Brasil
21/05/2008 - 13h04

Governistas encontram brecha legal para recriar CPMF na Câmara

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Líderes da base aliada encontraram uma brecha constitucional para permitir a recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) com alíquota de 0,10% por meio de lei complementar de iniciativa do Congresso. Os parlamentares argumentam que, apesar de a Constituição Federal vetar ao Congresso a criação de novos impostos por considerar que é uma atribuição do Executivo, existe uma jurisprudência do STF (Supremo Tribunal Federal) que abre caminho para a recriação da CPMF por meio de lei complementar de iniciativa da Câmara.

Os governistas pretendem incluir a criação do novo imposto paralelamente à votação da emenda 29 (que destina mais recursos para a saúde), marcada para a semana que vem no plenário da Câmara.

"O consenso é que não há qualquer impedimento jurídico para a criação de um tributo por meio de lei complementar destinada exclusivamente à saúde. Há jurisprudência do STF [Supremo Tribunal Federal] que confirmam a tese de que o Congresso pode criar imposto por meio de leis complementares", afirmou o líder do PT na Câmara, deputado Maurício Rands (PE).

Os governistas vão trabalhar até terça-feira para sustentar juridicamente a brecha que permite a recriação da CPMF --uma vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repassou ao Congresso a determinação para que a contribuição seja reativada. A base aliada argumenta que, como o Senado aprovou a emenda 29, a Câmara precisa encontrar fontes que garantam a vinculação de recursos para a saúde --o que ocorreria por meio da CPMF.

A lei complementar é a alternativa mais "simpática" aos governistas porque precisa de maioria absoluta no plenário para ser aprovada. Os governistas não querem recorrer a uma PEC (proposta de emenda constitucional) que, para ser aprovada, precisa de pelo menos 308 votos de deputados e 49 de senadores. A idéia é apoiar uma contribuição nos moldes da extinta CPMF, com alíquota de 0,1% e permanente.

Rands argumentou que o presidente Lula precisa de recursos para viabilizar a emenda 29, que obriga o governo a ampliar o repasse de verbas para a área da saúde. "O presidente tem que cumprir a Constituição. Não podemos ficar liberando créditos extraordinários para garantir os repasses, temos que ter uma fonte permanente", afirmou.

De acordo com cálculos feitos pelos líderes governistas, o imposto de 0,1% sobre a movimentação financeira geraria cerca de R$ 10 bilhões extras para a saúde. Rands não descarta também aumentar a taxação de impostos sobre bebidas e cigarros, mas disse que isoladamente a medida não é suficiente para assegurar os recursos da emenda 29.

"Em nenhuma hora um tributo pode ser visto como uma medida simpática. Mas não se pode deixar os hospitais na situação em que estão. A receita brasileira é muito vinculada. Queremos apresentar uma boa idéia de recursos para a saúde", argumentou.

O líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO), argumentou que a recriação da CPMF não é 'impopular', uma vez que a extinção da contribuição pelo Senado, no final do ano passado, não resultou na redução de preços de medicamentos e produtos hospitalares no país.

"A população não sentiu a diferença da queda da CPMF. Produto nenhum caiu o preço. O contribuinte paga o mesmo imposto e não vê nenhuma vantagem nisso", afirmou.

Comentários dos leitores
josé reis barata barata (1424) 13/06/2008 11h39
josé reis barata barata (1424) 13/06/2008 11h39
ARACAJU / SE
S. Levy, sem palavras, bastam as suas.Difíceis de contestar, em especial, quanto a mais justa indignação , e, quando há emoção, verdadeira e honesta, prepondera o coração; que, tem razões, que a própria razão desconhece.
Cordiais saudações, barata.
sem opinião
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S Levy (108) 13/06/2008 11h10
S Levy (108) 13/06/2008 11h10
MIG, pronto, o nome do projeto é 'Proposition 13'. Isso foi nos anos '70 porém com conseqüencias até hoje. É conhecido também como o Jarvis-Gann Initiative devido a altissimas taxas sobre a propriedade, na California. Isso levou a uma revolta contra o governo. Ai em seguida foi passado um 'Proposition 4' Amendment, Essas Proposals reduziram os impostos em 57%. que entre outras coisas obrigaram o governo local cortar suas próprias despesas ou melhor, gastos. Esses projetos obrigam o governo a devolver aos contribuintes os excedentes arrecadados. O Gann Limit como é chamado,impõe limites no que o governo pode gastar, calculados de acordo com o municipio e sua respectiva população. P. ex. No ano fiscal de 1986-87, $1.1 bilhão de Dólares foi devolvido aos contribuintes dentro dessas limitações. Tudo isso é controlado pela própria popuulação. É isso MIG que chamo de cidadania e civismo, não as leis tupiniquins a nós impostas por governantes primitivos e gananciosos os quais têm também como respaldo outro setor de assaltantes - os bancos - além como ja disse antes, duma população egoista, egocentrista, que deveria se levantar e rebelar contra esse estado de coisas. Como fazer isso? É fácil, todos poderiam apresentar sugestoes a ser discutidas e aplicadas em seguida. Por enquanto meu voto continuara anulado. Abraços. sem opinião
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S Levy (108) 13/06/2008 05h12
S Levy (108) 13/06/2008 05h12
Sr. MIG continuando, (faltou espaço na msg. anterior), eu NÃO sou PTista, muito ao contrário, venho dum pais onde reinava o terrorismo 'comuna' e sei perfeitamente mais que bem o que significam governos prepotentes, ditadoriais, imb-ecis, incompetentes, omissos., corruptos, lotados de va-ga-bundos. É por isso mesmo que estou fazendo as formlidades para cair fora, igualzinha a uns 3 milhões que tiveram o bom senso e a visão de se mandarem já faz vários anos. É o caso hoje de aplicar o ditado: '"e o último a sair, apague as luzes." Aqui, alem de sermos lesados por todos os meios esse governo insulta nossa inteligência contando lorotas de como controlará tudo bem melhor. Bem melhor? com o dinheiro de quem? Nao falo somente do PT, é so analisar os governos anteriores... vc acha que FHC, Figueredo, Castelo Branco, etc. etc. eram melhores? Durante a ditadura militar pelo menos tinhamos segurança nas ruas, quanto aomresto, sem comentários. Hoje nem isso temos. Isso ai virou um p.. dum b...l !! Como dizem os Argentinos: Hay Gobierno, Soy Contra; e os Italianos: Ma come piove governo maledetto... 2 opiniões
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