Brasil
20/05/2008 - 14h04

Presidente da Funai diz que fim da demarcação contínua de RR ameaça outras reservas

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira, disse nesta terça-feira que o fim da demarcação contínua na reserva Raposa/Serra do Sol (RR) pode provocar uma série de ações judiciais que ameaçarão as demais áreas indígenas no país. Para o governador de Roraima, José de Anchieta (PSDB), que pensa de forma divergente a Meira, há um risco permanente na sua região de novos conflitos.

"Caso haja no Supremo [Tribunal Federal], de alguma forma, uma decisão que possa modificar [a homologação de forma contínua na reserva Raposa/Serra do Sol], isso pode significar um perigo para todas as outras terras indígenas que estariam ameaçadas [pela eventual medida do STF]. Isso pé uma ameaça que corresponde a um desafio à contemporaneidade", afirmou o presidente da Funai.

Meira e Anchieta participaram hoje de um seminário promovido pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) sobre a polêmica que envolve a demarcação da reserva da Raposa/Serra do Sol. Apesar de divergentes, Meira e Anchieta não chegaram a discutir em público.

"Seja qual for a decisão do Supremo, nós temos medo dos desdobramentos. O desdobramento não será pacífico porque envolve partes antagônicas', disse Anchieta Júnior.

A previsão é que o julgamento no STF das ações sobre a Raposa/Serra do Sol ocorra até o dia 16 de junho.

O ministro-relator das ações sobre o assunto na Corte, Carlos Ayres Britto, prepara seu voto e informou ter prorrogado o prazo para conclusão porque recebeu petições das duas partes (contra e a favor da homologação de forma contínua) e mais documentos.

Por enquanto, homens da FNS (Força Nacional de Segurança) e da Polícia Federal são mantidos pelo governo federal na reserva como garantia da manutenção da ordem e de segurança. Há orientações para que desarmem as pessoas que transitam na região.

A principal dificuldade na reserva é do convívio entre arrozeiros e os indígenas de oito etnias diferentes. O governo federal foi proibido, em decisão liminar do STF, de retirar os produtores agrícolas que vivem em áreas na Raposa/Serra do Sol.

Audiências

Nos próximos dias, a OAB vai realizar um outro debate sobre a questão da reserva Raposa/Serra do Sol. Para o seminário serão convidados o ministro Nelson Jobim (Defesa) e o general Augusto Heleno, comandante da Amazônia. Heleno foi alvo de polêmicas e chegou a ser convocado a vir a Brasília por ordem do presidente da República depois de criticar publicamente a política indigenista do governo.

O presidente da OAB, Cezar Britto, evitou se posicionar sobre a controvérsia. Segundo ele,a preocupação da entidade é com a segurança e a preservação de vidas dos que moram na região. "Qualquer decisão tomada pelo Supremo terá efeitos, a questão é muito delicada. É preciso prevenir e nós vamos atuar nesse limite", disse ele.

Durante a sessão, os conselheiros aprovaram uma decisão sugerindo o aumento do número de homens da Polícia Federal, do Exército e da FNS (Força Nacional de Segurança) na região da reserva Raposa/Serra do Sol. A iniciativa da OAB será comunicada ao ministro-relator das ações que tratam do assunto no STF e também encaminhada ao Ministério da Justiça.

A OAB quer ainda que a Polícia Federal investigue denúncias de assassinatos e mortes, sem explicações, registradas na reserva. O presidente da Funai, Márcio Meira, desconversou sobre as iniciativas da entidade, mas ressaltou que o convívio dos indígenas com os homens do Exército na reserva é pacífico.

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
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HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
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Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
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