Brasil
16/05/2008 - 07h29

Fazendeiro é condenado a 14 anos de prisão por trabalho análogo à escravidão

SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha

A Justiça Federal no Maranhão condenou o fazendeiro Gilberto Andrade, 69, a 14 anos de prisão e pagamento de multa por manter trabalhadores em condição análoga à de escravo, aliciamento de trabalhadores e ocultação de cadáver.

No início deste ano, Andrade foi denunciado pelo Ministério Público Federal no Pará sob a acusação de torturar com ferro para marcar gado um funcionário de uma de suas propriedades em Paragominas (PA).

O fazendeiro tem propriedades no Pará e no Maranhão e está na lista suja do Ministério do Trabalho desde de 2005.

A decisão do juiz federal Neian Milhomem Cruz, da Justiça Federal no Maranhão, é referente à libertação de 19 trabalhadores submetidos a condição análoga à escravidão numa propriedade de Andrade, em 1998. Segundo a denúncia da procuradoria, também foram localizados cadáveres enterrados em suas fazendas. O possível crime de homicídio ainda está sob investigação.

"O réu andava sempre armado, impondo um clima de medo em suas fazendas dada sua conduta violenta, agindo como um verdadeiro e autêntico senhor de escravos, denotando uma atividade parasitária e anti-social", diz um trecho da sentença dada no final de abril, mas divulgada ontem pelo Ministério Público Federal no Maranhão.

A reportagem não conseguiu localizar o fazendeiro ou seu advogado ontem. Segundo o Ministério Público Federal, Andrade está preso em São Luís devido à decretação de sua prisão preventiva. Ele pode recorrer da decisão.

Segundo o advogado Nonato Masson, da ONG Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia (MA), esta foi a primeira condenação por trabalho análogo a de escravo no Estado do Maranhão. Masson atua na defesa de trabalhadores submetidos à condições degradantes no Estado.

"Esta condenação tem uma importância muito grande pela repercussão que poderá ter em outros processos. É uma vitória fenomenal para aqueles trabalhadores que conseguiram fugir e um resgate à memória daqueles que morreram", disse.

Comentários dos leitores
Paulo Floriani (179) 01/07/2008 09h46
Paulo Floriani (179) 01/07/2008 09h46
Aí está a prova do tipo de "progresso" que os latifundiaristas trazem para o pais: destruição do meio ambiente e mão de obra escrava. Quase 400 escravos descobertows em apenas um mês. Fora o que ainda não foi investigado. E ainda tem gente querendo criticar o modo de vida dos índios.Se não lhes roubarem as terras eles não passam fome e nem vivem na miséria. sem opinião
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Yvonne Ferreira (360) 13/06/2008 18h16
Yvonne Ferreira (360) 13/06/2008 18h16
SAO PAULO / SP
O Brasil quer de fato acabar com o regime de escravidão?
A Bahia é, terra de coroneis, terra de escravidão.
12 opiniões
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Maria Dirce Cordeiro (34) 12/06/2008 11h13
Maria Dirce Cordeiro (34) 12/06/2008 11h13
LENCOIS PAULISTA / SP
A distribuição de terras no Brasil é aviltante.Percorremos kilometros, milhões de hectares nas terras de uma mesma pessoa, que geralmente são políticos, que antigamente recebiam o "codinome" de coronéis!!!!!! E ainda existem corónéis, no maranhão, no piaui, em alagoas , enfim no Brasil inteiro.E os trabalhadores como se encontram??????Exatamente como vcs leram nessa reportagem acima, escravos!!!!! 26 opiniões
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