Brasil
15/05/2008 - 21h22

Comissão da Anistia concede mais seis indenizações a perseguidos no regime militar

LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio

Seis estudantes do período da ditadura militar que foram perseguidos e torturados pelo regime serão indenizados pelo governo federal. A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça julgou o processo deles nesta quinta-feira, em sessão feita na antiga sede da UNE (União Nacional dos Estudantes), na praia do Flamengo (zona sul do Rio).

A sessão fez parte da Caravana da Anistia, uma série de viagens que membros da comissão fazem pelo país para julgar pedidos de indenizações de perseguidos do regime militar. A medida visa agilizar os processos que correm hoje no Ministério da Justiça, segundo a comissão.

Dione Damasceno foi a primeira a ser julgada na sessão. Ela foi torturada, submetida a choques elétricos e forçada a se exilar na Alemanha, segundo a comissão. Por unanimidade, a comissão lhe concedeu indenização de 240 salários mínimos (R$ 99,6 mil) em parcela única e seis anos de contagem de aposentadoria no INSS, pelo tempo que, segundo a comissão, Damasceno ficou no exílio.

"O mais importante nisso tudo é termos reconhecido que nossos sacrifícios valeram a pena", disse Edson Menezes da Silva, que vai receber indenização de R$ 267.561,68 e R$ 3.085,37 mensais permanentes --ou seja, enquanto estiver vivo--, segundo decisão da comissão. Ele também terá direito a contagem de tempo de aposentadoria de cinco anos e de voltar a exercer o cargo de economista na Universidade Federal da Bahia, que, segundo ele, foi obrigado a deixar por causa da perseguição política.

Uma das indenizações foi concedida ao viúvo de Solange Lourenço Gomes, que se suicidou, segundo o processo da comissão, por causa das torturas sofridas quando foi presa pelo regime militar. Celso Pohlmann Livi, viúvo de Gomes, teve garantida indenização de R$ 100 mil em parcela única.

"Ela hoje seria uma médica pediátrica com 20 anos de mercado de trabalho", disse Pohlmann, durante a sessão.

Ana Maria Santos Rocha terá o direito de receber R$ 1.605,52 mensais permanentes e a indenização de R$ 137.245,20, além de cinco anos para contagem da aposentadoria. Já Olívia Rangel Joffily terá reparação mensal de R$ 1.089, além de R$ 102.856,05 e sete anos para aposentadoria, além do direito de voltar a cursar Ciências Sociais na Unicamp. Ela afirmou, no processo, que teve que abandonar a faculdade por causa das perseguições de agentes da ditadura.

A Mário Magalhães Lobo Viana a comissão concedeu 120 salários mínimos (R$ 49,8 mil) e, a Dione Damasceno, 240 salários mínimos (R$ 99,6 mil), ambos em parcela única, além de seis anos de contagem para aposentadoria.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, disse que a sessão foi histórica por ter sido realizada no terreno da antiga sede da UNE, que foi incendiada durante a ditadura militar. "Esse local simboliza a repressão da ditadura, e o evento de hoje substancia a volta do Estado, mas com outros propósito".

Abrão pediu desculpas oficiais aos seis julgados e reconheceu todos como anistiados políticos.

Comentários dos leitores
josé reis barata barata (1427) 16/06/2008 07h47
josé reis barata barata (1427) 16/06/2008 07h47
ARACAJU / SE
O homem somos nós e não eles:excertos para reflexão.
Mais me entristece e assusta que repugna, tratar da violência organizada nas mãos do Estado aplicada fora de sua destinação sócio-política original em face das proporções que pode alcançar; e que a história relata e a contemporânea prova; e que nenhuma boa intenção, argumento, pretexto, interesse, ideologia, razão, verdade,etc. podem justificar.
"Quantitativamente, pois, o detentor natural da força, o povo, é sempre
superior ao detentor natural, o Estado. Mas a relação é essencialmente
alterada pelo fato de que a força só reside no povo em substância ao passo que
no Estado está organizada.- (JHERING, RUDOLF Von)".
O Estado detém esta perigosa característica que compõe o Poder que cada um abdica e concede uma parcela para a segurança de todos.
"Las manifestaciones exteriores del poder del Estado, las cárceles e las fortalezas, las horcas y las ametralhadoras, no son en si mismas más que cosas intertes. Se coviertem en instrumentos del poder estatal solo en la medida en que los individuos se sierven de ellas en el marco de um orden juridica determinado, es decir, com la idea de que deben conducirse de la manera prescrita por este orden. Hans Kelsen,"
"Não é de novas partilhas pela violência, mas de transformações graduais das idéias que se necessita: é necessário que em todos a justiça se torne mais forte e o instinto de violência mais fraco. (NIETZSCHE)".
sem opinião
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richardson leao (5) 16/06/2008 06h22
richardson leao (5) 16/06/2008 06h22
Mostrar o nome dos alunos estrangeiros e facil. Quero ver e a lista dos professores Brasileiros. Tenho certeza que muitos desses animais continuam fazendo parte da 'nobre' forca armada... sem opinião
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pedro laerte moreira (3) 15/06/2008 15h50
pedro laerte moreira (3) 15/06/2008 15h50
SAO JOSE DOS CAMPOS / SP
No passado mataram e morreram por uma causa que parecia nobre, hoje no poder [graças à democracia burguesa ] revelam seus verdadeiros instintos ,não precisam assaltar bancos em busca do vil metal,possuem a chave do cofre. sem opinião
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