Brasil
08/05/2008 - 15h39

Lula diz que Amazônia é da humanidade e deve ser cuidada pelo Brasil

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Ao admitir que se conhece pouco sobre a Amazônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que ela é um patrimônio da "humanidade" e que deve ser cuidada pelo Brasil. Entusiasmado, Lula apelou para que todos digam em "alto e bom som" que "quem cuida da Amazônia é o Brasil".

"Como tem gente que acha que a Amazônia tem que ser da humanidade. E nós achamos que é [da humanidade]. Achamos que ela precisa produzir benefícios para todos os seres humanos. Mas temos que dizer em alto e bom som que quem cuida da Amazônia é o Brasil. Quem decide o que fazer na Amazônia é o Brasil", afirmou o presidente, no lançamento do PAS (Plano Amazônia Sustentável), no Palácio do Planalto.

Alan Marques/Folha Imagem
Em Brasília, Lula diz que Amazônia é da humanidade e deve ser cuidada pelo Brasil
Em Brasília, Lula diz que Amazônia é da humanidade e deve ser cuidada pelo Brasil

Lula disse que em livros há referências sobre a impressão de estrangeiros a respeito do Brasil. "Há livros, do século 16, que mostram que, uma vez, um americano veio de barco e achou que a Amazônia era uma extensão do rio Mississipi [nos EUA]", afirmou. "Eu penso que nós ainda não temos condições de explorar 10% da fauna, da flora e da biodiversidade da Amazônia. Eu diria que nós somos quase que analfabetos em Amazônia."

O presidente ressaltou que é fundamental cuidar da Amazônia e desenvolver políticas na região de forma adequada. Do contrário, segundo ele, os produtos brasileiros poderão sofrer vetos e embargos internacionais sob a suspeita de serem cultivados em áreas preservadas.

"Se a gente não fizer as coisas adequadamente, daqui a pouco algum país levantará a proibição de não importar a soja brasileira porque alguém disse que ela está sendo plantada no lugar da célula da Amazônia", disse Lula.

"Produzir cuidando do meio ambiente é uma vantagem. Cuidar do meio ambiente é uma vantagem comparativa para os produtos que queremos vender a outras partes do mundo. É uma consciência extraordinária e uma evolução", reiterou.

Ao comentar sobre esse comportamento, o presidente se dirigiu ao governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). Recentemente, Maggi chegou a defender o desmatamento como meio de assegurar a ampliação de áreas de plantio de alimentos. Na ocasião, ele foi duramente criticado pelo líder do PV na Câmara, Sarney Filho (MA).

Comentários dos leitores
Gamarra R (77) 16/07/2008 17h58
Gamarra R (77) 16/07/2008 17h58
CUIABA / MT
Linha de credito para produtor rural não é doação. Para aqueles que recebem dinheiro para o plantio e não paga essa dívida, a mesma é executada judicialmente, podendo o produtor perder suas propriedades e outros bens dados em garantia para o Banco.
É lógico que existem grupos de interesse que acabam se beneficiando com a renegociação dessas dívidas, e que alguns não pagam essas dividas, mas não é o setor como um todo.
O brasileiro reclama dos altos impostos cobrados em produtos e serviços e com razão. O País seja no âmbito municipal, estadual ou federal, arrecada muito, mas é pouco eficiente na utilização desses recursos.
Agora é inadmissível aceitar que alguém possa relacionar mensalão, altos impostos, dinheiro publico ao MST e as Ongs (Ongs que recebem em média R$ 228,9 milhões por ano, e só nos primeiros meses de 2008 já foram repassados R$ 33,3 milhões), Lalau, Jorgina, Daniel Dantas, e outros problema políticos e sociais, a toda classe produtiva deste País.
Se o povo em si esta "acomodado" com tal situação (que fica sentando no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar...) onde não faz nada para promover uma mudança radical de suas atitudes ambientalistas, conceitos e afirmação de nossa dignidade, não é se livrando de suas responsabilidade como cidadão brasileiro e responsabilizando totalmente o setor produtivo deste País que mudanças ocorrerão.
sem opinião
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Marcos Carneiro (16) 16/07/2008 15h11
Marcos Carneiro (16) 16/07/2008 15h11
Estou muito curioso pra descobrir o que é que comem essas pessoas que estão "crucificando" os produtores rurais. Os alimentos que vocês consomem são produzidos aquí no Brasil? Deixem de escrever bobagens, não estamos aquí para ler "crises saudosistas" de revolucionários, que acham que a culpa de tudo é da classe produtora. Esse discurso está falido há muito tempo. Um país miserável, que tem um governo que prefere dar esmolas do que criar condições de trabalho para o povo, tem que ter uma classe produtora forte, porque senão vai morrer muita gente de fome. Por isso "companheiros" vamos apoiar o campo, pois sem ele fica bem difícil alimentar as cidades. 2 opiniões
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Diogo D. (7) 16/07/2008 14h29
Diogo D. (7) 16/07/2008 14h29
Sr. Gamarra R.
O Sr. está certo em apontar o absurdo que é a questão dos cassinos indígenas nos EUA. Porém este é apenas um aspecto de uma situação muito maior e jamais pode justificar o descaso e o abuso contra os povos indígenas brasileiros. Não quer dizer que o Brasil deva fazer exatamente como os EUA, mas deve, sim, respeitar a cultura e as terras dos povos originários - um direito reconhecido em todo o mundo.
A oposição contra os abusos ambientais e humanos levados a cabo por um modelo de produção agro-pecuária predatória não é, como o Sr. Quise Brito afirmou, uma oposição à agricultura em si. Trata-se, isso sim, de uma questão de racionalidade: produção econômica e agrícula só é vantajosa para a nação na medida em que se constitui em desenvolvimento real, sustentável e durável. Do contrário, estaremos repetindo em escala maior os erros do passado: já se perguntou pq é que o Brasil vem tendo atividade econômica, exploração de recursos naturais e agricultura desde 1500 e ainda somos sub-desenvolvidos, ao passo que outras nações transformaram suas atividades econômicas em desenvolvimento social real?
Eduardo Galeano, em seu livro clássico, fala a respeito da vantagem de começar a se desenvolver tarde: foi isso que garantiu os EUA se desenvolverem ao passo que toda a América Latina criava um legado de destruição para as próximas gerações.
Bem, hoje somos nós que temos essa oportunidade de aprender com os erros dos outros e os nossos. Temo que usar essa oportunidade!
sem opinião
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