Brasil
20/05/2008 - 11h19

À CPI, assessor parlamentar diz que viu tentativa de intimidação em e-mail de vazador

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O assessor parlamentar André Fernandes confirmou nesta terça-feira, em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, que recebeu o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por e-mail enviado por José Aparecido Nunes Pires, ex-secretário de controle interno da Casa Civil. Fernandes disse que o e-mail tinha um "tom imperativo" com a mensagem: "leia o anexo".

O assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que interpretou a mensagem de Aparecido como uma "intimidação" ao PSDB porque o texto chegou no dia 20 de fevereiro deste ano --quando o Congresso discutia a criação da CPI dos Cartões Corporativos. "Eu não pedi para receber [o dossiê]. Interpretei claramente como intimidação ao partido e comuniquei à autoridade superior [o senador Dias]", afirmou.

Fernandes disse que só entregou trechos do dossiê ao senador tucano quando retornou de férias ao Senado, em março. Mas confirmou que recebeu o dossiê por e-mail no dia 20 de fevereiro, um dia depois de encaminhar um e-mail pessoal para Aparecido.

"Eu estava de férias do Senado entre os dias 18 a 28 de fevereiro. No dia 19 de fevereiro, passei no Senado para pegar alguns documentos, mandei e-mail para uma lista de colegas. E fui embora do Senado. No mesmo dia 19, às 14h39, o Aparecido responde: vamos almoçar esta semana? Eu não estava aqui, ele não teve resposta minha no dia 19", disse.

Fernandes disse que, no dia 20, respondeu para Aparecido afirmando que telefonaria para combinar um encontro. No mesmo dia, o Aparecido enviou o dossiê por e-mail, segundo relato do assessor parlamentar à CPI. "Ele me responde em seguida: André, leia o texto, imperativamente. Isso no dia 20, por e-mail. Tudo respondendo à conversa que começou com o power point que enviei para a minha lista de amigos", disse.

Segundo Fernandes, além do dossiê, Aparecido lhe encaminhou um texto no qual o ex-secretário afirmava que estava fazendo um "levantamento de gastos" da gestão FHC. "Eu fiquei meio chocado na hora, pensei: como respondo um negócio dele, não vou passar recado, disse muito bem. Quer fazer a tomada de contas especial, então faça. E pensei: será que esse cara vai querer fazer comigo o que fez em 2004, me usar como um peão do jogo?", questionou sem deixar claro o que ocorreu em 2004 com Aparecido.

Comentários dos leitores
sidnei g (2) 09/06/2009 15h17
sidnei g (2) 09/06/2009 15h17
Certo...então na manchete é dossiê, mas a reportagem fala de "suposto" dossiê...por essas manchetes é que a imprensa vai destruindo sua credibilidade. sem opinião
avalie fechar
Bolinha da Lulu (240) 14/05/2009 23h24
Bolinha da Lulu (240) 14/05/2009 23h24
Texto no corpo da Folha.
"Segundo o parecer da Procuradoria, "com exceção das imputações feitas nas referidas representações --imputações que não se confirmaram-- não consta dos autos sequer indícios da participação da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ministro da Justiça Tarso Genro e do ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da República, nos fatos noticiados, nenhuma prova de que partiu da primeira a ordem para a elaboração do dossiê ou para a divulgação dos dados, nem da omissão dos demais na apuração dos fatos". "
Tá bom, vou fazer de conta que eu acredito.
1 opinião
avalie fechar
Bolinha da Lulu (240) 28/04/2009 16h02
Bolinha da Lulu (240) 28/04/2009 16h02
Agora vamos ter que aturar o cousuismo de um capacho no TCU. Se antes eles já faziam pouco em verificar as contas e aceitar todas as explicações dadas para explicar o que era inexplicável. Agora com essa nava aquisição nem de explicação irão necessitar.
Só espero que o senado barre essa aquisição do TCU. Se for eleição 50% + 1 ela tá dentro, mas se tiver que ser 2/3 do senado, temos alguma chance para que isso não ocorra.
Prefiro o Múcio, pois não é fiel a ninguém, só a ele mesmo e assim alguma falcatrua sempre sobra e nós ficamos sabendo e podemos pressionar, com a Eunice isso não aocnteceria, apenas o que fosse oposição, o que fosse da casa seria suprimido.
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2944)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca