Para PF e Ministério Público, depoimentos de envolvidos no caso BNDES não convencem
THIAGO FARIA
da Folha Online
Os depoimentos à Justiça de quatro dos acusados de participação em um esquema de fraude no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não foram convincentes do ponto de vista da PF (Polícia Federal) e do Ministério Público.
João Pedro Moura, Marcos Vieira Mantovani, Celso de Jesus Murad e José Carlos Guerreiro foram interrogados na última segunda-feira (26) pelo juiz Márcio Ferro Catapani, da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Os quatro foram presos pela Operação Santa Tereza, deflagrada pela PF no dia 24 de abril.
No interrogatório, Moura e Mantovani afirmaram à Justiça que usavam de forma indevida o nome do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, para angariar novos clientes interessados em conseguir empréstimos no BNDES. Os dois atuavam juntos na consultoria Progus, apontada na denúncia do Ministério Público como fonte de notas frias usadas para justificar a origem dos desvios de parte das verbas provenientes do banco.
Segundo a PF, a análise de documentos da consultoria identifica valores emitidos supostamente em nome do deputado Paulinho e do advogado Ricardo Tosto, ex-membro do conselho de Administração do BNDES e que presta serviços para a Força Sindical, que é presidida pelo congressista.
A referência, segundo o advogado de Mantovani, Antonio Ruiz Filho, foi usada para dar mais credibilidade ao argumento de que o deputado ajudaria a obter empréstimos do banco, mas que os valores foram depositados na conta de Moura.
O registro com o nome de Tosto, por sua vez, refere-se à quitação de dívidas de processos que o advogado representou a consultoria. "Ele [Mantovani] usou esse dinheiro para saldar dívidas anteriores, nada tendo a ver com projetos do BNDES", afirmou Ruiz Filho.
No entanto, ao final dos interrogatórios, que duraram cerca de 7 horas, a procuradora Adriana Scordamaglia afirmou que os depoimentos não foram convincentes e confirmaram os fatos denunciados. "[Os acusados] se comportaram como réus, tentando se defender, tentaram trazer explicações dos atos narrados na denuncia, mas que ao ver do Ministério Público não foram convincentes", afirmou.
Para a PF, o fato de Moura negar a participação de Paulinho e admitir o seu envolvimento no esquema ajuda-o em sua defesa, uma vez que há muitas provas contra ele apresentadas na denúncia.
Na segunda-feira também estava marcado o interrogatório de Manoel Fernandes de Bastos Filho, único dos acusados que continua foragido, apontado pela PF como líder do esquema de desvios.
Interrogatórios
Na sexta-feira (30), a Justiça ouvirá outros 5 dos 13 acusados na denúncia do Ministério Público. Entre os interrogados está o advogado Ricardo Tosto.
Segundo o criminalista José Roberto Batochio, que defende o advogado, os depoimentos de Moura e de Mantovani ajudaram na defesa de seu cliente.
Segundo ele, nas próprias gravações obtidas pela PF os acusados no caso se questionam como iriam efetuar pagamentos a Tosto se ele não estava envolvido no esquema. "Agora não se trata mais de bisbilhotice telefônica, será tudo na presença dos advogados, do Ministério Público, e isto é prova", afirma o criminalista.
Outro dos interrogados na próxima sexta será o coronel reformado da Polícia Militar Wilson de Barros Consani Júnior. Ele é acusado de utilizar sua influência para manter a suposta casa de prostituição W.E aberta. A casa é apontado pela PF como a principal sede do esquema.
Para a defesa de Consani Júnior, o nome do coronel foi envolvido nas denúncias apenas porque ele prestava serviços para o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e também para a W.E.
"O serviço que ele faz é a verificação dos documentos para obtenção de alvarás. É um absurdo estas denúncias", afirma o advogado Fábio Cavalheiro, que defende o coronel reformado.
Segundo Cavalheiro, o coronel também organizava a segurança dos eventos de 1º de maio da Força Sindical, o que justifica a sua proximidade com o deputado Paulinho.
Além de Tosto e Consani Júnior, a Justiça também vai ouvir na sexta os irmãos Washington Domingos Napolitano e Edson Luis Napolitano, sócios da W.E, e também Boris Bitelman Timoner, envolvido na denúncia do Ministério Público por ter recebido valores referentes a um empréstimo feito pelo BNDES à Lojas Marisa.
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Este senhor Paulinho da Força, que agor se ve enrolado com BNDES, e com a ONG da sua esposa, foi o mesmo sindicalista que admitiu no programa Opinião Nacional da TV Cultura, que ele havia pedido ao prizidenti Lulla, para vetar o artigo que obrigava as contas dos sindicatos e centrais serem auditadas pelo TCU e o prizidenti vetou.
E o Nobre paralamentar, afirmou que não deveria ser auditado pois era dinheiro do trabalhador e assim não governamental.
Foi quando o Almir Pazzianotto, corrigiu-o lembrando que o dinheiro advinha do IMPOSTO SINDICAL e como o próprio nome diz, IMPOSTO, quer dizer obrigatorio e assim público, passível de ser auditado.
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR.
SE ELE NÃO QUERIA QUE O DINHEIRO FOSSE AUDITADO, QUAL O MOTIVO QUE ELE TERIA?
SERÁ QUE HÁ A NECESSIDADE DE ESCLARECER MAIS ALGUMA COISA ?
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