Brasil
08/05/2008 - 14h43

Jobim diz que absolvição de fazendeiro faz parte das instituições democráticas

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LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, não quis comentar a decisão do Tribunal do Júri de Belém, que absolveu na terça-feira (8) o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, da acusação de ser o mandante do assassinato da freira norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em fevereiro de 2005. Jobim afirmou que não lhe compete emitir opiniões sobre o caso.

"Isso faz parte das instituições democráticas. Por isso não fiquei surpreendido. Mas não conheço o processo e não me compete emitir opinião", afirmou.

A decisão do Tribunal do Júri revoltou algumas entidades, como a A CPT (Comissão Pastoral da Terra), que vai se juntar ao MPE-PA (Ministério Público Estadual) do Pará para recorrer da decisão.

O coordenador da CPT, José Batista Afonso, informou que a entidade trabalha em três frentes para tentar reverter a absolvição de Bida. "Na parte técnica-jurídica, vamos recorrer da decisão junto com o Ministério Público. Numa outra linha, já estamos acionando uma rede internacional de contatos com entidades de direitos humanos para pressionar a Justiça do Pará a julgar logo o recurso", afirmou Afonso por telefone para a Folha Online.

O ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) disse que decisão reforça o sentimento de impunidade vigente no país. "Num ano em que o mundo celebra os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU, e o Brasil organiza uma ampla agenda de conferências setoriais, seminários, debates e publicações voltadas à elevação da consciência social sobre a importância de se construir ampla unidade nacional em torno da defesa da vida como bem supremo, é estarrecedor constatar que tristes episódios de celebração da impunidade seguem acontecendo entre nós", afirmou o ministro, em nota.

Dois ministros do STF também criticaram ontem a absolvição. O ministro Celso de Mello afirmou que, apesar de soberana, a decisão pode dar a impressão de que os jurados não cumpriram o seu dever. "Considerado o resultado anterior do julgamento, isso pode transmitir não apenas ao país, mas à comunidade internacional a sensação de que os direitos básicos da pessoa não teriam sido respeitados. Notadamente, aqueles da vítima", disse.

Já o ministro Marco Aurélio Mello criticou a norma do Código do Processo Penal que permite um novo julgamento caso a condenação ultrapasse 20 anos. "Não vejo por que colocarmos em dúvida uma decisão judicial considerando apenas o número de anos. Acho, porém, que a imagem do Brasil não restará arranhada, pois prevaleceu a ordem jurídica." Para ele, é "incoerente" que ocorra um "duplo julgamento em um mesmo tribunal". "É hora de rever essa norma."

Com Folha de S.Paulo

Comentários dos leitores
Cassio Tavares (668) 27/11/2009 09h05
Cassio Tavares (668) 27/11/2009 09h05
Uma nova revista em breve estará circulando na imprensa brasileira. Ah, o nome da revista : IN-VEJA. sem opinião
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Edvaldo Freitas (1) 22/11/2009 16h50
Edvaldo Freitas (1) 22/11/2009 16h50
O MST é um movimento com atitudes criminosas e deveriam ser tratados como tal. Não podemos concordar com este movimento, que não passa de um modelo de crime organizado. 3 opiniões
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O Pacificador (204) 19/11/2009 20h18
O Pacificador (204) 19/11/2009 20h18
O MST é claramente um movimnto de guerrilha do campo.
Ou seja, são terroristas, organizados e descaradamente financiados, por certos setores do governo.
Existem montanhas de provas nesse sentido, e ninguém faz absolutamente nada.
As "autoridades" fazem de conta que não vêm, porque se mexerem nisso, esbararão rapidamente em conhecidas figuras da nossa política.
Uma hora qualquer, se nada for feito, os que são atacados por essas quadrilhas, não terão outra alternativa, a não ser partir para o revide.
É só uma questão de tempo, e pelo jeito é exatamente isso o que estão querendo ...
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