Brasil
30/05/2008 - 18h26

Minc anuncia R$ 1 bi para quem desmata ilegalmente na Amazônia

da Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou hoje que o governo federal vai destinar R$ 1 bilhão para recomposição de reservas legais na Amazônia. Na prática, o governo vai conceder crédito, a juros de 4% ao ano aos produtores que desmataram além do permitido pela legislação e são obrigados a recompor a floresta.

"Uma coisa é você obrigar, outra coisa é você dar meios para, essa é a verdadeira questão. É uma obrigação legal. Mas agora os recursos vão garantir que ela seja cumprida. É o cumpra-se da reserva legal", disse Minc no 1º Fórum de Governadores da Amazônia Legal.

De acordo com ministro, o financiamento anunciado hoje está incluído na MP (medida provisória) 432, publicada na última quarta-feira (28) no "Diário Oficial" da União.

Minc também anunciou outra medida que vai beneficiar quem já desmatou ilegalmente a floresta: o Ministério do Meio Ambiente vai garantir recursos para a regularização fundiária de propriedades rurais na Amazônia.

"Vamos fazer essa regularização coletiva, não um por um. Vamos fazer isso em conjunto. O ministério vai dar 30% dos recursos para acelerar, numa força tarefa, a regularização ambiental daqueles que queiram realmente se regularizar", adiantou.

Ao listar o que chamou de "boas notícias" para a Amazônia, Minc também citou a garantia de preços mínimos para os produtos extrativistas, segundo ele, também incluída na MP 432. "Os produtos agrícolas, como arroz, feijão, sempre tiveram preço mínimo; os produtos florestais não tinham essa garantia. Desde anteontem [data de publicação da MP], têm", disse o ministro Carlos Minc.

Crédito verde

Minc negou hoje que o governo tenha flexibilizado a restrição ao crédito ao alterar as regras de aplicação da resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional) que vai restringir, a partir de 1º de julho, a concessão de financiamento agrícola para quem não cumpre critérios ambientais,

"Não voltamos atrás, não flexibilizamos. Eu nem tenho poder para mexer numa resolução do Banco Central. Apenas expliquei na portaria como poderá ser comprovado aqueles que estão dentro ou fora do bioma amazônico", disse o ministro, durante o 1º Fórum de Governadores da Amazônia Legal.

Propriedades instaladas numa área de 155 mil km2 na fronteira do bioma Amazônia escaparam das restrições para tomar empréstimos bancários impostas na tentativa de conter o ritmo acelerado das motosserras na Amazônia, informa nesta sexta-feira reportagem de Marta Salomon, publicada pela Folha (a reportagem está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo a reportagem, a exclusão dessa área, que corresponde a menos de 4% do território atingido pelas medidas de combate ao desmatamento.

Minc disse que as mudanças vão ajudar a orientar os bancos que concedem o financiamento agrícola. "A restrição só vale para o bioma amazônico. Tem vários municípios em que parte das propriedade está dentro do bioma amazônico e outra parte, fora [cerrado e área de transição]. A parte fora já estava de fora da resolução, mas não tinha como explicar isso aos bancos."

O ministro disse que, ao contrário do que alguns governadores defendiam, o prazo para a restrição entrar em vigor está mantido em 1º de julho.

Minc também negou desentendimentos com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. "Nunca briguei, apenas fiz declarações um pouco ousadas, mas agora estamos juntos trabalhando dentro da lei. O que eu não posso é atender o pedido dele e adiar a resolução do CMN".

Com Folha de S.Paulo

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (480) 10/10/2008 15h56
Alcides Emanuelli (480) 10/10/2008 15h56
Ao Gamarra, Carlos José dos Santos e Barata, suas palavras soam como suplicas, como lagrimas elas caem e secam na poeira, mas sempre resta um pingo de esperança pelo respeito a Natureza, continuar é viver e querer é lutar e nos obrigamos a continuar em nossas buscas do Bem para a humanidade.
Um breve relato de uma região que morei um dia e vivi, a Região do Rio Araguaia no Mato Grosso onde foram implantado mais de 30 projetos fundiarios na Época dos anos 70.
Como era a legislação, o interessado comprava 400 he e teria o direito de desmatar 50%, os outros 50% deveria ser preservação do serrado da região, mas eles desmatavam mais que os 50% para plantar o arroz sequeiro, tudo com emprestimos do Banco do Brasil, tudo com a supervisão de instituições publicas de agropecuarias.
O homem não tem limites em suas ambições e não respeita nada e quando alguem fala ele diz que é desenvolvimento, e vai destruindo tudo que vê pela frente por interesse financeiro o principal interesse são os financiamento do Banco do Brasil e a primeira coisa que faz quando toma um financiamento e trocar a camionete e comprar uma moto mais potente.
Agora vem algumas palavras para o Ministro Minc e para o INCRA, nunca vai existir preservação da natureza com desmatamento parcial nos lotes, se não fizerem reservas totais onde o homem não vai poder morar, nem destruir, a unica forma de conviver com essas áreas seria o extrativismo com a preservação total.
Se não for feito assim não há preservação.
sem opinião
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Diógenes Pereira da Silva (49) 02/10/2008 20h40
Diógenes Pereira da Silva (49) 02/10/2008 20h40
Tratar como desonesto alguém que é sabidamente honesto significa limitar ou até suprimir o benefício que se pode obter de um conjunto de fatores concretos, mas que por uma questão ou outra vem sendo massacrado pelos princípios vis cominado no cotidiano dos brasileiros. Ultimamente e diante os resultados dos acontecimentos recentes, tenho-me questionado sobre o que significa honestidade. Se o partido do Delegado Protógenes é mesmo o da honestidade. Certamente ele não tem pretensão política. Pois honestidade é uma palavra que não faz parte do dicionário de muitos políticos brasileiros! sem opinião
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Gamarra R (100) 02/10/2008 11h13
Gamarra R (100) 02/10/2008 11h13
ASSENTAMENTOS DO INCRA REPRESENTA 44% DOS DESMATAMENTOS NO PAÍS!
CADÊ O DEVER DE CASA SR. LULA & MINC?"
2 opiniões
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