À CPI, assessor parlamentar diz que viu tentativa de intimidação em e-mail de vazador
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O assessor parlamentar André Fernandes confirmou nesta terça-feira, em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, que recebeu o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por e-mail enviado por José Aparecido Nunes Pires, ex-secretário de controle interno da Casa Civil. Fernandes disse que o e-mail tinha um "tom imperativo" com a mensagem: "leia o anexo".
O assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que interpretou a mensagem de Aparecido como uma "intimidação" ao PSDB porque o texto chegou no dia 20 de fevereiro deste ano --quando o Congresso discutia a criação da CPI dos Cartões Corporativos. "Eu não pedi para receber [o dossiê]. Interpretei claramente como intimidação ao partido e comuniquei à autoridade superior [o senador Dias]", afirmou.
Fernandes disse que só entregou trechos do dossiê ao senador tucano quando retornou de férias ao Senado, em março. Mas confirmou que recebeu o dossiê por e-mail no dia 20 de fevereiro, um dia depois de encaminhar um e-mail pessoal para Aparecido.
"Eu estava de férias do Senado entre os dias 18 a 28 de fevereiro. No dia 19 de fevereiro, passei no Senado para pegar alguns documentos, mandei e-mail para uma lista de colegas. E fui embora do Senado. No mesmo dia 19, às 14h39, o Aparecido responde: vamos almoçar esta semana? Eu não estava aqui, ele não teve resposta minha no dia 19", disse.
Fernandes disse que, no dia 20, respondeu para Aparecido afirmando que telefonaria para combinar um encontro. No mesmo dia, o Aparecido enviou o dossiê por e-mail, segundo relato do assessor parlamentar à CPI. "Ele me responde em seguida: André, leia o texto, imperativamente. Isso no dia 20, por e-mail. Tudo respondendo à conversa que começou com o power point que enviei para a minha lista de amigos", disse.
Segundo Fernandes, além do dossiê, Aparecido lhe encaminhou um texto no qual o ex-secretário afirmava que estava fazendo um "levantamento de gastos" da gestão FHC. "Eu fiquei meio chocado na hora, pensei: como respondo um negócio dele, não vou passar recado, disse muito bem. Quer fazer a tomada de contas especial, então faça. E pensei: será que esse cara vai querer fazer comigo o que fez em 2004, me usar como um peão do jogo?", questionou sem deixar claro o que ocorreu em 2004 com Aparecido.
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Eu ia dizer que nada há de prova. Mas neste país prova é o que menos precisa.
Sendo pra difamar a imagem tudo vale. E o pior, fomentado pela grande mídia.
Mas a que interessem servem?
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