Irmão de Dorothy Stang diz que Bida faz pouco da memória da freira
PABLO SOLANO
da Agência Folha, em Hortolândia
David Stang, 70, irmão de Dorothy, afirmou que Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, "faz pouco" da memória da freira assassinada ao dizer que ela, se conhecesse Bida, o teria como amigo. Para David, o caso deve ser tratado por instâncias federais para que não fique impune.
"Ele é acusado de promover crimes ambientais, de explorar trabalho escravo e foi julgado pelo assassinato de minha irmã. Como ele pode dizer algo desse tipo?", afirmou David ontem em Hortolândia (109 km de SP), onde está para participar da inauguração do parque Irmã Dorothy. A volta dele para os Estados Unidos está marcada para a noite de hoje.
"Minha irmã não acreditava em crimes ambientais, em escravidão e assassinato."
Em entrevista publicada ontem pela Folha, Bida afirmou que a freira assassinada não teria motivo para ter raiva dele. "Se eu tivesse conhecido [Dorothy], pode ter certeza que ela teria um amigo na região", disse o fazendeiro.
Quando trata Bida como um criminoso ambiental, David se refere à denúncia feita por Dorothy em junho de 2004. Naquele momento, a freira sustentou na Procuradoria da República que Bida e Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, outro acusado de encomendar o assassinato, desmataram ilegalmente área utilizada pelo assentamento Esperança, em Anapu (PA), mesmo local em que ela foi assassinada.
O fato fez Bida ser multado pelo Ibama.
O nome de Bida também pode ser encontrado na lista suja do trabalho escravo, montada pelo governo federal. Quase um ano e meio depois do assassinato da missionária, o Ministério do Trabalho libertou 20 trabalhadores em condições análogas à escravidão na fazenda Rio Verde, em Anapu, de propriedade de Bida.
O irmão de Dorothy afirma que a família "abraça" a idéia da "federalização do caso" defendida por advogados que auxiliam o Ministério Público do Pará na acusação contra os supostos mandantes.
"Toda minha família e todos os envolvidos neste caso estão implorando para que seja feita justiça", disse.
David Stang afirma que não encontra explicação para o fato de o júri ter inocentado Bida.
"A argumentação do promotor foi muito bem apresentada, melhor que no último julgamento. E como ele podia perder? E o que vou dizer para meus irmãos, minhas irmãs e a imprensa dos EUA?", disse.
Na opinião de David, Regisvaldo Pereira Galvão, o Taradão, deve ser levado o mais rápido possível para o banco dos réus. Ele conseguiu um habeas corpus em 2006 do Supremo Tribunal Federal e aguarda o julgamento em liberdade.
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