Brasil
10/05/2008 - 11h00

Alckmin quer apoio de Serra, mas defende prévias em 2010

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
da Folha de S.Paulo

Em campanha pela Prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin, 55, afirma que só "mais adiante" definirá para quem irá o seu apoio na disputa interna do PSDB pelo direito de concorrer à Presidência em 2010. Apesar disso, Alckmin avalia que o governador paulista, José Serra, um dos postulantes, vai participar de sua campanha a prefeito.

"Ele é um homem de partido. O PSDB não é ficção." Se eleito, ele diz que estará fora do páreo e que trabalhará pelo entendimento entre Serra e o governador Aécio Neves (MG). Caso a união não vingue, Alckmin acha que as prévias podem ser uma solução.

FOLHA - Por que senhor, já tendo sido governador e candidato a presidente, quer concorrer à prefeitura?
GERALDO ALCKMIN - No ano 2000, eu disputei a prefeitura da capital do Estado e não cheguei ao segundo turno por um milésimo, algo em torno de 7.000 votos. Tenho um grande amor pela cidade e pelo povo de São Paulo. Além disso, sou um estudioso das questões da cidade, entendo que esse é um belíssimo desafio. Portanto, ouvi o povo e ouvi o meu partido, o PSDB, que pela sua maioria absoluta defendeu a candidatura própria. Estou disposto a trabalhar pelas pessoas.

FOLHA - Como o sr. avalia as duas últimas administrações da capital?
ALCKMIN - Todas as administrações dão passos no sentido de avançar. É uma corrida de revezamento. Eu não pretendo fazer uma campanha com os olhos voltados para o passado, com críticas. Quero falar do futuro, dos próximos quatro anos, do dia-a-dia das pessoas. Com a visão de uma cidade-Estado. As questões maiores são a mobilidade, o sofrimento do povo com o transporte coletivo, com o trânsito, que piora gradativamente. Além disso, a educação infantil, a área da saúde, a moradia, enfim, temas que interessam à população.

FOLHA - O sr. não acha que aos olhos da população será difícil explicar o motivo de o PSDB, que está na administração Kassab, lançar um candidato para concorrer com ele?
ALCKMIN - Nós daremos continuidade ao programa do PSDB, aos avanços importantes que ocorreram, mas vamos implementar novas propostas, olhar para o futuro. Não se discute o governo que se encerra em 31 de dezembro. O grande debate são os próximos quatro anos. Política é também destino.

FOLHA - Muita gente diz que entre o sr., a Marta e o Kassab, qualquer um que vencer ficará só dois anos.
ALCKMIN - O meu compromisso é ficar quatro anos. A administração municipal é mais perto do povo, tenho vocação para isso. Mas esse argumento vale menos no meu caso, até porque eu sou o que menos precisa ser prefeito se quiser ser candidato a governador ou a presidente.

FOLHA - Na última reunião da sigla, os vereadores pediram que o sr. não concorresse, para apoiar Kassab. Não teme uma reviravolta na convenção?
ALCKMIN - Vejo de forma muito positiva o novo momento do PSDB. As divergências são naturais, democracia não é unanimidade. É bom que haja debate, foi um momento importante da história do partido. Possíveis excessos têm a minha reprovação, seja de quem for. Nosso partido sempre teve candidato a prefeito de São Paulo, desde 1988, mesmo nos momentos mais difíceis.

FOLHA - Muito se diz que Serra não está engajado na pré-campanha.
ALCKMIN - Eu não tenho a menor dúvida do empenho do governador na campanha. Como eu, ele é fundador do PSDB. Ele é um homem de partido. O PSDB não é uma ficção, é um partido real. A candidatura própria será o grande momento de união aqui em São Paulo. Eu fico triste quando vejo essa história de "alckmistas", "serristas", o que existe são tucanos.

FOLHA - Como o PSDB deve caminhar para a sucessão de Lula?
ALCKMIN - Eleito prefeito, eu não serei candidato a nada em 2010. Pretendo fazer um bom governo e trabalhar para unir o partido para que nós possamos vencer as eleições. Temos grandes chances. A reeleição causa um grande desequilíbrio. Eu vou ter posição, mas não agora, lá na frente. E vou ter a posição junto com o partido, vou trabalhar para unir os dois, aliás, não só eles, o senador Arthur Virgílio também, que se coloca como candidato. Unir todo o partido. Agora, se você tem candidaturas legítimas, quanto mais você democratizar a decisão, ouvir o sentimento do partido, mais acerta.

FOLHA - O sr. é favorável a prévias?
ALCKMIN - Os acordos de cúpula vão ficar no passado. Entendo que você tem várias formas de fazer uma ausculta mais ampla, a prévia é uma delas.

Comentários dos leitores
daniel carvalho (20) 15/05/2008 21h37
daniel carvalho (20) 15/05/2008 21h37
SAO PAULO / SP
O PT fez uma idiotice aceitar o PSB em BH sem ganahr nada em troca do PSB. O certo seria aceitar apenas com a condição de o PSB paulistano apoiar a candidatura da Marta na cidade. sem opinião
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Mariano Ferreira (10) 15/05/2008 21h35
Mariano Ferreira (10) 15/05/2008 21h35
Em Minas se constrói um estado com eficiência e visão de futuro.
Todas as cidades de Minas estão recebendo telefonia celular.
Todas as cidades de Minas estão sendo ligadas por estradas asfaltadas.
Minas é o Estado que mais cresce e atrai investimentos.
Todas as rodovias de Minas estão sendo recuperadas (as estradas estaduais, é claro, já que as BRs são de responsabilidade do Governo Federal - infelizmente).
Em Minas todas as escolas estaduais estão sendo reformadas.
Em Belo Horizonte, Aécio e Pimentel estão construindo o maior conjunto de obras públicas da história do Estado - viadutos, saneamento, habitação popular e por ai vai.
Marcio Lacerda é a certeza de manutenção deste sucesso.
Parabéns Belo Horizonte!!!!
sem opinião
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Valmir Fernandes Silva (5) 15/05/2008 21h25
Valmir Fernandes Silva (5) 15/05/2008 21h25
GAMA / DF
Uma jogada certeira da oposição(PSDB E CIA).
Minas será o 2º maior colégio eleitoral do país.
Para quê?
A fragilidade do PT já era esperada.
Isto deve ocorrer em outros Estados.
Seu líder maior(Lula)encontra-se desacreditado,possui créditos apenas no nordeste)
O desespero do falso socialismo, alia-se a quem primeiro bater o martelo.
Como disse, o PT/esquerda está fafdado a 50 anos de esquecimento, como foi no passado.
Oportunidades para impor-se no cenário da américa latina não faltou.
Ateram-se à roubalheira ao invés de construir um projeto de décadas.
sem opinião
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