra e padre Marcelo
Em clima de campanha, Kassab inaugura ponte ao lado de Serra e padre Marcelo

Antes que os políticos tomassem a palavra, quem cantou para as cerca de 300 pessoas que foram à inauguração foi o padre Marcelo Rossi. Com o público animado, os discursos começaram. A parceria entre Serra e Kassab foi lembrada por todos que tomaram o microfone no palanque. "O Brasil vai mudar com o Quércia, Serra e Kassab", disse o vereador Antônio Goulart (PMDB).

"Nunca tivemos tantas obras na cidade como na dobradinha Serra-Kassab", disse o conselheiro do TCM (Tribunal de Contas do Município), Antônio Carlos Caruso. "Se justiça houver, prefeito Kassab, o senhor continuará à frente da Prefeitura", disse.

Kassab, ao tomar a palavra, lembrou dos investimentos de Quércia e Serra no metrô e disse que, como prefeito, também investiu no setor. "Esta é a grande preocupação do governador", disse.

O tom eleitoral foi reforçado pelo discurso do bispo de Santo Amaro, dom Fernando Figueiredo, que apresentou o governador. "Quem fala agora é o nosso querido governador José Serra", disse. Serra retribuiu os elogios a Kassab e lembrou que a Prefeitura está investindo R$ 200 milhões no metrô de Santo Amaro.

Kassab também negou que a inauguração do complexo tenha se tornado um comício. "Não, evidente que não. Foi uma festa merecida, justa. Toda inauguração merece uma festa."

Ele disse que a presença de Serra ao lado de Quércia no evento não era um sinal de apoio à sua candidatura. "A minha presença e a do Serra tem sido uma constante porque o Estado e a prefeitura trabalham juntos. Não tem nenhuma conotação política nem eleitoral."

Reeleição

Ao final da inauguração, Serra se recusou novamente a falar sobre seu apoio ao prefeito. Já Kassab insistiu na busca do apoio do PSDB e confirmou as negociações com o PV e o PR.

"O PV e o PR, muito possivelmente, estarão nessa coligação. Mas os dirigentes desses partidos entendem que é prioridade trazer o PSDB para essa aliança ainda no primeiro turno", disse.

Questionado se a inclusão desses partidos na aliança será utilizada por ele para desestimular Alckmin de sua candidatura, Kassab disse que essa afirmação "seria um desrespeito ao ex-governador".

Comentários dos leitores
SAO PAULO / SP
Se os tucanos querem mesmo fazer algo de produtivo, devem se unir em um movimento para alterar a educação no estado de São Paulo. Quatro governos sucessivos do PSDB deram como resultado média 1,41 para o ensino médio oficial. Serra ficou por conta, tendo de arcar com a responsabiliadade dos governos anteriores de seu partido. Prometeu melhoria para 2.030, repetindo o espertalhão medieval que prometeu ao rei ensinar seu cavalo a falar em 10 anos. Cobrado por amigos, ele disse que, em 10 anos, ele, o cavalo ou o rei, alguém estaria morto. Como a média mínima para aprovação é nota 5,0, faltam 3,39 para o estado chegar lá. Em 22 anos, dá prá ter um aumento anual de 0,16. Parece que Serra não está agüentando a panela de pressão da disputa presidencial. Lula e Aécio agradecem, sensibilizados, o presente inesperado de um fim-de-semana da festa, em Brasília e em Belo Horizonte. E é prá já, sem precisar esperar até 2.030. sem opinião
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João Carlos (3) 16/05/2008 10h53
João Carlos (3) 16/05/2008 10h53
BRASILIA / DF
É interessante o modo como a Folha e outros órgãos da mídia paulista estão comentando - e lamentando - o acordo PT-PSDB em Minas. Chegam a vociferar e ridicularizar.
Por que?
Só há uma explicação. O acordo rompe, definitivamente, com a visão provinciana de que a política brasileira acontece no confronto exclusivamente paulista entre PT-PSDB.
4 opiniões
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geraldo alex silva jardim (3) 16/05/2008 10h13
geraldo alex silva jardim (3) 16/05/2008 10h13
TEOFILO OTONI / MG
acho que um pouco de sensatez faria muito bem ao pt nacional ou melhor chama-lo de pt paulista. pois como bem colocou a senadora ideli, os considerados grandes nomes do pt de bh, todos se acovardaram diante da candidatura, com interesses puramente pessoais, em virtude das eleiçoes 2010. o que bh e não o governador esta propondo é a união em favor do povo e não, a favor de manutenção de poder nas mãos de partidos. o pt paulista tem de entender isto, o povo, a cidade , tudo isto é maior que os partidos. alianças em beneficio do povo tem de serem privilegiadas contra cobchavos de partidos. 5 opiniões
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