Serra diz que investigações de contratos da Alstom dependem do exterior
MARIANA SANT'ANNA
colaboração para a Folha Online
O governador José Serra (PSDB) afirmou, nesta terça-feira, que aguarda mais informações sobre os contratos da Alstom com seis empresas ligadas ao governo para orientar as investigações.
"O Ministério Público abriu investigação e nós estamos aguardando os elementos virem da Suíça, porque até agora só temos o que saiu no jornal", disse Serra.
Segundo ele, o secretário Luiz Antonio Marrey (Justiça) enviou uma carta ao ministro Tarso Genro (Justiça) pedindo que coloque à disposição as informações que tenha sobre os contratos, e peça outras para as autoridades estrangeiras.
"Nós estamos aguardando todos os elementos para promover a necessária defesa do patrimônio do Estado", afirmou Serra.
Investigações
O Ministério Público Estadual vai investigar contratos da Alstom com o Metrô, CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Cesp (Companhia Energética de São Paulo), Eletropaulo, Sabesp (a companhia estadual de água e saneamento) e CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista).
A Alstom, uma das maiores empresas do mundo nas áreas de energia e de transportes, está sob investigação na França, onde fica sua sede, e na Suíça por suspeitas de ter pago propina para ganhar contratos no Brasil, na Venezuela e em Cingapura.
Reportagem do jornal americano "Wall Street Journal", publicada na semana passada, revelou que as promotorias têm entre os contratos suspeitos um do Metrô de São Paulo.
De acordo com o jornal, a Alstom teria pago US$ 6,8 milhões para obter um contrato de US$ 45 milhões com o Metrô --a suposta propina seria de 15% do valor.
A Alstom é uma das empresas que integra o consórcio que faz a Linha Amarela do Metrô, ao lado da Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão.
A Folha revelou na última quinta-feira que a Polícia Federal encontrou em 2006 dois comprovantes de depósitos feitos pela Alstom da Suíça em conta de uma offshore no Uruguai. O dono da offshore contou à polícia que os valores seriam usados para pagar comissão a políticos brasileiros. Os depósitos eram de US$ 550 mil e 220 mil.
Ontem, a Folha mostrou que a PF apreendeu na casa de um assessor do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) documentos em que a Alstom aparece ao lado de uma cifra (cerca de R$ 2 milhões) e uma série de nomes --entre ele o de Raupp e o de Adhemar Palocci, diretor da Eletronorte e irmão de deputado Antonio Palocci (PT-SP).
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