Alckmin quer apoio de Serra, mas defende prévias em 2010
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
da Folha de S.Paulo
Em campanha pela Prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin, 55, afirma que só "mais adiante" definirá para quem irá o seu apoio na disputa interna do PSDB pelo direito de concorrer à Presidência em 2010. Apesar disso, Alckmin avalia que o governador paulista, José Serra, um dos postulantes, vai participar de sua campanha a prefeito.
"Ele é um homem de partido. O PSDB não é ficção." Se eleito, ele diz que estará fora do páreo e que trabalhará pelo entendimento entre Serra e o governador Aécio Neves (MG). Caso a união não vingue, Alckmin acha que as prévias podem ser uma solução.
FOLHA - Por que senhor, já tendo sido governador e candidato a presidente, quer concorrer à prefeitura?
GERALDO ALCKMIN - No ano 2000, eu disputei a prefeitura da capital do Estado e não cheguei ao segundo turno por um milésimo, algo em torno de 7.000 votos. Tenho um grande amor pela cidade e pelo povo de São Paulo. Além disso, sou um estudioso das questões da cidade, entendo que esse é um belíssimo desafio. Portanto, ouvi o povo e ouvi o meu partido, o PSDB, que pela sua maioria absoluta defendeu a candidatura própria. Estou disposto a trabalhar pelas pessoas.
FOLHA - Como o sr. avalia as duas últimas administrações da capital?
ALCKMIN - Todas as administrações dão passos no sentido de avançar. É uma corrida de revezamento. Eu não pretendo fazer uma campanha com os olhos voltados para o passado, com críticas. Quero falar do futuro, dos próximos quatro anos, do dia-a-dia das pessoas. Com a visão de uma cidade-Estado. As questões maiores são a mobilidade, o sofrimento do povo com o transporte coletivo, com o trânsito, que piora gradativamente. Além disso, a educação infantil, a área da saúde, a moradia, enfim, temas que interessam à população.
FOLHA - O sr. não acha que aos olhos da população será difícil explicar o motivo de o PSDB, que está na administração Kassab, lançar um candidato para concorrer com ele?
ALCKMIN - Nós daremos continuidade ao programa do PSDB, aos avanços importantes que ocorreram, mas vamos implementar novas propostas, olhar para o futuro. Não se discute o governo que se encerra em 31 de dezembro. O grande debate são os próximos quatro anos. Política é também destino.
FOLHA - Muita gente diz que entre o sr., a Marta e o Kassab, qualquer um que vencer ficará só dois anos.
ALCKMIN - O meu compromisso é ficar quatro anos. A administração municipal é mais perto do povo, tenho vocação para isso. Mas esse argumento vale menos no meu caso, até porque eu sou o que menos precisa ser prefeito se quiser ser candidato a governador ou a presidente.
FOLHA - Na última reunião da sigla, os vereadores pediram que o sr. não concorresse, para apoiar Kassab. Não teme uma reviravolta na convenção?
ALCKMIN - Vejo de forma muito positiva o novo momento do PSDB. As divergências são naturais, democracia não é unanimidade. É bom que haja debate, foi um momento importante da história do partido. Possíveis excessos têm a minha reprovação, seja de quem for. Nosso partido sempre teve candidato a prefeito de São Paulo, desde 1988, mesmo nos momentos mais difíceis.
FOLHA - Muito se diz que Serra não está engajado na pré-campanha.
ALCKMIN - Eu não tenho a menor dúvida do empenho do governador na campanha. Como eu, ele é fundador do PSDB. Ele é um homem de partido. O PSDB não é uma ficção, é um partido real. A candidatura própria será o grande momento de união aqui em São Paulo. Eu fico triste quando vejo essa história de "alckmistas", "serristas", o que existe são tucanos.
FOLHA - Como o PSDB deve caminhar para a sucessão de Lula?
ALCKMIN - Eleito prefeito, eu não serei candidato a nada em 2010. Pretendo fazer um bom governo e trabalhar para unir o partido para que nós possamos vencer as eleições. Temos grandes chances. A reeleição causa um grande desequilíbrio. Eu vou ter posição, mas não agora, lá na frente. E vou ter a posição junto com o partido, vou trabalhar para unir os dois, aliás, não só eles, o senador Arthur Virgílio também, que se coloca como candidato. Unir todo o partido. Agora, se você tem candidaturas legítimas, quanto mais você democratizar a decisão, ouvir o sentimento do partido, mais acerta.
FOLHA - O sr. é favorável a prévias?
ALCKMIN - Os acordos de cúpula vão ficar no passado. Entendo que você tem várias formas de fazer uma ausculta mais ampla, a prévia é uma delas.
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SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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