Brasil
19/05/2008 - 08h29

Procuradoria apura confronto entre índios e Exército em Roraima

HUDSON CORRÊA
SÉRGIO LIMA
enviados especiais da Folha a Boa Vista (RR)

O Ministério Público Federal apura confrontos de índios da reserva Raposa/Serra do Sol (RR), ligados ao CIR (Conselho Indígena de Roraima), com o Exército. Na investigação em curso, aberta em 2002 pela Procuradoria, além de relatos de confrontos, consta uma comunicação de crime ambiental, de janeiro deste ano, contra o Exército feita pelo Ibama.

O Exército construiu, em 2001, sem licença ambiental, segundo o Ibama, o quartel do 6º Pelotão Especial de Fronteira na cidade de Uiramutã (RR), vizinha à Raposa/Serra do Sol.

É com militares desse quartel que ocorreram confrontos, alvos de apuração da Procuradoria. O CIR acusou o Exército em 2005 de causar dano ambiental. O Exército afirma que apenas não aceitou pagar pela licença ambiental, como quer o Ibama, porque é órgão público.

A Folha apurou que o Exército em Roraima avalia que o CIR é uma ONG cuja atuação deixa mais vulnerável a soberania nacional na área indígena.

"Somos uma organização indígena. Eu considero ONGs as que são dos brancos", afirma o coordenador do CIR, o macuxi Dionito José de Souza, 40.

A investigação da Procuradoria começou com uma carta de líderes indígenas enviada pelo CIR. Relata que em 20 de março de 2002, oito soldados do pelotão de Uiramutã "começaram a filmar e a fotografar a maloca". O líder indígena Valdir Clementino não permitiu a filmagem. "Ali era posto de fiscalização indígena, que tem o objetivo de controlar a entrada de pessoas não-índias", diz a carta. Segundo o relato, no mesmo dia, um helicóptero trouxe 40 soldados que deixaram "crianças horrorizadas".

Ainda segundo a carta, "havia (...) soldados com suas armas apontadas para os índios e os índios com suas flechas armadas e apontadas para os soldados". Não houve conflito, mas os oficiais fizeram as filmagens, disseram os índios.

A Funai foi à aldeia e escreveu que os indígenas "não são contra o Exército, mas sim ao local onde está localizado o quartel. São contra as atitudes do Exército, com relação à entrada na área sem avisá-los".

Em sua resposta ao Ministério Público, o Exército diz que uma patrulha atualizava mapas da região filmando e fotografando. "A patrulha foi impedida de transitar na área da maloca."

Então, segundo o Exército, foi enviado um helicóptero com nova patrulha "recebida de forma hostil, com indígenas empunhando arcos e flechas".

De acordo com o Exército, a tropa manteve as armas, durante toda a ação, "com canos voltados para o chão". Também informou que não houve pânico entre índios e crianças.

Por fim, o Exército cita que um decreto de 2002 dá liberdade de trânsito ao Exército em terras indígenas. Mas, em janeiro de 2003, o CIR comunicou ao Ministério Público Federal que índios barraram de novo uma equipe de soldados.

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (486) 10/10/2008 22h51
Alcides Emanuelli (486) 10/10/2008 22h51
Essa é boa os Índios, não tem respeito por nada, nem pela terra dos outros ou aqueles que eles querem para eles e o Supremo vai julgar.
Por uma forma legal, nem Índios nem o Homem branco deveria estar naquela região de litigio e o Supremo deveria julgar com a maxima brevidade.
Mas essa de os Índios querem ser dono de toda aquela área é um absurdo! 1/5 daquela área já estaria bom demais para eles, mas deveria vir mais auxilio com ações sociais de amparo a saúde, melhor a qualidade do ensino com mais escolas, e outras ajudas com que faço os índios a aprenderem a ser cidadão brasileiro com direitos civicos.
Os Índios hoje no Brasil são como as Religiões tem suas crenças, seus respeitos, suas organizações e tem tambem direito de civismo como cidadão brasileiros.
Quero ver o Índio livre como uma ave, quero ver o Índio trabalhando e cultivando suas terras, quero ver o Índio médico cuidando da saúde de seus irmãos, quero ver o Índio Engenheiro construindo suas casas, quero ver o Índio agronomo, veterinario, economista, advogado, enfim quero ver os Índios com direitos iguais aos Cara Palidas.
sem opinião
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joao neto (1) 02/10/2008 14h20
joao neto (1) 02/10/2008 14h20
Todo cidadão tem que ser resposavel pelos seus atos, o INCRA é um orgão corrupto e omisso, mas os assentados devem ser responsabilizados por tudo o que acontece em seus lotes, então eles, os assentados, que ganharam suas terras do resto da população brasileira deveriam responder por crime ambiental epagar essa multa como qualquer outro brasileiro. sem opinião
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solange vieira (7) 27/09/2008 19h18
solange vieira (7) 27/09/2008 19h18
Cidinha Reis ,concordo plenamente com vc,ja vi que vc e equilibrada e sensivel.Podemos respeitar a todos sem prejudicar ninguem.Reze e torça por nos. sem opinião
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