Brasil
16/05/2008 - 07h48

Expectativa não é boa, diz Maggi sobre Minc

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, em Belém

O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), afirmou ontem à Folha que não tem uma boa expectativa sobre a futura gestão de Carlos Minc à frente do Ministério do Meio Ambiente, no lugar de Marina Silva, que se demitiu.

"Ele não me conhece, não conhece o Estado, não conhece a região. A expectativa, posso dizer, é, por enquanto, não boa", afirmou o governador.

Mato Grosso é o recordista histórico no desmatamento da floresta. Um dos maiores sojicultores do mundo, Maggi se firmou, desde que foi eleito pela primeira vez, em 2002, como a principal liderança dos produtores rurais da região.

Em entrevista à TV Globo antes de aceitar o convite para o ministério, Minc declarou que, "se deixar", Maggi plantaria soja "até nos Andes".

"Achei muito preconceituoso", respondeu Maggi. "Me senti surpreendido por ter sido metralhado assim. Conheço muito o Brasil; ele, não. Mas o convido, desde já, para vir aqui e conhecer nosso trabalho."

Em nota, o governo mato-grossense classificou de "descabidas, inoportunas, extemporâneas e impróprias" as declarações do novo ministro.

Mas Maggi espera que não haja mudança substancial naquele que diz considerar o maior acerto da gestão Lula até aqui: o combate ao desmatamento. "É muito claro, a Marina vai ser reconhecida pelas estatísticas. Quando nós [ele e a ex-ministra] assumimos, o crescimento era crescente e galopante. O maior ponto vai ser esse reconhecimento público."

Ao mesmo tempo, disse que Minc poderá dialogar melhor com os setores produtivos para acelerar o crescimento --ponto fraco, em sua opinião, do trabalho da ex-ministra. "Espero que haja uma maior celeridade nos processos [de licenciamento ambiental]. E isso não significa passar por cima da lei."

Como secretário estadual de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, o novo ministro se notabilizou por acelerar a aprovação de pedidos de licenças.

No ano passado, Marina entrou em uma polêmica com a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, que queria a aprovação do licenciamento do complexo hidrelétrico do rio Madeira, em Rondônia.

Outro debate foi em janeiro deste ano com o próprio Maggi, que refutou dados divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que apontavam aumento da derrubada da floresta.

"Não acho que foi isso [que prejudicou a ministra]. Mas foi um debate importante", disse Maggi, que negou ter uma rixa pessoal com a ex-ministra.

Outro ponto a ser melhorado, afirmou o governador de Mato Grosso, é a suposta truculência das operações de repressão aos crimes ambientais, como a Arco de Fogo, feita em conjunto por Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Polícia Federal e FNS (Força Nacional de Segurança).

Desde que a operação começou, Maggi reclama que ela destruiu a economia das cidades por onde passou, sem deixar alternativas para quem perdeu o emprego com o fechamento de madeireiras.

Rondônia

Ivo Cassol (sem partido), governador de Rondônia, se solidarizou com o colega de Mato Grosso, em relação às afirmações de Minc. "Eu repudio. Antes de falar, tem que sentir na pele, vir até a Amazônia."

Para Cassol, Minc deverá aumentar o diálogo com lideranças da região para "ter sucesso" em sua gestão.

Comentários dos leitores
Sudeste/ sudestino (39) 03/06/2008 16h34
Sudeste/ sudestino (39) 03/06/2008 16h34
Shouthem Brazil Lumber & Colonization Company do norte-americano Percival Faquhar, recebeu do governo brasileiro autorização para colonizar Paraná e Santa Catarina.
A empresa enviou do Paraná para os EUA, 250 milhões de pinheiros da espécie araucária documentados, chegando a 750 milhões de forma ilegal.
Em Santa Catarina o norte-americano mandou para os EUA 800 milhões de árvores.
A conseqüência dessa colonização estrangeira foi a guerra do contestado de 1912 a 1916.
Fonte: Wikipédia - Destino Manifesto
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Anna Carolina Sphair (3) 03/06/2008 10h20
Anna Carolina Sphair (3) 03/06/2008 10h20
CURITIBA / PR
Desmatar a floresta Amazônica para tirar madeira de lá é sinal de que o Brasil é realmente um país muito PRIMITIVO! Explorando a floresta de um modo inteligente,realizando pesquisas, descobrindo medicamentos, se ganharia muito mais dinheiro, cultura e tecnologia!!! A floresta tem um potencial imenso, que é jogado no lixo cada vez que uma árvore cai... pra quê? Para retirar madeira de lá? Usem a Amazônia do modo correto, preservando, utilizando sem destruir. Se isso for feito,ela sempre estará lá, para gerar novos recursos. Se continuarem derrubando a floresta apenas, uma hora a fonte vai secar. Vai chegar o tempo emq ue apenas ter dinheiro não será o suficiente para sobreviver, o meio ambiente vai mostrar isso, como já está fazendo... Senadores,deputados, Sr.Presidente...estamos d eolho nas vossas ações!!! 2 opiniões
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Rubens Junior Moreno Rubio (71) 31/05/2008 09h41
Rubens Junior Moreno Rubio (71) 31/05/2008 09h41
quero ser legal, juro que quero trabalhar legalmente, mais protocolei uma LAU, na região amazonica, para exploração de um projeto de manejo de 618 (seiscentos e dezoito hectares), que daria por volta de 21.000 m/3 de madeira legalizada, explorada como quer os bambis ambientalistas, mas até agora nem começou a andar o projeto, depois como quererm que os fazendeiros trabalhem honestamente, sejam honestos com nós e seremos o mesmo, já já
não aguento mais financeiramente, por que fica caro manter a área, e vou desmato tudo e jogo semente de capim, não está me restando outra alternativa
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