Garimpeiros invadem a ferrovia da Vale no Pará
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, em Belém
Cerca de 200 integrantes do MTM (Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração) invadiram, na tarde de ontem, a estrada de ferro Carajás, da Vale, em Parauapebas (836 km de Belém). Dois funcionários da empresa foram feitos reféns durante a invasão.
É a segunda vez nas duas últimas semanas que garimpeiros entram na área. No último dia 9, a invasão foi um protesto pelo assassinato, com 13 tiros, do ex-presidente da Comigasp (Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada) Josimar Elízio Oliveira.
Em abril, outros 500 integrantes do movimento também bloquearam a via por cerca de sete horas para marcar os 12 anos do massacre de Eldorado do Carajás, em que 19 sem-terra foram mortos em confronto com a Polícia Militar do Pará.
A ação de ontem, segundo o delegado André Albuquerque, foi feita basicamente pelas mesmas pessoas que estão acampadas em torno da ferrovia desde então. Ele disse que o episódio começou por volta das 13h e durou apenas 20 minutos. "O pessoal entrou e saiu pacificamente", afirmou o delegado. Segundo ele, não houve paralisação do trem da mineradora nem danos à propriedade.
A Vale, por meio de nota, disse que "os invasores alegam tratar-se de um protesto pelo fato de não ter sido dada seqüência às reuniões acertadas com os governos federal e estadual para o atendimento de suas reivindicações". No início da noite de ontem, a reportagem não conseguiu localizar ninguém do MTM para comentar as motivações da ação.
A nota da Vale diz também que "a empresa vem sendo usada por esses grupos para chamar a atenção dos governos estadual e federal para o atendimento de suas demandas" e que se encontra "involuntariamente envolvida" em uma disputa que "não lhe diz respeito, leva medo a seus empregados e à população local e interfere nas suas atividades".
O delegado disse que havia bandeiras do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) entre os acampados. Por meio de sua assessoria em Brasília, o movimento disse desconhecer a atuação de seus integrantes na invasão de ontem. Em abril, a Folha esteve em Parauapebas e confirmou o apoio do grupo àquela ação.
Os funcionários da Vale, de acordo com o delegado, não relataram violência nenhuma, apesar de terem sido coagidos a deixar um carro que estava próximo à ferrovia por pessoas armadas com foices e facões.
A investigação do crime de cárcere privado não será imediata. Antes de ir até o acampamento, Albuquerque comunicará o que ocorreu ao governo estadual paraense e à Delegacia de Conflitos Agrários, em Marabá (480 km de Belém). Só depois começará a ouvir garimpeiros. Atualmente, ele disse, não há nenhum policial civil ou militar vigiando os acampados.
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Diga-me com quem andas....
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Querer um local para residir e obter o sustento de suas famílias é uma coisa, invadir propriedades de terceiros é outra bem diferente.
A falta de vontade do governo para a solução desses problemas de reforma agrária é gritante e, enquanto isso, os integranntes do MST e semelhantes não tem limites para agir em propriedades alheias.
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