Oposição diz que BB não quer passar dados de Lula para a CPI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A oposição acusou nesta terça-feira o Banco do Brasil de sonegar informações enviadas à CPI dos Cartões Corporativos com gastos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com cartões. Os sub-relatores Índio da Costa (DEM-RJ) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) afirmaram que apenas o TCU (Tribunal de Contas da União) recebeu as informações integralmente do banco de dados do governo com cartões corporativos, ao contrário do que ocorreu com a CPI.
Na opinião dos deputados, os dados foram retirados para não "constranger" o presidente Lula, uma vez que são semelhantes aos gastos executados pelo ex-presidente FHC, que estão no dossiê.
"O dossiê continha dados semelhantes a esses que foram suprimidos dos encaminhados à CPI. Esses gastos poderiam constranger o presidente Lula a exemplo que foi feito com FHC no dossiê", diz Sampaio.
"As informações que foram suprimidas pelo Banco do Brasil são as mesmas informações que foram divulgadas no dossiê, isso é gravíssimo. Esta Casa está sendo desrespeitada pelo Poder Executivo. O Banco do Brasil deve vir aqui, sim, sentar e esclarecer. Senão, as dúvidas serão maiores do que temos hoje", afirmou Índio.
Apesar das acusações dos sub-relatores, a base aliada do governo rejeitou por nove votos a três requerimento de convocação de um dos diretores do Banco do Brasil para explicar a "incoerência" nos dados.
Os governistas defendem que a comissão encaminhe apenas um pedido de informações ao banco para esclarecer as dúvidas. Caso não sejam esclarecidas, os governistas admitem convocar o diretor do banco.
A base aliada argumenta que os dados não foram encaminhados à CPI porque eram sigilosos --por isso seguiram apenas ao TCU. Sampaio e Índio afirmaram, no entanto, que o próprio governo já afirmou que os documentos não são sigilosos.
"Tanto o material encaminhado à CPI quanto ao TCU não são sigilosos. A informação que eu tenho é de que comandos foram dados ao longo dos trabalhos investigativos da CPI para que determinados CPFs fossem retirados [do envio à CPI]. Se comandos existiram, partiu de algum órgão do governo. Essa dúvida de que os documentos são sigilosos ou não precisam ser esclarecidas", cobrou Sampaio.
O deputado Carlos Willian (PTC-MG) argumentou que a comissão não pode aprovar o requerimento sem saber, detalhadamente, quais dos diretores do Banco do Brasil será convocado a depor.
No requerimento inicial, a oposição cobra o depoimento do presidente do banco. Sampaio, no entanto, aceitou trocar o enunciado para que um dos diretores da instituição prestasse depoimento. Apesar da modificação, os governistas rejeitaram por ampla maioria o requerimento de Sampaio.
Leia mais
- Entenda o caso do dossiê anti-FHC
- Oposição quer ouvir Dilma na CPI; base tenta trazer Álvaro Dias e seu assessor
- Assessor de tucano depõe à PF sobre vazamento de dossiê
- Servidor que vazou o dossiê pede afastamento do governo, diz Jucá
- Assessor de Álvaro Dias se coloca à disposição da CPI dos Cartões para depor
- André Singer relata em livro formação do Partido dos Trabalhadores; leia introdução
Livraria
- Livro de Eugenio Bucci revela bastidores do poder em Brasília
- Livro reúne balanço de bens de políticos
- Obras da série "Folha Explica" discutem política e eleições
- Cientista traça perfil social e político da Câmara em livro
- Frederico Vasconcelos ensina como investigar governos, empresas e tribunais
Especial

avalie fechar
"Segundo o parecer da Procuradoria, "com exceção das imputações feitas nas referidas representações --imputações que não se confirmaram-- não consta dos autos sequer indícios da participação da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ministro da Justiça Tarso Genro e do ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da República, nos fatos noticiados, nenhuma prova de que partiu da primeira a ordem para a elaboração do dossiê ou para a divulgação dos dados, nem da omissão dos demais na apuração dos fatos". "
Tá bom, vou fazer de conta que eu acredito.
avalie fechar
Só espero que o senado barre essa aquisição do TCU. Se for eleição 50% + 1 ela tá dentro, mas se tiver que ser 2/3 do senado, temos alguma chance para que isso não ocorra.
Prefiro o Múcio, pois não é fiel a ninguém, só a ele mesmo e assim alguma falcatrua sempre sobra e nós ficamos sabendo e podemos pressionar, com a Eunice isso não aocnteceria, apenas o que fosse oposição, o que fosse da casa seria suprimido.
avalie fechar