Brasil
08/05/2008 - 14h58

Lula rebate crítica à política indigenista e diz que índios defendem fronteira

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Alvo de críticas e polêmicas, a política indigenista brasileira foi defendida nesta quinta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista condenou quem coloca os indígenas de um lado e os não-índios de outro numa referência aos conflitos na reserva Raposa/Serra do Sol (RR) e também aos que condenam as ações federais. Segundo ele, é um "antagonismo" desnecessário.

Comparando índios desprotegidos com favelados, o presidente apelou para que se entenda a "rebeldia" dos indígenas que vivem sem a proteção do Estado. Também lembrou que são indígenas que cumprem tarefas como militares que guardam áreas fronteiriças no Brasil.

"Quem alguém um dia ousou dizer que os nossos índios faziam o nosso país correr riscos de perder sua soberania porque estão em lugares [estratégicos para o país]? É só ir a São Gabriel da Cachoeira [AM], que nós vamos perceber que grande parte militares que estão lá, são índios, que estão lá vestidos com a roupa verde-amarela das Forças Armadas. Muitas vezes foram os índios que defenderam as nossas fronteiras", disse o presidente, em cerimônia no Palácio do Planalto.

A reação de Lula foi uma resposta aos recentes comentários do comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, que criticou a política indigenista do governo federal, e dos conflitos na reserva Raposa/Serra do Sol --que coloca indígenas e arrozeiros na disputa por terras na região, o caso aguarda julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal).

"O confronto muita vezes se dá pela ignorância, pela falta de informação, porque muitas vezes a gente é contra ou favor, até sem saber muito o porquê. Muitas vezes a gente é contra simplesmente pelo ouvi dizer, alguém me disse, sem aprofundar a discussão com aqueles que realmente conhecem, estudam e vivem o problema, disse, numa menção aos últimos episódios.

Relacionando o desamparo de índios, sem proteção do Estado, com a situação em que vivem os que moram em favelas, Lula pediu a compreensão pela rebeldia de algumas etnias.

"Obviamente que um índio que vive no meio da Amazônia, sendo brasileiro, cidadão brasileiro, eleitor brasileiro, não recebendo as funções que o Estado tem que ter para com ele e com seu povo vai ser tão rebelde contra o Estado quanto um companheiro, que mora numa favela no Rio de Janeiro, a 100 metros de Copacabana, não tem água nem escola nem nada para fazer", afirmou o presidente.

Lula apelou ainda para que as pessoas fujam ao clima de disputa incitada pela politização dos temas que envolvem a política indigenista. "Por que há esse antagonismo desnecessário? Por que tentar despolitizar a sociedade em debates que não dizem nada em comparação à realidade que vivemos a cada dia?", questionou.

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
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HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
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Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
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