Tarso ironiza Bolsonaro e diz que deputado não está acostumado com debate democrático
LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio
O ministro Tarso Genro (Justiça) disse hoje que o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) não está acostumado com o debate democrático. Os dois participaram ontem de uma audiência pública na Câmara para discutir a demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.
"Bolsonaro não tem bom senso pra discutir e não está acostumado com debate democrático", disse Tarso hoje.
Na audiência, Bolsonaro chamou Tarso de "terrorista". Em defesa do ministro, o índio Jacinaldo Barbosa jogou o copo de água em Bolsonaro.
O ministro ironizou hoje a reação de Bolsonaro e disse que o parlamentar queria apenas chamar a atenção e voltar à cena pública como radical de direita.
"As erupções vulcânicas do Bolsonaro são conhecidas e não constituem questão fundamental para o debate. Somente atrapalham. O objetivo a que ele se propôs foi alcançado, que é o de aparecer na cena pública como radical de direita", afirmou Tarso.
Confusão
Bolsonaro questionou Tarso sobre os poderes do governo federal para fixar a demarcação contínua da reserva indígena, uma vez que a União é composta pelos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário --que, na opinião do deputado, deveriam ter participado do processo.
Como Tarso não respondeu diretamente a Bolsonaro --e preferiu falar sobre a sua biografia aos parlamentares-- o deputado disse que conhecia a história "terrorista" de Tarso.
Irritado, o ministro reagiu ao afirmar que Bolsonaro mentiu quando disse que seu histórico é de terrorismo. "Eu nunca participei de ato terrorista, deputado, o senhor está mentindo. É mentira", enfatizou. Com ironia, o deputado respondeu ao ministro.
"Pode até não ser Vossa Excelência [terrorista], mas o seu grupo, tipo [a ministra] Dilma Rousseff [Casa Civil]."
Depois de ser atingido pelo copo de água, Bolsonaro acusou o índio de não ter legitimidade para defender a demarcação da reserva. "É um índio que está a soldo aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para a noite sua ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena. Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens", ironizou.
O índio acompanhou a audiência no plenário e acusou o governador de Roraima, José de Anchieta Júnior --que também participou da discussão-- de "patrocinar o terrorismo" na região. Jacinto também acusou Bolsonaro de "desconsiderar o direito dos povos indígenas" ao atacar Tarso.
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