Leia íntegra do bate-papo com Ana Estela sobre os 20 anos do programa de treinamento da Folha
da Folha Online
A jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, 42, editora de Treinamento da Folha, participou nesta quinta-feira (8) de bate-papo sobre os 20 anos do programa de treinamento em jornalismo da Folha.
Participaram do bate-papo 285 pessoas.
O texto abaixo reproduz exatamente a maneira como os participantes digitaram suas perguntas e respostas.
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Bem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com a editora do programa de treinamento da Folha, Ana Estela Sousa Pinto. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado no menu de participantes. É o primeiro da lista.
(05:02:31) Déborah Hernandes fala para Ana Estela: Ana, boa tarde! Pelo o que vejo no blog o dia a dia de voces é como o dia uma redação. O que os meninos produzem é uma espécie de simulação ou fazem sempre como se estivessem fazendo para o Folha?
(05:03:21) Ana Estela: Déborah, a idéia do programa é ser uma simulação, mas reproduzindo as condições de trabalho da Redação. Eles não produzem para a Folha, porque o objetivo é justamente que a gente possa experimentar, errar, corrigir, refletir sobre tudo isso.
(05:03:47) carola fala para Ana Estela: oi ana, tudo bem? o programa de trainee da folha exige o diploma de jornalismo de seus participantes?
(05:04:11) Ana Estela: Oi, Carola. Não exige, não. Só é preciso estar cursando uma faculdade, de qualquer área, para se inscrever.
(05:04:29) lucia fala para Ana Estela: quais etapas existem nesse treinamento? qto tempo dura? as pessoas vao passando de depto em depto? atuandao como reporter, depois editor assistente, editor... etc?
(05:05:53) Ana Estela: Oi, Lucia. O treinamento dura de três a quatro meses. Não é como um estágio, não. Eles não vão passando de editoria em editoria, como um estágio. Nós intercalamos diferentes atividades: conversas com editores e colunistas, aulas, exercícios de reportagem e fechamento, correções coletivas e por aí vai. Se quiser ver mais detalhes, entre no site do programa: www.folha.com.br/treinamento, ou pergunte mais aqui mesmo
(05:05:55) Fátima Bonner fala para Todos: O treinamento é remunerado?
(05:06:18) Bruno fala para Ana Estela: Ana, teoricamente qualquer graduando pode ser aceito no programa de treinamento. Contudo, é possível que um estudante de jornalismo de primeiro ou segundo semestre seja selecionado, ou quando vocês analisam o curriculum, os iniciantes são "excluídos"?
(05:07:10) Ana Estela: Olha, Bruno, possível é, sim. Já tive trainees no primeiro ano. Mas acho que não é sempre uma boa idéia, porque geralmente os trainees depois vão para a Redação, começam a trabalhar no jornal, e aí complica toda a vida do estudante, hehe
(05:07:26) beta fala para Ana Estela: boa tarde! qual a impotancia de emrpesas como a folha oferecerem esse tipo de treinamento?
(05:08:32) Ana Estela: Beta, para as empresas, é importante porque elas garantem que quem começa a trabalhar já viu pelo menos os princípios básicos --tanto técnicos quanto editoriais-- do jornal. Para os garotos que participam, acho que é uma superchance de aprender muuuuito praticando, mas sem a pressão de estar publicando, sem a responsabilidade de estar mesmo no batente.
(05:08:39) João Vitor Mazini fala para Ana Estela: Olá Ana. A maioria dos aprovados no trainee, após o período de aprendozagem, acabam sendo contratados pelo veículo?
(05:09:30) Ana Estela: Sim, João. A média é 90%. Alguns preferem não ficar... A vida no jornal diário é bem puxada, e há gente que percebe que prefere trabalhar em outro veículo ou outra profissão, até. Mas a imensa maioria depois vem para a Folha
(05:09:46) Bruno Cruz fala para Ana Estela: Ana, vc vê alguma diferença de hoje em relação à época em que o treinamento começou?
(05:10:44) Ana Estela: Nossa, não tem nem comparação. Não sei se vc sabe, mas fui da primeira turma, faz 20 anos (não faça as contas, hehehe). Vc acredita que o treinamento durava só três semanas. A gente entrevistava o presidente da República.... mas era o Boris Casoy, se fazendo passar por ele. =)
(05:10:50) Fátima Bonner fala para Ana Estela: Ana, o treinamento é remunerado?
(05:11:47) Ana Estela: Fátima, não, porque os trainees não produzem para o jornal. Se, eventualmente, um exercício deles ficar bom, tiver notícia, e quiserem publicar, passa a ser um acordo de frila entre eles e o jornal. Mas, no treinamento, o que interessa não é ´publicar, mas aprender. Por isso, não há salário, mas há ajuda de custo.
(05:12:02) Bruna fala para Ana Estela: Olá Ana. Quando vejo os selecionados para o curso tenho a impressão que para chegar para a prova todos já tem que ter um curriculo excepcional. Não seria mais democrático se todos os inscritos pudem participar da prova, como o Estadão faz? Existe algum projeto nesse sentido?
(05:13:47) Ana Estela: Bruna, o que é um currículo excepcional?? Se você olhar as últimas turmas, verá que há todo tipo de gente, com formações das mais variadas, de vários Estados do país. Tem lugar para todos no treinamento. Sim, seria bom poder fazer o teste com todos, mas como reunir 3.000 candidatos? E como corrigir 3.000 provas? As provas da Folha procuram avaliar o texto dos candidatos, por isso não são só de múltipla escolha. Por isso, não é possível testar todo mundo que se inscreve... =/
(05:14:17) paula fala para Ana Estela: O programa não exige que o candidato seja jornalista para fazer o curso. Vc acha correto sendo que o curso é para atividade jornalística? Um não-jornalista, em tese, só vai trabalhar em redação dentro da FSP, não?
(05:15:10) Ana Estela: Paula, em tese, talvez, já que a Folha é a única (ou uma das únicas) que se opõe claramente à obrigatoriedade do diploma. Mas garanto para você que em toda grande Redação do país hoje há jornalistas sem diploma. Muitos deles foram meus trainees, hehehehe
(05:15:28) Aluap fala para Ana Estela: O que você mais sente falta nos candidatos de hoje? seria a falta de leitura ou cultura?
(05:15:28) Ana Estela: Aluap, é difícil dizer o que MAIS falta, mas, sim, as deficiências que vc aponta aparecem bastante. Uma que, infelizmente, também aparece, é não saber escrever corretamente...
(05:16:29) João Vitor Mazini fala para Ana Estela: Como estudante de jornalismo, seiq ue a Folh é m dos veículos mais almejados por todo acadêmico. O programa Trainee, é o único meio de um iniciante ser admitido no jornal?
(05:17:12) Ana Estela: Não é, não, João. O jornal também abre concursos com freqüência, seja para cobrir férias, seja para contratar. Só no ano passado, foram mais de 50, mais de um por semana. Também é possível fazer frilas eventuais, principalmente nos cadernos semanais e suplementos
(05:17:19) Gabriela fala para Ana Estela: Boa tarde Ana! Queria saber de você, como ex-trainne e agora coordenadora do treinamento, quais foram as maiores dificuldades do programa nestes 20 anos?
(05:18:12) Ana Estela: Gabriela, essa é difícil, em!? Dificuldade pra quem? Pra Folha ou para os trainees? Para os trainees, acho que deve ter sido me aturar quando eu virei editora,há dez anos. Eu era muito chata!!!!
(05:18:18) Bruno fala para Ana Estela: O o treinamento é em período integral? Em caso do treinee ser aproveitado pelo veículo, você sugere que este faça o curso em que período?
(05:19:31) Ana Estela: Sim, Bruno, é em período integral. Impossível fazer menos que isso. Por exemplo, se num dia o exercício é apurar uma pauta que você mesmo sugeriu, você precisa de pelo menos sete horas. Às vezes mais. Sobre o período do curso, nas Redações diárias, o trabalho costuma ser mais à tarde e à noite. Já nos on-line, há todo tipo de horário. Portanto, depende muito...
(05:19:37) Gabriela fala para Ana Estela: Ana, quais foram as transformações que o programa teve após a existência do blog na internet. Existe um intercâmbio de conteúdos entre trainnes e leitores? Ajudou ou piorou (por questão de mais trabalho?)
(05:20:19) Ana Estela: Piorou, com certeza (hahaha). Brincadeira! É muito trabalho, mas eu adoro!
(05:20:25) Déborah Hernandes fala para Ana Estela: Qual a carga horária os meninos trabalham?
(05:21:06) Ana Estela: Déborah, eles não trabalham, tá!? Mas o treinamento dura, em geral, das 10h às 19h.
(05:21:18) Eduardo.... fala para Ana Estela: Ola, quem vc considera a pessoa ideal para fazer o curso? idade, formacao? objetivos? pefil?
(05:22:14) Ana Estela: Eduardo, o que interessa é saber pensar e saber escrever. E ser curioso, interessado, ter vontade de aprender. Pode ser novo, velho, azul, vermelho ou amarelo. Pode até ser corintiano (hahaha, brincadeirinha, tá????)
(05:22:21) Bruno Cruz fala para Ana Estela: Ana, qual a maior dificuldade dos trainees? Você acha que hoje em dia o jovem sai preparado da faculdade?
(05:23:35) Ana Estela: Bruno, ninguém sai "preparado" de nenhuma faculdade. É preciso trabalhar muito pra se sentir "preparado". No mínimo uns dois anos pra deixar de ter pesadelos todo dia se achando um inútil desastrado. Sério! O Luiz Fernando Veríssimo fez uma charge neste domingo muito divertida, pelo menos pra mim, em que ele diz isso: não há muito segredo pra ter sucesso nas coisas --é preciso trabalhar muito.
(05:23:46) Bruno Cruz fala para Ana Estela: Ana, entre os selecionados há basante equilibrio entre homens e mulheres. Mas o conselho editorial da Folha, por exemplo, só tem homens. Vc acha que o jornalismo ainda é machista?
(05:25:53) Ana Estela: Bruno, o conselho editorial só tem homem, mas editora-executiva do jornal é mulher!!!! Bem, não acho que haja machismo, não. Pelo menos na Folha, que eu conheço melhor. E, dos 3.000 candidatos ao treinamento na última turma, 2.000 eram mulheres. Ou seja, talvez esse quadro se inverta no futuro. Mas, só pra acrescentar, o conselho editorial tem um caráter apenas aconselhativo, como diz o próprio nome. Não dirige o jornal nem dá palpite no dia-a-dia. Já a editora-executiva, essa manda, mesmo, hehehe!
(05:26:00) Déborah Hernandes fala para Ana Estela: Ana, vi na ficha de inscrição a parte de línguas. necessáriamente eu preciso ter noçoes básicas para me inscrever?
(05:27:26) Ana Estela: Não, Déborah, não é. Sua ficha não vai ser barrada, por exemplo, se vc deixar tudo em branco nessa área. Só é preciso lembrar que é uma seleção comparativa, né, e se pessoas com vários quesitos parecidos se inscreverem, mas uma tiver mais conhecimento de línguas, isso contará a favor dela
(05:28:08) AdrianaCruz fala para Ana Estela: Olá Ana! Boa tarde. Gostaria de saber se você se lembra de algum trainees entre os que você ajudou a coodenar e seja um jornalista de destaque hoje na Folha? Para o jovem jornalista, não seria mais aconselhável buscar experiência em redações de veículos de menor porte?
(05:29:40) Ana Estela: O Vinicius Mota é o editor de Opinião, responsável pelos editoriais. O Roberto Dias é editor-adjunto de Brasil. O Alencar Izidoro é um repórter de muito destaque em Cotidiano. A Flavia Mantovani é editora-interina de Equilíbrio. Mas estou cometendo uma injustiça ao citar esses, porque todos são muito bons, muito talentosos, a maioria tem muito destaque, e gastaria todo nosso tempo falando deles (deu pra ver que eu sou coruja, né???)
(05:29:52) Helen fala para Ana Estela: Como faz com estudantes de outros estados?
(05:30:22) Ana Estela: A Folha hospeda durante o programa. Há uma ajuda de custo para alimentação e transporte. Era isso que vc queria saber?
(05:30:42) Fernanda fala para Ana Estela: Seus trainees passam pela FOlha Online, coisa que não exisitia no começo do programa? Com certeza a internet tem um ritmo bem diferente de apuração, não tem?
(05:31:31) Ana Estela: Nossa, Fernanda, é totalmente diferente. Quando resolvi incluir isso no treinamento, fui cobaia, para entender como era. A Ligia, minha chefe, arrancou minha pele!!! Quase morri com o ritmo. Mas, no terceiro dia, já estava acostumada.
(05:31:43) everton_sp fala para Ana Estela: A oportunidade que a Folha oferece é inegavelmente importante para nós, futuros jornalistas. Mas a pergunta que lhe facão é: um jornal impresso tem a sua estrutura engessada pelo fato de ser diário, quase que factual. Houve alguma espécie de sugestão ou inovação que os treinees porventura sugeriram que a Folha de alguma forma implantou?
(05:32:38) Ana Estela: Everton, sua pergunta se refere a sugestões que eles tenham dado durante o treinamento? Ou depois, quando já estavam na Folha?
(05:32:38) Jornalista-28 fala para Ana Estela: Ana, entendo que a Folha seja contra o diploma, mas não há uma distorção no curso quando se pretere os jornalistas de formação em nome de pessoas que fizeram outros cursos de graduação e, por algum motivo qualquer, resolveram do nada serem jornalistas e resolveram participar do processo de seleção do trainee da Folha? Questiono isso porque a chance de se obter um bom jornalista, a princípio, está em quem fez jornalismo pq desde sempre essa pessoa quis ter essa profissão...
(05:34:30) Ana Estela: Veja, não é que a gente prefira quem é de outra área. Mas o que eu acho é que, para ser jornalista, é preciso saber perguntar, saber hierarquizar informação e saber contar histórias.´E essas qualidades existem em muitas pessoas que não cursaram jornalismo. Mas eu tenho excelentes trainees que fizeram jornalismo. Da atual turma de 11, só 2 são de outras áreas.
(05:34:36) lele fala para Ana Estela: atpe quantos anos de formada pode ter para participar desse treinamento da Folha? pergunto pq jah sou formada ha cinco anos, me envolvi com outras atividades, no entanto quero voltar ao jornalismo, mas nao tenho experiência.
(05:34:54) Ana Estela: Bem-vinda, Lele. Não há limite!!
(05:35:06) Rodrigo Fayad fala para Ana Estela: Ana, os jornalistas escolhidos para trainee de outros estados tem como critério a necessidade do sucursal da região ou não, eles concorrem de igual com os candidados de São Paulo? Para fazermos a prova precisamos ir para SP?
(05:36:19) Ana Estela: Nunca entra como critério a necessidade do jornal. O treinamento não serve para preencher buracos do jornal, mas para formar gente talentosa e interessada. Depois, eles encontram um lugarzinho pra chamar de seu, conforme as chances forem aparecendo... E está cheio de gente de outros Estados aqui na Redação em SP...
(05:36:25) paula fala para Ana Estela: As redações trabalham com não-jornalistas de uma época que não se exigia diploma. Mas a grande imprensa está mudando isso, assim como reduziu a contratação de freelas por medo de fiscalização. Como vcs lidam com a fiscalização sindical?
(05:37:15) Ana Estela: Ih, Paula, essa eu vou ter que passar para o departamento pessoal! =) Graças-a-deus, nunca vi um fiscal na frente!!!!
(05:37:39) estudante_eca fala para Ana Estela: oi ana, como você vê a diferença de formação dentre os novos trainees? vê diferenças significativas dentre os formadous ou estudantes de jornalismo e de outras áreas? e dentre os formados em jornalismo, quais faculdades pesam mais positivamente no desempenho do pretendente?
(05:38:37) Ana Estela: Difícil dizer, assim, no geral. Há gente mais e menos preparadas vindo de todas as áreas. Até mesmo nas faculdades mais prestigiadas, como a ECA, a formação varia muito...
(05:39:07) Ana Estela: Ops, sobrou um s na resposta acima.
(05:39:13) CFKane fala para Ana Estela: Sou estudante de jornalismo, considero que escrevo bem, mas tenho dificuldades em apurar - sou tímido, um entrevistado facilmente se impõe sobre mim, muitas vezes penso em perguntas excelentes muito depois de a entrevista ter acado (seja com fontes ou com entrevistados de fato). Esse tipo de problema é insolúvel, só a experiência resolve, ou há alguma outra saída?
(05:40:07) Ana Estela: Cidadão Kane, às vezes, nem a experiência resolve... Mas não se aflija, pois há muita coisa pra fazer em jornalismo, não é só de entrevistar os outros que a gente vive.
(05:40:31) Fernanda fala para Ana Estela: Ana e depois de passar por todo o processo de treinamento, comó é feito o encaminhamento dos 'meninos' para as diversas editorias?
(05:40:38) Ana Estela: Mas vou anotar a sua pergunta e pensar em algumas dicas para pôr no blog, tá?
(05:40:44) Ana Estela: Esta parte aí de cima era pro CFK
(05:41:08) Ana Estela: Fernanda, quando aparecem vagas, o jornal abre concurso e eles participam.
(05:41:20) estudante_eca fala para Ana Estela: há casos de pretendentes com ótima formação cultural, bom conhecimento em diversas áreas, sem o preparo ou aquela "manha" prática? e o contrário também? o que é mais vantajoso e como equilibrar essas diferenças?
(05:41:20) Ana Estela: Ou seja, nem sempre é para a editoria do sonho deles. Mas aos poucos, tudo vai se ajeitando
(05:41:48) Ana Estela: Sim, há, e é bom que haja, porque assim uns se ajudam aos outros
(05:42:00) Ana Estela: Ih, gente, desculpem a bagunça =/
(05:42:13) Bruno Cruz fala para Ana Estela: Vc acha ue a internet mudou muito a dinâmica das redações?
(05:42:51) Ana Estela: Bruno, facilitou muito a pesquisa, né? Mas às vezes atrapalha, porque tem repórter novo que perde horas procurando algo que teria conseguido com um telefonema, em dois minutos
(05:42:57) Hermano fala para Ana Estela: Ana, vc poderia falar sobre os postos mais "técnicos" que um recém contratado pode vir a ocupar provisoriamente?
(05:43:27) Ana Estela: Hermano, não sei bem o que é posto mais "técnico", mas um recém-contratado pode ser repórter ou redator, basicamente.
(05:43:33) Rodrigo Fayad fala para Ana Estela: O Globo está fazendo pela primeira vez um curso de trainee aqui em Brasília. Primeiro abrirá para estágio, durante seis meses, e depois será selecionado para trainee. Por que não há estagiários nem trainee na Folha em Brasília e outras sucursais? Os jornalistas têm que sair de SP ou Rio.
(05:45:18) Ana Estela: Rodrigo, não há estagiários na Folha. E o que a gente chama --indevidamente-- de trainee não é o que as outras empresas chamam --corretamente-- de trainee... Um trainee é um estagiário de luxo, digamos. Um contratado da empresa que ainda está em aprendizagem. De qualquer forma, para participar do treinamento da Folha, não é preciso ser de SP ou do Rio, não. Já tive vários trainees de BSB
(05:45:25) Bruno fala para Ana Estela: Um treinee, para ser aproveitado pelo veículo, tem necessariamente que passar por um concurso?
(05:46:15) Ana Estela: Na Folha, para ser contratado, é preciso passar por concurso. Os trainees passam pela seleção do programa, o que já pode ser considerado como uma das fases do concurso (teste), mas há sempre uma entrevista com a direção do jornal
(05:46:15) Letícia fala para Ana Estela: Eu andei dando uma olhada nas ultimas provas e parte sobre atualizadades é muito específica. Você não acha que esse tipo de prova tende a privilegiar quem tem boa memória ao invés de quem tem raciocínio lógico?
(05:46:51) Ana Estela: Letícia, eu tento fazer com que não seja assim. Mas, se você acha isso, vou refletir mais ainda na próxima prova
(05:47:15) estudante_eca fala para Ana Estela: a idade pesa para uma pessoa iniciar na área de jornalismo? começar na faixa dos, digamos, 28 anos pra cima, sem experiência prévia, pesa negativamente numa eventual contratação? como vê essa questão?
(05:47:48) Ana Estela: Ah, é mais difícil, sim. Não vou dizer que não é. Mas não é impossível. Já tive trainees com mais de 30 anos que depois trabalharam na Folha
(05:48:30) Juliana fala para Ana Estela: Oi Ana. Eu gostaria de saber porque o processo de seleção do treinamento não inclui apresentação de uma matéria já publicada ou pelo menos escrita pelo candidato. A própria Folha cobra isso nos concursos abertos no site e acho que é a forma mais exata de selecionar um jornalista já que é possível ver algo escrito por ele, como matéria.
(05:49:12) Ana Estela: Juliana, é porque, nos concursos, procuramos jornalistas com experiência. No treinamento, não. Aceitamos até quem jamais tenha escrito um lide na vida...
(05:49:36) Ashes fala para Ana Estela: Ana, Boa Tarde! Ultimamente esta sendo melhor o Jornalista direcionar o seu aprendizado para uma area especifica, ou ainda impera o "especialista em generalidades"?
(05:50:01) Ana Estela: Ashes, tem lugar pra todo mundo! Ainda bem!
(05:50:07) bruno pergunta para Ana Estela: Ana, boa tarde! Pelo o que vejo no blog o dia a dia de voces é como o dia uma redação. O que os meninos produzem é uma espécie de simulação ou fazem sempre como se estivessem fazendo para o Folha?
(05:50:44) Ana Estela: Ih. Essa pergunta voltou? Acho que já respondi lá em cima.
(05:50:44) Hermano fala para Ana Estela: Ana, me referia às opcões na ficha de inscrição, tipo tradução de material das agências... Acho que trabalhar na atualização da Folha online seria uma coisa um pouco "técnica" não?
(05:52:15) Ana Estela: Ah, entendi!!! Aquela parte da ficha serve para termos uma idéia das afinidades dos candidatos. Ninguém no jornal fica só fazendo tradução! Mas queremos ter uma idéia de se os candidatos gostam mais de apurar, mais de trabalhar com texto etc. Claro, todo mudno pode mudar de idéia depois, hehehe
(05:52:27) Bruno fala para Ana Estela: Qual a exigência da seleção quanto ao número de línguas faladas?
(05:52:46) Ana Estela: Não há. Mas uma é fundamental!! Adivinha??! Português, claro!
(05:52:58) Juliana fala para Ana Estela: Ana, na ficha do programa de treinamento tem uma parte para "experiências pessoais". Que tipo de experiências interessam ao programa?
(05:53:25) Fátima Bonner fala para Todos: O treinamento é remunerado?
(05:53:56) Ana Estela: Juliana, a gente quer ter uma idéia do que os candidatos valorizam na vida. Não há experiências que interessem mais ou menos. A gente só quer conhecer um pouco melhor os candidatos e ver como eles contam sua história
(05:54:08) Fernanda fala para Ana Estela: os trainees participam de exercicios com noticias factuais, Ana? Por exemplo o caso Isabella, como estao sendo os exercicios?
(05:54:45) Ana Estela: Fernanda, em alguns dias, eles foram até para a porta da delegacia!!! =O A Cris escreveu sobre esse dia no blog. Depois, se vc puder, dê uma olhadinha lá
(05:54:45) Jacqueline fala para Ana Estela: De quanto em quanto tempo acontece o treinamento?
(05:54:53) Ana Estela: Duas vezes por ano
(05:55:11) estudante_eca fala para Ana Estela: não é meio "pesado" alguém ser qualquer experiência profissional no jornalismo logo partir para uma "folha"? não é muito cedo para entrar na "toca dos leões"? vi recentemente uma entrevista de roberto cabrini, dizendo, para um iniciante, para começar em veículos menores, locais, até adquirir maturidade. então fica o dilema...
(05:56:17) Eduardo.... sai da sala...
(05:56:29) Fabio Ribeiro entra na sala...
(05:56:41) Ana Estela: Boa pergunta. Nos EUA, onde há milhares de jornais, é possível fazer essa escalada lenta e gradual. Mas, no Brasil, não há muita opção. Você tem que começar onde conseguir começar, e quanto melhor for o veículo, melhor para você. Obviamente seu editor terá que saber o que pode ser passado para você e o que é melhor não passar, pois iria quiemá-lo
(05:56:41) poderosa fala para Ana Estela: Ana, como você qualificaria o perfil do candidato que a Folha busca?
(05:56:53) Fabio Ribeiro sai da sala...
(05:56:59) Ana Estela: A Folha gosta de todos os perfis. Quanto mais diferentes forem as pessoas, melhor pro jornal
(05:58:00) Ana Estela: Gente, foi muito legal conversar com vocês. Quem quiser fazer mais perguntas ou mandar sugestões, o que for, pode fazer isso no blog, tá? Fica aqui mesmo na Folha Online. Boa noite a todos!
(05:58:12) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Ana Estela de Sousa Pinto e de todos os internautas. Até o próximo!
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