Exército faz operação de três dias em Roraima
HUDSON CORRÊA
enviado especial da Folha a Pacaraima (RR)
O Exército montou uma barreira na entrada de Pacaraima (RR), fronteira com a Venezuela. Cerca de 400 militares participam no município da operação Guardião da Fronteira. A cidade está na região de conflito entre índios da reserva Raposa/Serra do Sol e arrozeiros.
Segundo o Exército, a operação, que ocorre também em Bonfim, na fronteira com a Guiana Inglesa, nada tem a ver com o conflito que há quase dois meses mobiliza Força Nacional de Segurança e PF.
Na ação, que deve durar três dias, o Exército vai parar os veículos que passarem no posto de fiscalização da Secretaria da Fazenda, onde está a barreira, na entrada de Pacaraima. Os militares estão atrás de contrabando e tráfico de drogas.
Na fronteira com a Venezuela ocorre principalmente contrabando de combustível. A gasolina é vendida a R$ 1,10 no posto da fronteira. Em Pacaraima, os pampeiros (que estocam gasolina no carro Pampa) comercializam o litro a R$ 1,50 e fornecem combustível de forma clandestina em Boa Vista.
A Folha apurou que, devido ao conflito de índios e arrozeiros, a 1ª Brigada de Infantaria de Selva, em Boa Vista, chegou a discutir a suspensão da operação, mas a ação, que ocorre todos os anos, foi mantida. A Guardião da Fronteira estava prevista para ocorrer há duas semanas, mas foi adiada por problemas com equipamentos.
Se não fosse por isso, teria coincidido com o dia do confronto entre índios e seguranças da fazenda de Paulo César Quartiero (DEM), prefeito de Pacaraima e líder dos produtores de arroz. O conflito ocorreu na Vila Surumu, a 60 km da barreira do Exército.
Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, considera ir à reserva por achar que a visita pode facilitar o entendimento da crise. Para ele, há "elementos contraditórios" sobre quem está com a razão.
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