Brasil
15/05/2008 - 14h14

Múcio nega que governo queira calar vazador de dossiê na CPI dos Cartões

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) negou nesta quinta-feira que o governo apóie a decisão do ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, acusado de ser o vazador do dossiê com informações sigilosas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de ficar calado durante depoimento à CPI dos Cartões.

"O governo quer que ele [Nunes Pires] fale. Foi exatamente a base do governo que quis seu depoimento", afirmou Múcio, que participa de um seminário sobre reforma tributária. "O aparecimento do Aparecido foi bom", disse o ministro, ironizando o fato de o ex-assessor ter desaparecido atrapalhando a notificação da Polícia Federal.

Múcio afirmou ainda que a partir do depoimento de Nunes Pires à CPI, na próxima terça-feira, poderá vir à tona "a verdade". "Talvez com ele [o depoimento de Nunes Pires] a origem do problema [apareça]. O governo quer que a verdade venha à tona, mas desde que seja a verdade."

Ontem, Nunes Pires ajuizou no STF (Supremo Tribunal Federal) um habeas corpus com pedido de salvo-conduto para evitar que seja preso durante depoimento à CPI dos Cartões.

No recurso, a defesa pede ainda a garantia de que o assessor não seja obrigado a assinar na CPI o compromisso de dizer a verdade e que tenha resguardado seu direito constitucional de não se auto-incriminar e de manter silêncio.

Nunes Pires pediu ontem exoneração do cargo de secretário de Controle Interno da Casa Civil. O pedido foi encaminhado no final da tarde de quarta-feira. A previsão é que ele retorne para os quadros do TCU (Tribunal de Contas da União), órgão o qual pertence e foi contratado por concurso público.

Também na terça-feira que vem está previsto o depoimento de André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), acusado de ter recebido o documento anexado de Nunes Pires por email.

Comentários dos leitores
Moufid Hassan (11) 19/07/2008 05h57
Moufid Hassan (11) 19/07/2008 05h57
A Dilma deve estar rezaando todos os dias para São Dantas, São Cacciola e demais santos protetores dos banqueiros.
Também pudera, não é por acaso tanta reza, todo mundo se esqueceu dela, se esqueceram até do recente pedido de investigação do Juiz a PF!
Sorte né Dilma?!?!
sem opinião
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Alcides Emanuelli (135) 08/07/2008 17h52
Alcides Emanuelli (135) 08/07/2008 17h52
FLORIANOPOLIS / SC
Agora vem explicações, é o judiciario pedindo explicações da Dilma, do Tarso Genro, e assim um fez o dossiê o outro não puniu que deveria ser sua responsabilidade, e o nosso Presidente que é o dono da casa o chefe dos dois não sabia de nada.
Como no Mensalão o Senhor Luiz Inacio não viu nada não sabia de nada.
Eu vi o Ministro dos esporte dizer na televisão que o Presidente confiava nele e deu um cartão coorporativo para ser usado como ele queria, e agora ele usou e abusou não muito mas parece que devolveu, e a senhora do Racismo tambem devolveu os 170.000 que usou ninguem sabe como ninguem ainda provou como usou e a imprensa fala da tapioca que tapioca cara os restos dos 170.000,00 o que foi feito.
Mas esse governo deveria ir representar o Brasil nas Olimpiadas nas provas do achismo eles acham que tudo deve ser de acordo como eles querem e para seus interesses partidarios e pessois isso tudo nada mais é do que uma falta de ética e vergonha na cara dos integrantes desse Poder.
Esse poder que tem espionagem, que tem terrorismo cibernetico, que tem beneficios para os integrantes dos mesmos´, sendo o maior deles a criação de empregos e ministérios.
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Antonio Fouto Dias (1518) 08/07/2008 14h28
Antonio Fouto Dias (1518) 08/07/2008 14h28
E a história continua.
O que o poder legislativo não consegue fazer, o poder judiciário executa.
Estou me referindo ao caso dossiê, considerando-se a blindagem, assim como a impunidade imposta por este governo, que antes de assumir o governo pedia apuração de tudo, entretanto hoje, só faz é bloquear qualquer tipo de investigação que supostamente possa apurar eventuais falcatruas ou ilícitos.
Ficou mais que provado de que o dossiê foi elaborado na Casa Civil e teve intenção de cercear a abertura da CPI dos cartões corporativos, utilizado como contra argumento, de que possuiam elementos que também comprometiam o governo Fernando Henrique, entretanto, não foi suficiente e a referida CPI foi instaurada.
Só restou ao governo blindar aqueles que convinham e jogar o foco ao vasamento e não à elaboração do mesmo.
Entretanto, se confirma de que a justiça pode tardar, mas está sempre presente e, neste contexto, nos resta apenas aguardar o desenrolar dos fatos e torcer para que se faça a verdadeira justiça.
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